A estratégia tarifária de Trump em relação ao Irã pode comprometer o acordo comercial entre EUA e China.

A estratégia tarifária de Trump em relação ao Irã pode comprometer o acordo comercial entre EUA e China.

by Patrícia Moreira
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Ameaça de Tarifas de Trump Pode Comprometer Acordo Comercial com a China

Introdução ao Contexto

A ameaça do presidente Donald Trump, de impor tarifas de 25% sobre países que mantêm relações comerciais com o Irã, elevou o risco de prejuízos ao frágil acordo comercial entre Washington e Pequim, sendo a China o maior parceiro comercial do Irã.

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Trump anunciou, na noite de segunda-feira, que os Estados Unidos aplicarão uma tarifa de 25% sobre as importações provenientes de países que comercializam com o Irã. Essa ordem, segundo o presidente, é "efetiva imediatamente", conforme publicado em uma postagem no Truth Social.

Histórico do Acordo Comercial

As duas maiores economias do mundo haviam alcançado, no final de outubro, um acordo comercial provisório que previa a redução de tarifas punitivas dos EUA sobre a China, enquanto Pequim suspendeu seus controles rigorosos sobre as exportações de terras raras.

Reação da China

Em resposta à ameaça de tarifas por parte de Trump, a China manifestou sua "oposição firme a qualquer sanção unilateral ilícita e jurisdição extraterritorial". Além disso, a China alertou que tomaria "todas as medidas necessárias" para proteger seus interesses, conforme um comunicado de um porta-voz da Embaixada da China nos EUA publicado na plataforma X.

Implicações das Tarifas

Se Trump realmente concretizar a taxa de 25%, isso representaria uma "escala massiva em relação aos níveis atuais de tarifas", afirmou Deborah Elms, responsável por política comercial na Hinrich Foundation. Ela alertou que a situação poderia rapidamente se transformar em novos ciclos de retaliação, além de prejudicar as exportações de soja dos EUA para a China, lembrando que "da última vez que jogamos esse jogo, os níveis de tarifas chegavam a 145%".

Importações de Petróleo da China

A China, sendo o maior importador de petróleo do mundo, historicamente adquiriu petróleo bruto do Irã e de outros países sancionados pelos EUA, oferecendo um importante apoio econômico ao regime do Oriente Médio, que está enfrentando dificuldades devido às restrições ocidentais.

As exportações de petróleo bruto iraniano para a China mais do que dobraram entre 2017 e 2024 em termos diários, chegando a mais de 1,2 milhão de barris, de acordo com Muyu Xu, analista sênior da empresa de inteligência de commodities Kpler. De acordo com os dados mais recentes do Banco Mundial, em 2022, o combustível representou mais da metade das importações da China provenientes do Irã.

Declínio nas Importações

Entretanto, a China tem reduzido suas trocas comerciais com o Irã em decorrência do endurecimento das sanções dos EUA. As importações do Irã estavam a caminho de um quarto ano consecutivo de declínio em 2025, apresentando uma queda de 28% no período de janeiro a novembro em comparação ao ano anterior, conforme dados oficiais compilados pela Wind Information. A China deve divulgar os dados comerciais completos do ano nesta quarta-feira.

Cooperação Econômica com o Irã

A China não tem intenção de diminuir sua cooperação econômica com o Irã em razão da ameaça de tarifas feita por Trump. Cui Shoujun, professor de estudos internacionais na Universidade Renmin da China, comentou sobre o assunto em entrevista nesta terça-feira pela manhã. "A situação do Irã entrou, sem dúvida, em um período muito perigoso. Todos nós devemos prestar mais atenção", afirmou Cui, enfatizando que o interesse de Trump pelo Irã está relacionado aos recursos energéticos, que superam a produção petrolífera da Venezuela, justamente em um momento em que a demanda por eletricidade nos EUA está aumentando devido à necessidade de energia para alimentar a Inteligência Artificial.

Reuniões Presenciais e Relações EUA-China

Embora Cui tenha optado por não abordar diretamente as implicações para as relações EUA-China, ele ressaltou a relevância das reuniões presenciais como um importante indicador. Após um encontro entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping na Coreia do Sul no outono passado, as duas partes concordaram com uma trégua comercial de um ano, mantendo as tarifas sobre as exportações chinesas para os EUA em torno de 47,5%, reduzidas de um pico acima de 100% durante os momentos mais tensos do conflito comercial na primavera.

O presidente dos EUA está programado para visitar Pequim em abril, seguido por uma visita recíproca de Xi ainda este ano.

Quebra de Confiança em Meio à Tensão

"Trump está minando a frágil confiança construída em torno da trégua comercial", observou Dan Wang, diretor da Eurasia Group para a China. "Trump já é amplamente visto pelo público e pelo governo chinês como inconsistente." Os EUA e a China têm um histórico de aumento de pressões em busca de vantagem antes de importantes reuniões diplomáticas. As tensões aumentaram rapidamente antes do encontro entre Trump e Xi em outubro, com Pequim ampliando os controles de exportação sobre terras raras e iniciando investigações antitruste contra a fabricante de chips dos EUA, Qualcomm, enquanto Washington planejava restringir o software de design de chips para a China.

Possíveis Reações da China

De acordo com Wang, é provável que ocorram várias rodadas de retaliações semelhantes até a reunião de abril. Ele apontou que a China poderia responder com sanções a empresas americanas vinculadas às vendas de armamentos a Taiwan ou com investigações antitruste de empresas de tecnologia americanas que operam na China, embora tenha descartado novas restrições relacionadas a terras raras.

Legalidade das Tarifas

Ainda não está claro até que ponto as tarifas de Trump serão implementadas, uma vez que a Suprema Corte dos EUA poderá emitir um julgamento sobre a legalidade do uso de tarifas por parte do presidente nesta quarta-feira. A ameaça de tarifas sobre os parceiros comerciais do Irã parece estar relacionada ao "foco em constante mudança" de Trump e não a uma estratégia planejada para obter nova vantagem sobre a China antes da provável cúpula em abril, de acordo com Scott Kennedy, conselheiro sênior do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais.

Entretanto, Kennedy acrescentou que "a China não hesitará em retaliar de maneira a impor custos significativos aos EUA e está preparada para uma variedade de cenários, incluindo este".

Fonte: www.cnbc.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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