Críticas ao Banco Master e o Uso do FGC
O CFO do BTG Pactual, Renato Cohn, manifestou sua desaprovação em relação ao uso do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) como um componente central do modelo de negócios do Banco Master. No entanto, ele elogiou as plataformas que distribuem Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), afirmando que essas plataformas revolucionaram o mercado financeiro.
A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa no dia 9, onde o executivo respondeu a questionamentos sobre as críticas feitas pelo CEO do Itaú, Milton Maluhy Filho. Maluhy se referiu às plataformas que comercializaram CDBs do Banco Master, incluindo o próprio BTG.
Exposição aos CDBs do Master
Renato Cohn destacou que o BTG gradualmente reduziu a exposição de seus clientes aos CDBs do Banco Master, tanto por meio da diminuição da participação desses produtos na carteira quanto pela redução da disponibilidade para compra. Segundo Cohn, essa alteração ocorreu em 2024, quando o Banco Master começou a demonstrar indícios de problemas de solvência. Ele explicou: “Nós fizemos um processo de restrição e de educação dos nossos clientes, com aconselhamento para que eles ficassem dentro dos próprios limites e não somente dentro dos limites do FGC.”
Abuso do FGC
Cohn também comentou sobre o Banco Master, afirmando que este abusou do uso do FGC. Ele considerou que essa prática deveria ser proibida, mas ponderou que um caso de abuso como o do Banco Master não deveria prejudicar a credibilidade do FGC e das plataformas de distribuição. “As plataformas de distribuição permitiram um avanço enorme do mercado de capitais, proporcionando uma democratização dos investimentos, com um impacto significativo para a sociedade brasileira. Não deveríamos usar esse erro do Banco Master para voltar atrás”, argumentou.
Declarações do CEO do Itaú
Na quinta-feira, dia 5, o CEO do Itaú, Milton Maluhy Filho, criticou as instituições financeiras que distribuíram CDBs do Banco Master e Certificados de Operações Estruturadas (COEs) da Ambipar. Ele afirmou: “Algumas plataformas ganharam bilhões colocando esses produtos nas prateleiras. Nós nunca distribuímos CDBs do Master nem COEs da Ambipar; nunca colocamos nossos interesses acima dos clientes.” Maluhy Filho expressou a opinião de que os objetivos do FGC foram distorcidos em relação ao Banco Master, não somente pela própria atuação do banco, mas também por parte das instituições que distribuíram os produtos.
O CEO ainda comentou sobre a origem do FGC, afirmando que ele foi criado na década de 1990 com o principal objetivo de proteger o investidor em face das liquidações bancárias que ocorriam naquele período. Maluhy Filho considerou aceitável o uso do FGC em casos de falência de bancos causadas por modelos de negócios desatualizados ou por má gestão. No entanto, ele ressaltou que, no caso do Banco Master, o FGC foi empregado de forma a servir como parte do modelo de negócios com o intuito de captar recursos que ofereciam rentabilidade elevada.
Fonte: veja.abril.com.br


