Ações brasileiras se destacam com o efeito HALO: a revolução da inteligência artificial no mercado.

Ações brasileiras se destacam com o efeito HALO: a revolução da inteligência artificial no mercado.

by Ricardo Almeida
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Euforia da Inteligência Artificial em Diminuição

A empolgação inicial em torno da inteligência artificial tem diminuído nas últimas semanas. O cenário de compras em massa por empresas do setor tecnológico deu lugar a uma análise mais cuidadosa sobre quais modelos de negócio são realmente capazes de se manter resilientes diante da automação crescente.

Efeito HALO no Mercado

Nesse novo contexto, surge o conceito de efeito HALO. A sigla refere-se a High Assets, Low Obsolescence, a qual descreve empresas que possuem uma base significativa de ativos físicos e um baixo risco de obsolescência com o avanço da inteligência artificial. A interpretação desse conceito é clara: empresas que são intensivas em capital e que possuem barreiras estruturais tendem a enfrentar menos impactos adversos decorrentes de disrupções tecnológicas.

A preocupação predominante entre os investidores está voltada para softwares e serviços tecnológicos. A análise destaca que, se as ferramentas de inteligência artificial conseguirem reduzir de maneira significativa os custos para desenvolver e escalar novas aplicações, as barreiras de entrada para novos competidores se tornam mais baixas. Isso pode aumentar a probabilidade de substituições e exercer pressão sobre as margens de lucro das empresas.

O CEO da Nvidia, Jensen Huang, manifestou sua opinião na quarta-feira, dia 25, afirmando que tal temor não se justifica, já que a inteligência artificial deve operar em sinergia com os softwares existentes no mercado. Contudo, os investidores já começaram um processo de realocação de suas carteiras em direção a ativos que são considerados mais duráveis.

De acordo com um relatório publicado pelo Santander na quarta-feira, à medida que os posicionamentos do mercado são ajustados em relação a empresas digitais mais saturadas, há uma expectativa de que os ativos associados ao efeito HALO — especialmente em mercados emergentes que são intensivos em ativos — apresentem um desempenho relativo superior.

Ibovespa e Ações Brasileiras

Ao aplicar a metodologia HALO nos principais índices globais, tanto o Ibovespa (BOV:IBOV) quanto o MSCI Brazil se destacam como mercados com uma combinação favorável entre a pontuação HALO e múltiplos mais baixos.

O Santander afirmou que a estrutura da bolsa de valores brasileira, a qual possui um peso significativo em setores como energia, serviços públicos, materiais e concessões, diminui a exposição à automação cognitiva e à desintermediação tecnológica. O banqueiro destacou que não se trata de um segmento de negócios que desaparecerá simplesmente porque um modelo de linguagem se torna mais avançado.

Com base nessa linha de raciocínio, o banco elaborou uma seleção de ações brasileiras que estão em alinhamento com o efeito HALO:

  • AXIA3
  • CSMG3
  • ORVR3
  • BRAV3
  • PRIO3
  • CYRE3
  • DIRR3
  • VIVT3
  • AURA33
  • VALE3

Impactos Potenciais nas Ações

Se o mercado continuar a fazer uma rotação em direção a ativos que são intensivos em capital, empresas dos setores de energia, saneamento, mineração, telecomunicações e construção podem experimentar um desempenho relativamente superior na bolsa de valores. A racionalidade por trás dessa expectativa é que essas operações possuem ativos tangíveis significativos, além de barreiras regulatórias e necessidades de capital elevado, fatores que dificultam sua substituição por soluções exclusivamente digitais.

Em contrapartida, empresas do setor de software e tecnologia podem enfrentar maior volatilidade, especialmente caso a percepção de compressão estrutural das margens se mantenha. O fluxo de capital tende a favorecer empresas que apresentam previsibilidade na geração de caixa e um menor risco de desintermediação.

Possíveis Mudanças no Cenário

O Santander observa que o principal risco associado à tese HALO reside na possibilidade da inteligência artificial demonstrar ser uma força predominantemente geradora de produtividade, ao invés de uma ameaça às margens de lucro. Nessa hipótese, empresas que são voltadas ao crescimento e aqueles modelos de negócios escaláveis poderiam retomar a liderança no mercado.

Uma redução nas taxas de juros reais, uma melhora na liquidez global e um aumento no apetite por risco também poderiam beneficiar ações de maior duração.

A análise enfatiza que não se trata de um êxodo em direção ao crescimento, mas sim de uma recalibração do mercado.

Neste cenário atual, onde os investidores buscam proteção e múltiplos mais atrativos em mercados emergentes, a tese HALO reforça a atratividade relativa do índice Ibovespa (BOV:IBOV). A discussão acontece em um momento de maior seletividade global, onde os fundamentos e a estrutura de capital voltam a ser fatores centrais nas tomadas de decisão.

Fonte: br.-.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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