Queda das Ações da Direcional
Na última quinta-feira (18), as ações da construtora Direcional (DIRR3) apresentaram uma significativa queda, liderando as perdas do Ibovespa. Acompanhando o movimento do mercado, por volta das 14h50 (horário de Brasília), os papéis da empresa estavam em baixa de aproximadamente 2,78%, cotados a R$ 13,97.
Recomendação da XP Investimentos
Esse movimento ocorre mesmo após a XP Investimentos ter reiterado, mais cedo, sua recomendação de compra para as ações da construtora, ressaltando a perspectiva da empresa em seguir uma tese de retorno de capital imediato. De acordo com análises feitas pelos profissionais do banco, a expectativa é que a Direcional se posicione como uma grande pagadora de proventos nos próximos anos, com um dividend yield projetado de 10,4% para o ano de 2027.
Comparação com outras Empresas do Setor
Embora a Direcional tenha recebido uma recomendação positiva, a corretora indicou a Cury (CURY3) como sua principal escolha dentro do setor de construção. Os analistas da XP destacaram que a Cury apresenta uma combinação atrativa, incluindo crescimento acelerado, sólida geração de caixa e uma distribuição significativa de recursos aos acionistas.
A XP Investimentos acredita que os pagamentos de proventos da Cury tendem a aumentar nos próximos anos, projeta-se um dividend yield em torno de 17% até 2028. Além disso, a corretora observa uma expectativa de expansão mais robusta nas receitas de Tenda (TEND3) e Plano & Plano (PLPL3), prevendo um crescimento anual composto (CAGR) de 17% e 23%, respectivamente, entre 2025 e 2028. Ambas as empresas devem também devolver mais capital aos seus acionistas nesse período.
Condições Favoráveis para o Setor
Conforme a análise da XP, as condições macroeconômicas permanecem favoráveis para o setor de baixa renda em geral. O orçamento plurianual do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) destinado à habitação está em um patamar elevado, com R$ 144 bilhões previsto para 2026 e uma leve redução para R$ 140 bilhões em 2028.
Além disso, a reforma do Imposto de Renda, que estabelece isenção para os cidadãos que ganham até R$ 5.000 por mês a partir do próximo ano, tende a reforçar um ambiente positivo para o setor.
Riscos Monitorados
Entre os principais riscos que a XP monitora, destaca-se a possibilidade de aumento nos custos de construção, sendo que o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) é uma variável fundamental a ser acompanhada. A corretora observa que muitas empresas já incorporaram essa inflação em seus planos de negócios, embora o cenário macroeconômico, especialmente em um ano eleitoral, continue demandando vigilância.
Os analistas da XP identificam que a demanda permanece relevante, a concorrência se mostra ainda frágil e as empresas estão operando em um momento positivo, o que, até o momento, sustenta uma visão otimista em relação às construtoras de baixa renda.
Atualização do JP Morgan
No dia anterior, 17 de outubro, o JP Morgan também atualizou suas projeções para o setor de construção no Brasil e reforçou que empresas com ações que são negociadas a múltiplos mais baixos estão entre as preferidas pelo banco. A instituição manteve uma recomendação de overweight (equivalente à compra) para as ações de Cyrela (CYRE3), Eztec (EZTC3), Tenda (TEND3) e MRV (MRVE3).
Por outro lado, embora o JP Morgan tenha elogiado a performance da Direcional (DIRR3) e da Cury (CURY3), o banco manteve uma recomendação neutra em relação a ambas. O JP Morgan mencionou que os papéis destas empresas estão sendo negociados entre 9 e 9,5 vezes o lucro esperado para 2026, o que limita o potencial de valorização.
Considerações Finais
Os recentes movimentos no mercado de ações da Direcional destacam a instabilidade que pode ocorrer, mesmo em meio a recomendações favoráveis. A análise das condições macroeconômicas e dos riscos associados ao setor de construção será essencial para os investidores que buscam compreender o ambiente atual e futuro de suas aplicações.
Fonte: www.moneytimes.com.br


