Queda nas Ações da Nio Após Processo Judicial
As ações da Nio, que estão listadas em Hong Kong, sofreram uma queda de mais de 7% após o fundo soberano de Cingapura entrar com um processo contra a fabricante chinesa de veículos elétricos. O processo alega que a Nio violou leis de valores mobiliários ao inflar suas receitas.
Detalhes do Processo
O processo judicial nomeia o CEO da Nio, Li Bin, e o ex-diretor financeiro, Feng Wei, como réus. Segundo um documento judicial apresentado em agosto no tribunal do Sul de Nova York, a queixa alega que a Nio reconheceu de forma ilegal mais de 600 milhões de dólares em receitas de aluguel de baterias, provenientes de uma empresa de ativos de baterias, chamada Weineng, que, apesar de aparentemente independente, era controlada pela Nio. A Nio não divulgou seu interesse na referida empresa.
A queixa afirma que a Nio "emitiu declarações e omissões materialmente falsas e enganosas que distorceram a relação da Nio com a Weineng, assim como os verdadeiros números de receita e lucro da empresa", o que resultou na inflação artificial do valor das ações da Nio.
Como resultado, o GIC — que adquiriu ações da Nio entre 11 de agosto de 2022 e 11 de julho de 2022 — sofreu "perdas tremendas", de acordo com o processo. As ações da Nio na Bolsa de Cingapura caíram 7,9%.
O CNBC entrou em contato com o GIC e a Nio para solicitar comentários e está aguardando suas respostas.
Alegações sobre Receita Antecipada
A Nio oferece um modelo de assinatura de bateria, que permite aos consumidores comprar um carro sem bateria a um custo reduzido, alugando a bateria separadamente por meio de um plano de assinatura mensal. Segundo o processo, a Weineng foi criada para comprar as baterias alugadas da Nio, de modo que os clientes efetivamente as alugassem da Weineng.
A empresa de ativos de baterias foi co-fundada em 2020 pelos réus e três investidores, incluindo o fornecedor de baterias da Nio, a CATL; o Hubei Science Technology Investment Group; e uma subsidiária do banco de investimento Guotai Junan International Holdings. Cada investidor detinha uma participação de 25%.
A queixa alega que a Nio tinha "um interesse econômico desproporcionalmente maior na Weineng do que os outros fundadores e a controlava como a única fonte de receita da Weineng".
Segundo o processo, esse arranjo permitiu que a Nio registrasse anos de receita de assinatura de forma antecipada, ao mesmo tempo em que removia ativos de baterias em depreciação de seu balanço patrimonial, o que estaria em violação das leis de valores mobiliários. O argumento apresentado é de que a empresa deveria ter reconhecido essas receitas em parcelas, à medida que os clientes pagavam pelos aluguéis ao longo do tempo.
Adicionalmente, a queixa alega que a Nio instalou vários de seus próprios altos executivos na Weineng para garantir que a afiliada agisse em seus interesses. O processo argumenta também que a Nio deveria ter consolidado as receitas da Weineng em suas demonstrações financeiras devido à sua participação controladora.
Investigações Anteriores e Aliados
Em 2022, a empresa de vendas a descoberto Grizzly Research fez alegações semelhantes, afirmando que a Nio havia inflacionado sua receita e melhorado as margens de lucro líquido para atingir metas. O relatório ressaltou que "em vez de reconhecer a receita ao longo da vida útil da assinatura (~7 anos), a Weineng permite que a Nio reconheça a receita das baterias que vende de imediato. Acreditamos que, através desse arranjo, a Nio manipulou seus números ao antecipar 7 anos de receita."
O caso do GIC contra a Nio está atualmente suspenso, após um juiz ter ordenado uma pausa temporária, conforme documento judicial protocolado em 3 de outubro.
Fonte: www.cnbc.com


