A saída dos Emirados Árabes da Opep pode impactar suas finanças?

Saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep e Opep+

Na manhã desta terça-feira, dia 28, os Emirados Árabes Unidos anunciaram sua decisão de sair da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e da Opep+, com efeito a partir de 1º de maio. Conforme declarou o ministro da Energia dos Emirados, Suhail Al Mazrouei, em uma entrevista à jornalista Becky Anderson da CNN, o impacto desta decisão deve ser limitado no momento, especialmente devido ao fechamento do Estreito de Ormuz.

Contexto da Opep

A Opep foi fundada em 1960, inicialmente por cinco países: Iraque, Irã, Kuwait, Arábia Saudita e Venezuela. Com o passar dos anos, a organização expandiu-se e agora conta com 13 países-membros, dentre eles:

  • Arábia Saudita
  • Argélia
  • Congo
  • Gabão
  • Guiné
  • Equatorial
  • Irã
  • Iraque
  • Kuwait
  • Líbia
  • Nigéria
  • Venezuela

O objetivo principal do cartel é definir metas de produção de petróleo e coordenar a oferta, com a finalidade de influenciar os preços globais da commodity.

Formação da Opep+

Em 2016, diante da queda acentuada nos preços do petróleo, que foi impulsionada pelo aumento da produção de petróleo de xisto nos Estados Unidos, a Opep estabeleceu um acordo com outros dez países produtores, originando a Opep+. Atualmente, os membros deste grupo ampliado incluem:

  • Cazaquistão
  • México
  • Omã
  • Rússia
  • Brasil (observador)

Em março, a produção de petróleo bruto da Opep+ registrou uma média de 35,06 milhões de barris por dia, conforme relatório mensal do grupo. Em termos globais, os países do cartel respondem por cerca de 30% da produção mundial de petróleo.

Impacto da Saída dos Emirados

A saída dos Emirados Árabes Unidos pode ter repercussões significativas. Segundo a Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA), o país respondia por aproximadamente 13,6% da produção da Opep, o que equivale a cerca de 4,6 milhões de barris por dia, e 4,3% da produção global.

Suhail Al Mazrouei ressaltou que os efeitos imediatos provavelmente serão limitados, considerando o fechamento do Estreito de Ormuz, pelo qual transita cerca de um quinto do petróleo mundial, em meio aos conflitos atuais no Oriente Médio entre os Estados Unidos e o Irã, que também é membro do cartel.

Entretanto, o cenário deverá mudar no médio e longo prazo. Com a saída da organização, os Emirados ganham maior flexibilidade para incrementar sua produção, que está estimada em cerca de 5 milhões de barris diários, superando as cotas que eram anteriormente respeitadas na Opep, conforme análise de Gabriel Uarian, analista-chefe da Cultura Capital, em declaração à CNN Money.

Efeitos a Longo Prazo

Conforme o especialista, a eventual normalização das rotas marítimas pode levar a um aumento da oferta da commodity no mercado internacional, pressionando os preços para baixo e aumentando a volatilidade. O professor de pós-graduação em Economia na Universidade Federal de Uberlândia, Betino Salomão, complementou que esse movimento poderá ajudar a aliviar a inflação, especialmente nos preços dos combustíveis e seus derivados.

Ele também destacou que, desde o início do conflito envolvendo o Irã, os preços do petróleo dispararam, especialmente após o fechamento do Estreito de Ormuz.

Consequências para o Brasil

No Brasil, os combustíveis experimentaram um aumento de 6,06% na prévia da inflação de abril. A gasolina, que subiu 6,23%, se tornou o principal responsável pelo impacto inflacionário do mês, com uma contribuição de 0,32 ponto porcentual. O óleo diesel apresenta um aumento de 16,00%, sendo a terceira maior pressão inflacionária, com uma contribuição de 0,04 ponto porcentual. O etanol também registrou alta de 2,17%, enquanto o gás veicular teve uma queda de 1,55%.

Assim, com a gradual ampliação da oferta global, as expectativas apontam para uma normalização dos preços dos combustíveis no Brasil, segundo o professor Salomão.

Perspectivas Futuras

Tanto Salomão quanto outros especialistas acreditam que essa normalização irá beneficiar a economia e também os consumidores, visto que produtos diretamente dependentes do petróleo, como combustíveis, transporte rodoviário, plásticos e outros derivados, poderão impactar menos o orçamento das famílias brasileiras.

Salomão ainda acrescentou que, caso haja um efeito adverso, uma eventual elevação nos preços do petróleo não deverá ser uma preocupação tão significativa, pois a recente queda do valor do dólar pode atenuar esse impacto.

Analistas observaram que, apesar de o preço internacional do petróleo em dólares estar em ascensão, a depreciação da moeda americana em relação ao real pode diminuir a transmissão desse aumento para os preços internos. De fato, mesmo com um crescimento nos preços no exterior, uma moeda estrangeira mais barata pode amortecer esse impacto no mercado doméstico.

Potenciais Consequências no Curto Prazo

Por outro lado, Gustavo Spinola, estrategista-chefe da RB Invetimentos, enfatizou que esses impactos não são esperados para o curto prazo, embora a saída de um dos principais produtores seja vista como um elemento de enfraquecimento da Opep+.

De forma otimista, Spinola afirmou que essa situação é propícia para quem anseia por uma redução nos preços do petróleo e dos combustíveis no futuro.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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