Conflito no Oriente Médio
Em uma imagem obtida pela agência de notícias ISNA do Irã, datada de 2 de maio de 2026, o petroleiro Bili, com bandeira da Gâmbia, é visto ancorado no Estreito de Hormuz, próximo a Bandar Abbas, no sul do Irã. A imagem foi divulgada por Amirhossein Khorgooei, da AFP.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou a contraproposta do Irã para encerrar a guerra que já dura 10 semanas no Oriente Médio, qualificando-a como "totalmente inaceitável". Enquanto isso, Teerã reafirmou que "nunca se curvará", prolongando um impasse que afetou o tráfego no Estreito de Hormuz e perturbou os mercados globais de energia.
"Acabo de ler a resposta dos chamados ‘Representantes’ do Irã. Não gostei — TOTALMENTE INACEITÁVEL!" disse o presidente em uma postagem nas redes sociais Truth Social no último domingo.
Rejeição Iraniana
Os meios de comunicação estatais iranianos apresentaram a reação de Teerã como uma rejeição à proposta dos Estados Unidos, caracterizada como uma exigência de "rendição". Em resposta à última proposta dos EUA, Teerã insistiu em reparações de guerra, plena soberania sobre o Estreito de Hormuz, um fim nas sanções e a liberação de ativos iranianos congelados.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, adotou um tom desafiador durante as negociações no domingo. "Nunca abaixaremos nossas cabeças diante do inimigo, e se surgir a possibilidade de diálogo ou negociação, isso não significa rendição ou recuo", afirmou em uma postagem em persa no X, traduzida pelo Grok.
Situação em Israel
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em uma entrevista ao programa "60 Minutes" da CBS News, declarou que a guerra não havia terminado, pois ainda havia "mais trabalho a ser feito". Segundo ele, o Irã não havia se desfeito do seu urânio enriquecido nem desmontado os locais de enriquecimento, e continuava a apoiar proxies regionais e a avançar em seu programa de mísseis balísticos.
Impasse Nuclear e Estreito de Hormuz
O Wall Street Journal noticiou que o Irã recusou as exigências dos EUA em relação ao seu programa nuclear e ao estoque de urânio altamente enriquecido. Em vez disso, Teerã sugeriu negociações separadas e se ofereceu para diluir parte de seu urânio altamente enriquecido, transferindo o restante para um terceiro país, com a condição de que este fosse devolvido caso Washington abandonasse um eventual acordo.
Os Estados Unidos buscam garantias de que o Irã encerrará seu programa nuclear como parte de qualquer acordo de paz. O Irã, segundo relatos, concordou em suspender o enriquecimento de urânio, mas por um período mais curto do que a moratória de 20 anos proposta pelos EUA. O Irã rejeitou o desmantelamento de suas instalações nucleares.
Teerã também exigiu que os EUA encerrassem o bloqueio aos portos iranianos como condição para que o país abrisse o Estreito de Hormuz.
Um navio-tanque de gás natural liquefeito do Catar cruzou o estreito no domingo pela primeira vez desde o início da guerra, em uma passagem que recebeu aprovação do Irã com a intenção de fortalecer a confiança com o Catar e o Paquistão. No entanto, essa abertura simbólica teve pouco impacto nas preocupações mais amplas do mercado.
Os futuros do petróleo West Texas Intermediate, com entrega em junho, aumentaram 3,08%, chegando a $95,42 por barril, enquanto os futuros do Brent, com entrega em julho, subiram 3,16%, atingindo $104,49 por barril.
Ataques e Ameaças
O Irã continuou a realizar ataques aéreos com drones contra vizinhos do Golfo durante o fim de semana. Os Emirados Árabes Unidos informaram ter interceptado dois drones vindos do Irã, enquanto o Catar condenou um ataque de drone que atingiu um navio de carga em suas águas. O Kuwait também relatou que suas defesas aéreas enfrentaram drones hostis que entraram em seu espaço aéreo.
O porta-voz do Exército iraniano, o general de brigada Mohammad Akraminia, em uma entrevista à IRNA, alertou sobre "opções surpreendentes" caso os adversários cometesses outra "mislcalculo", afirmando que qualquer futura agressão levaria o conflito para áreas "que o inimigo não havia antecipado".
O novo Líder Supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, que não apareceu publicamente desde o início da guerra, também emitiu "novas e decisivas diretrizes" para operações militares, de acordo com a emissora estatal, embora sem detalhes adicionais.
Atenções Voltadas para Pequim
A situação não resolvida permanece em destaque à medida que se aproxima a cúpula do presidente Trump com o presidente chinês Xi Jinping, marcada para esta semana em Pequim, onde a guerra do Irã deve ser tema central.
Washington tem procurado pressionar Pequim para que exerça influência sobre Teerã para reabrir o estreito, embora o apetite da China para agir como um mecanismo de pressão permaneça incerto.
De acordo com Ben Emons, diretor administrativo da Fed Watch Advisors, a expectativa base é de uma "détente gerida com entregas potencialmente limitadas" — provavelmente se traduzindo em uma linguagem conjunta vaga sobre desescalada e a manutenção do fluxo de petróleo.
Emons observou que a China compartilha do interesse de Washington por um Hormuz estável, mas não pode ser vista fazendo concessões que subestimem sua parceria com Teerã ou arriscar a exposição reputacional de um esforço de mediação malsucedido.
Recentemente, em uma importante iniciativa diplomática, Pequim recebeu o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, onde o principal diplomata chinês, Wang Yi, reafirmou a "parceria estratégica" entre os dois países, ao mesmo tempo em que instou Teerã a buscar uma resolução diplomática para o conflito regional e a evitar hostilidades.
Fonte: www.cnbc.com


