A Intel divulgou nesta quinta-feira, dia 23, os resultados do segundo trimestre, que superaram as expectativas do mercado. A empresa registrou seu maior crescimento de receita em um único trimestre desde 2011, além de apresentar projeções para o trimestre atual que também ficaram acima das estimativas dos analistas. Em reação a esses resultados, as ações da Intel subiram 11% no pós-mercado.
A seguir, estão os resultados da Intel em comparação com o consenso da LSEG:
- Lucro por ação (EPS): US$ 0,42 ajustado, em comparação com a expectativa de US$ 0,21.
- Receita: US$ 16,1 bilhões, ultrapassando os US$ 14,42 bilhões esperados.
As ações da Intel acumulam uma alta superior a 170% em 2026 até o fechamento da última quinta-feira, após um avanço de 84% em 2025. Esse crescimento ocorreu após o governo dos Estados Unidos adquirir uma participação de 10% na empresa, como parte de uma estratégia para fortalecer a fabricação de chips no país. No entanto, as ações também enfrentaram uma correção significativa, com uma queda de 28% somente em julho.
Mesmo diante desse recuo, a empresa tem se beneficiado do aumento na demanda por infraestrutura de inteligência artificial, que tem impulsionado as vendas de seus processadores voltados para servidores. O crescimento de 25% na receita registrado foi o mais acelerado desde o terceiro trimestre de 2011.
“A inteligência artificial está gerando uma demanda sem precedentes por capacidade computacional”, destacou o CEO Lip-Bu Tan em um comunicado. “Com a continuidade da execução de nossa estratégia, a Intel está bem posicionada para aproveitar um crescimento sustentável em nossa linha de processadores (CPUs).”
Projeções Acima do Esperado
Para o trimestre atual, a Intel estima um lucro ajustado de US$ 0,38 por ação e uma receita que deve variar entre US$ 15,8 bilhões e US$ 16,8 bilhões.
Os analistas consultados pela LSEG esperavam uma receita de US$ 15,1 bilhões e um lucro de US$ 0,27 por ação.
A companhia também informou que iniciou a formalização de contratos de longo prazo com clientes de processadores para servidores. Dentre esses acordos, alguns incluem preços já definidos, enquanto outros focam no volume de fornecimento de chips.
Esse tipo de contrato está se tornando cada vez mais comum, especialmente no segmento de memória, onde os fabricantes buscam preservar os níveis elevados de preços e sua capacidade de negociação caso ocorra uma desaceleração no mercado de inteligência artificial.
Conforme revelado pela Intel, já foram estabelecidos 10 acordos de longo prazo. O diretor financeiro da companhia, David Zinsner, mencionou que a empresa enfrenta restrições na oferta, uma vez que a demanda dos clientes de data centers ultrapassa sua capacidade de produção.
Data Centers Impulsionam Crescimento
A receita oriunda da divisão de computação para PCs obteve um crescimento de 13%, atingindo um montante de US$ 8,9 bilhões. Apesar de continuar sendo o segmento mais expressivo da empresa, o principal motor de crescimento destaca-se no setor de data centers, cuja receita saltou 59%, totalizando US$ 6,3 bilhões.
A Intel também comunicou que prevê vendas estáveis de PCs no terceiro trimestre, decorrentes da escassez de memória.
Mais Investimentos na Fabricação de Chips
A empresa tem a intenção de aumentar significativamente seus investimentos em capital (capex) no próximo ano, reforçando sua estratégia de se tornar uma grande fabricante de chips para terceiros.
Zinsner informou à CNBC que o novo processo de fabricação da companhia, denominado 14A, apresenta um avanço em relação às tecnologias anteriores que estavam no mesmo estágio de desenvolvimento.
A divisão de fundição da Intel, conhecida como Intel Foundry, reportou uma receita de US$ 5,8 bilhões, representando um aumento anual de 31%.
Contudo, até o momento, a Intel ainda não anunciou um cliente significativo para sua operação de fundição, algo que é aguardado com expectativa tanto por investidores quanto por potenciais parceiros. Atualmente, a unidade concentra suas atividades na produção de chips para a própria Intel. Nesta semana, a empresa anunciou a Fortinet como seu primeiro cliente identificado desde a nomeação de Lip-Bu Tan ao cargo de CEO, utilizando um processo de fabricação mais antigo para a produção de chips de segurança.
Margens Voltando a Crescer
A margem bruta da Intel se recuperou para 42%, em comparação a 2,5% no mesmo período do ano anterior.
De acordo com a empresa, esse aumento foi impulsionado pelo ganho de escala com o crescimento das receitas, além de uma maior participação de chips que apresentam margens elevadas e preços mais favoráveis.
Fonte: timesbrasil.com.br