Desempenho da Disney e Desafios Enfrentados
A Walt Disney (DIS) informou que a redução no número de visitantes internacionais em seus parques temáticos localizados nos Estados Unidos, juntamente com uma diminuição nos lucros de sua divisão de TV e cinema, resultou em uma queda de quase 5% nas ações durante as negociações desta segunda-feira. Esta situação se apresenta em um momento em que a empresa se prepara para nomear um sucessor para o presidente-executivo Bob Iger, que está encerrando seu mandato.
Fatores Impactantes e Estratégias
A empresa mencionou que estava enfrentando “ventos contrários” em relação aos visitantes internacionais, embora não tenha especificado as causas. Este cenário ocorre em um momento marcado pela diminuição das viagens de estrangerios para os Estados Unidos. O diretor financeiro Hugh Johnston destacou que a Disney está concentrando seus esforços promocionais nos consumidores nacionais, uma vez que possui “menos visibilidade” sobre os visitantes internacionais.
A unidade de entretenimento da Disney, que abrange os estúdios de cinema, redes de televisão e serviços de streaming da empresa, reportou uma queda de 35% no lucro operacional. Essa situação foi atribuída ao elevado custo de marketing de uma série de lançamentos cinematográficos, entre os quais se destacam os sucessos de bilheteira “Zootopia 2” e “Avatar: Fogo e Cinzas”.
Mudanças nas Estratégias de Divulgações
Além disso, a Disney decidiu interromper a divulgação dos dados de receita e lucro operacional de suas redes de TV, conforme indicado por Johnston, que classificou essas informações como “não mais relevantes” em um ambiente onde o entretenimento é amplamente disponível em múltiplas plataformas de distribuição.
"O declínio no preço das ações está intimamente associado ao desempenho do negócio dos parques", comentou Ben Barringer, responsável pela pesquisa em tecnologia da Quilter Cheviot. Segundo ele, a relevância e a dimensão desse segmento indicam que seu desempenho impacta significativamente o mercado.
Expectativa para a Sucessão da Liderança
A empresa de mídia e entretenimento planeja anunciar, ainda neste início de ano, o nome do novo presidente-executivo que irá substituir Iger. Fontes da indústria de Hollywood sugerem que Josh D’Amaro, presidente da divisão de experiências, que inclui os parques temáticos, é o favorito para a posição.
Jessica Reif Ehrlich, analista do Bank of America, apontou que a questão da sucessão tem exercido pressão sobre as ações recentemente, e as especulações de que D’Amaro será nomeado como o próximo presidente-executivo devem ser positivas para a comunidade de investidores, especialmente devido ao desempenho da divisão de experiências.
Iger deve deixar a posição no final do ano e declarou que está preparando seu sucessor para identificar oportunidades de crescimento para a companhia. Em suas declarações, Iger enfatizou que em um mundo em constante mudança, tentar manter o status quo seria um erro, e está confiante de que seu sucessor adotará uma abordagem diferente.
Desempenho das Unidades de Negócio
A unidade de experiências da Disney, que inclui não apenas os parques, mas também cruzeiros e produtos de consumo, contribuiu substancialmente para o trimestre de dezembro, gerando uma receita de US$ 10 bilhões, o que corresponde a 72% do lucro operacional trimestral da empresa, que foi de quase US$ 5 bilhões.
Situação do Turismo Internacional
Os Estados Unidos registraram uma queda de 6% no número de visitantes estrangeiros em 2025, isso acontece mesmo com o turismo global apresentando um aumento de 6,7% nos gastos, conforme dados do WTTC, um grupo do setor. Medidas como as políticas anti-imigração dos EUA têm levado turistas a optar por destinos em países europeus, como Espanha e França, além do Japão.
A receita geral da Disney aumentou em 5%, alcançando US$ 26 bilhões no primeiro trimestre fiscal, encerrado em 27 de dezembro. Este resultado superou as expectativas, que eram de uma receita de US$ 25,7 bilhões, conforme analistas consultados pela LSEG. A empresa reportou um lucro antes dos impostos de US$ 3,7 bilhões, que também ficou acima da previsão de Wall Street, que era de US$ 3,5 bilhões.
Resultados Abaixo das Expectativas
No entanto, o lucro ajustado por ação da Disney caiu para US$ 1,63, representando uma queda de 7% em relação ao ano anterior, embora tenha superado a estimativa de analistas que era de US$ 1,57 por ação. A Disney reafirmou sua previsão de crescimento de dois dígitos no lucro por ação em comparação ao ano fiscal de 2025. A expectativa é que a empresa arrecade US$ 19 bilhões em caixa com suas operações, além de continuar com a recompra de US$ 7 bilhões de ações.
Uma disputa contratual que durou duas semanas entre a Disney e a plataforma YouTube TV resultou na perda do acesso de milhões de assinantes a canais pertencentes à Disney, como a ESPN. Essa situação gerou um prejuízo de US$ 110 milhões para a unidade esportiva da empresa, que registrou uma queda de 23% em seu lucro operacional no trimestre.
Os serviços de streaming da Disney, que incluem Disney+, Hulu e ESPN, mostraram um crescimento de 72% em receita operacional, totalizando US$ 450 milhões. A receita desses serviços subiu para US$ 4,4 bilhões, apontando um aumento de 13% em relação ao ano anterior. A Disney parou de divulgar o número de assinantes de seus serviços de streaming.
Fonte: www.moneytimes.com.br


