Reação de Trump ao Acordo Comercial
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, se encontraram em Washington, D.C., em 13 de fevereiro de 2025. O recente acordo comercial entre a União Europeia e a Índia, que acaba de ser firmado, é agora objeto de atenção, especialmente em relação à resposta do presidente Trump. Esse acordo de livre comércio é amplamente percebido como uma estratégia para contrabalançar as políticas comerciais voláteis dos Estados Unidos e as ameaças de tarifas.
O acordo, que foi confirmado na manhã de terça-feira, levou quase duas décadas para ser concluído e permitirá que as duas potências comerciais reduzam gradualmente as tarifas a zero na maior parte das importações umas das outras, exceto em alguns produtos e setores estratégicos.
Até o momento, Trump não comentou publicamente sobre o acordo entre a UE e a Índia, anunciado nas primeiras horas da manhã de terça-feira, no horário europeu. No entanto, a expectativa é de que ele e a Casa Branca não fiquem satisfeitos com essa nova aliança comercial. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, já criticou a União Europeia por avançar com essa negociação com a Índia.
“Os Estados Unidos fizeram sacrifícios muito maiores do que os europeus. Impusemos tarifas de 25% sobre as compras de petróleo russo por parte da Índia. Adivinhem o que aconteceu na semana passada? Os europeus assinaram um acordo comercial com a Índia,” afirmou Bessent em entrevista à ABC News no domingo.
Expectativas para a Relação EUA-Índia
O ministro de Petróleo e Gás Natural da Índia, Hardeep Singh Puri, declarou à CNBC na terça-feira que espera que a relação entre os Estados Unidos e a Índia permaneça em um nível positivo e que um acordo comercial seja concluído em breve.
“A estrutura da relação [entre os Estados Unidos e a Índia] é muito forte. Eu tentaria olhar para o lado positivo, não sou adivinho, não sei quando os acordos comerciais serão assinados, quanto tempo levará… mas todos precisam relaxar um pouco,” disse Hardeep Singh Puri à CNBC, durante uma entrevista com Amitoj Singh.
Segundo Puri, a Índia sempre apoiou o sistema multilateral de comércio, e isso ficou evidente no recente acordo com a União Europeia. “Se você fizer a afirmação de que o sistema de comércio multilateral, a economia global, está enfrentando desafios, então eu não acho que alguém queira contestar essa avaliação. Do lado indiano, há vários setores que esperam um mercado europeu expandido,” completou.
Avaliação do Acordo pelos Líderes
O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, elogiou o “acordo comercial histórico” anteriormente, enquanto ele e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o chamaram de “mãe de todos os acordos.” Von der Leyen mencionou que o acordo permitirá que as duas partes ampliem sua relação estratégica.
Ambos os líderes estão programados para se pronunciar em uma cúpula entre a UE e a Índia ainda na terça-feira e devem destacar os benefícios do acordo, que flexibiliza barreiras comerciais e reduz tarifas em um momento em que suas indústrias voltadas para exportação enfrentam tarifas punitivas impostas pelos Estados Unidos.
A Casa Branca já havia imposto uma tarifa de 15% sobre as importações da UE no ano passado, mesmo após concordar com um acordo comercial com o bloco europeu, enquanto os produtos da Índia enfrentaram tarifas mais severas, de 50%, em parte devido às suas compras contínuas de petróleo da Rússia.
Hosuk Lee-Makiyama, diretor do Centro Europeu para Economia Política Internacional, afirmou que o acordo entre a UE e a Índia é um dos melhores disponíveis para as duas partes, as quais, historicamente, mantêm posturas protecionistas em relação a setores estratégicos de suas economias, como agricultura e automóveis.
“Este é um acordo que eles podem fazer, que terá um impacto positivo, enquanto os Estados Unidos e a China continuam fechados à medida que novas aberturas de mercado surgem. Portanto, nesse aspecto, este é provavelmente um dos melhores acordos que eles podem fazer no momento,” disse Lee-Makiyama à CNBC na terça-feira.
Considerações sobre a Necessidade do Acordo
Apesar da importância do acordo, é inegável que existe uma certa cautela na Europa quanto a descontentar os Estados Unidos, especialmente em um período em que o compromisso norte-americano com seus aliados europeus parece fragilizado, particularmente no que tange ao princípio de defesa coletiva, que é central na aliança militar da OTAN.
David McAllister, membro do Parlamento Europeu e presidente de sua comissão de assuntos externos, ressaltou a necessidade de um equilíbrio na abordagem da região, que deve buscar seus próprios interesses econômicos, mantendo, ao mesmo tempo, boas relações com Washington.
“A Europa precisa se tornar mais soberana. A Europa precisa amadurecer, e isso significa que precisamos nos tornar economicamente mais competitivos,” declarou McAllister à CNBC durante o programa “Europe Early Edition” na terça-feira.
“Precisamos fazer muito mais pela nossa própria segurança e defesa, mas também queremos manter a estreita relação transatlântica com os Estados Unidos… mas essa relação precisa ser baseada em respeito mútuo e confiança,” concluiu.
Fonte: www.cnbc.com

