Expectativa de Cortes na Taxa Selic
A XP Investimentos mantém a expectativa de que o Banco Central inicie um ciclo de cortes na taxa de juros durante a próxima reunião, prevista para este mês. A previsão é de uma redução de 0,50 ponto percentual na taxa Selic, marcando o início de um processo de afrouxamento monetário que se estenderia ao longo de 2026. A projeção da instituição inclui cinco cortes consecutivos da mesma magnitude, culminando em uma taxa básica de 12,50% ao final deste ano.
Cenário Econômico Atual
De acordo com um relatório elaborado por Caio Megale, economista da XP, o cenário econômico atual justifica o início desse processo de flexibilização. Apesar de uma leitura mais pressionada do IPCA-15 em fevereiro, Megale aponta que a dinâmica inflacionária continua relativamente contida no curto prazo. Além disso, a atividade econômica, que perdeu força no segundo semestre de 2025, já apresenta indícios de uma recuperação gradual.
Previsões e Riscos
Apesar das projeções otimistas, Megale observa que o Banco Central tende a suspender os cortes no segundo semestre, dada a importância do cenário político. A instituição deve adotar uma postura cautelosa em função do volume de estímulos fiscais previstos para este ano e das incertezas relacionadas à dinâmica da taxa de câmbio.
O economista analisa que o cenário-base pressupõe que o próximo governo implementará algumas medidas de despesas, mas não em proporções suficientes para estabilizar a relação dívida/PIB. Nesse sentido, acredita-se que haja espaço para que o Banco Central retome o ciclo de flexibilização no próximo ano, embora de maneira limitada.
Pressões Externas
Um dos principais riscos a serem observados é o aumento no preço do petróleo, em meio às tensões geopolíticas, especialmente após a intensificação do conflito entre Estados Unidos e Irã. De acordo com a XP, o barril de petróleo chegou a ser cotado cerca de 30% acima da hipótese-base estabelecida pela instituição, que considerava o valor do petróleo em US$ 60, alcançando níveis próximos de US$ 80. Se a alta se mostrar persistente, o Banco Central poderia optar por uma abordagem mais gradual no início do ciclo, realizando um corte menor da Selic, de 0,25 ponto percentual.
Incertezas no Horizonte
Megale enfatiza que o balanço de riscos para a inflação tende a se tornar mais incerto no segundo semestre. A interação de pressões climáticas sobre os preços dos alimentos, a maior volatilidade da taxa de câmbio em um contexto eleitoral e os estímulos fiscais podem dificultar a convergência da inflação a longo prazo.
No cenário-base da XP, a taxa básica de juros deve encerrar 2026 a 12,50%, e 2027 a 11%. Mesmo assim, em termos reais, a taxa de juros se manteria próxima de 8%, valor que supera o nível considerado neutro pela instituição, estimado em aproximadamente 5,5%. Esses dados refletem os desafios fiscais previstos para os anos que estão por vir.
Fonte: www.moneytimes.com.br


