Pedro Sánchez se manifesta sobre o cessar-fogo entre EUA e Irã
O Primeiro-Ministro da Espanha, Pedro Sánchez, fez uma declaração na quarta-feira, unindo-se a uma série de líderes mundiais que acolheram o anúncio de um cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã, mas aproveitou a oportunidade para criticar indiretamente a administração Trump, que deu início às hostilidades.
“Cessar-fogos são sempre boas notícias, especialmente se conduzem a uma paz justa e duradoura. No entanto, esse alívio momentâneo não pode nos fazer esquecer o caos, a destruição e as vidas perdidas,” afirmou Sánchez em uma publicação nas redes sociais, segundo tradução.
O governante espanhol afirmou: “O Governo da Espanha não aplaudirá aqueles que incendiaram o mundo apenas porque aparecem com um balde.” Sánchez, que se destacou como um dos principais críticos da União Europeia em relação aos ataques dos EUA e de Israel contra o Irã, chamou a atenção para a necessidade de que “diplomacia, direito internacional e PAZ” prevaleçam.
As declarações de Sánchez ocorreram logo após o presidente dos EUA afirmar que concordou em suspender os ataques à infraestrutura iraniana por duas semanas, o que provocou uma onda generalizada de alívio nos ativos de risco.
Antes disso, Trump havia ameaçado que “uma civilização inteira morrerá esta noite, nunca mais a ser trazida de volta,” caso um acordo não fosse alcançado até o seu prazo na terça-feira.
Autoridades iranianas afirmaram que a trégua temporária significaria que a passagem segura pelo estreito de Ormuz, considerado estratégico, seria “possível,” sujeito à coordenação com suas forças armadas e a limitações técnicas — ressalvas que podem dar a Teerã algum espaço para definir a conformidade em seus próprios termos.
Líderes mundiais receberam o cessar-fogo com otimismo, embora analistas tenham caracterizado o acordo como frágil e advertido que a falta substancial de confiança entre as partes provavelmente complicará o caminho rumo à paz duradoura.
Reação do governo espanhol ao conflito
Sánchez tem gerado descontentamento na Casa Branca desde o primeiro ataque dos EUA e de Israel ao Irã, que ocorreu em 28 de fevereiro. O governo da Espanha negou o uso de duas bases operadas conjuntamente em seu território para ataques dos EUA contra o Irã e, posteriormente, fechou seu espaço aéreo para aeronaves norte-americanas envolvidas nesses ataques, reafirmando a sua postura contrária à guerra.
Em resposta, Trump renovou suas críticas ao gasto com defesa da Espanha e ameaçou romper todas as relações comerciais com o país do sul da Europa.
Reações de líderes mundiais ao cessar-fogo com o Irã
Juntamente com o Primeiro-Ministro da Espanha, a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também saudou o cessar-fogo de duas semanas, afirmando que traz uma “desescalada muito necessária.”
A alta comissária de política externa da UE, Kaja Kallas, descreveu o acordo como “um passo para trás à beira do abismo após semanas de escalada.” O Primeiro-Ministro britânico, Keir Starmer, também elogiou o acordo de cessar-fogo, destacando que “trará um momento de alívio para a região e para o mundo.”
Israel, por sua vez, apoiou o cessar-fogo dos EUA com o Irã, mas afirmou que o acordo não se aplica ao combate contra o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, no Líbano.
Arábia Saudita, Catar, Turquia, Índia, China e Japão também emitiram declarações acolhendo o avanço diplomático, que foi intermediado pelo Paquistão.
Novas conversas para explorar um fim abrangente à crise no Oriente Médio estão programadas para ocorrer em Islamabad na sexta-feira.
— A reportagem contou com a contribuição de Kevin Breuninger, da CNBC.
Fonte: www.cnbc.com