Ações da Novo Nordisk recuam após corte de classificação do Morgan Stanley para “Underweight”.

Rebaixamento da Novo Nordisk pelo Morgan Stanley

O banco Morgan Stanley revisou sua classificação da farmacêutica Novo Nordisk, reconhecida no mercado pela sigla NYSE:NVO, rebaixando-a de "Equal-weight" para "Underweight". Além disso, reduziu também o preço-alvo para as ações, passando de DKr 380 para DKr 300. Essa decisão é sustentada pela análise de um cenário desafiador para a empresa, que inclui uma desaceleração nas prescrições, aumento da concorrência e pressões sobre os preços.

Queda das Ações

Na segunda-feira, 29 de setembro de 2025, as ações da Novo Nordisk apresentaram uma queda de mais de 3% no pré-mercado nos Estados Unidos. É importante observar que a empresa também é negociada na B3, por meio da BDR, identificada como BOV:N1VO34.

Análise das Prescrições

Os analistas da instituição financeira ressaltaram a estagnação nas prescrições dos principais medicamentos da Novo, que são o Ozempic e o Wegovy, além do contínuo declínio nas vendas do Rybelsus. Embora tenha havido um aumento nos volumes semanais do Wegovy no início do ano, esses números se mantiveram estáveis nas últimas nove semanas, indicando um crescimento limitado.

Preocupações com o Crescimento

A equipe liderada por Thibault Boutherin expressou cautela em relação ao curto prazo, devido à falta de impulso nas prescrições nos Estados Unidos para esses medicamentos. As expectativas do Morgan Stanley agora indicam que as vendas do grupo Novo Nordisk devem crescer cerca de 5% em 2026, um valor inferior à previsão de consenso, que estimava um crescimento de 8,5%. Além disso, os analistas projetam um crescimento de 7% a 8% abaixo do consenso tanto para as vendas quanto para o EBIT do grupo em 2027, e alertam que não esperam um desempenho positivo das ações antes de possíveis revisões negativas nos lucros.

Projeções para o Próximo Ano

Para o ano seguinte, as projeções sugerem um crescimento de um dígito no ponto médio, com riscos de queda devido a um cronograma repleto de eventos catalisadores. Entre os principais acontecimentos que podem impactar o desempenho da empresa, destacam-se os resultados de testes do programa de Alzheimer com semaglutida. O Morgan Stanley estima que há uma probabilidade de 75% de fracasso nesse teste, o que eleva o nível de incerteza em relação aos resultados.

Além disso, está previsto um anúncio de preços do Medicare Parte D, que pode resultar em uma redução de até 50% nos preços líquidos do Ozempic nos Estados Unidos. Também está em pauta a realização de um teste comparativo entre o CagriSema, da Novo, e o Zepbound, da Eli Lilly (NYSE:LLY).

Concorrência Intensa

A concorrência no mercado de medicamentos para diabetes parece estar aumentando. A Eli Lilly, por meio do medicamento Mounjaro, continua a conquistar participação significativa, alcançando 56% do mercado de GLP-1 nos Estados Unidos. No segmento de obesidade, a tirzepatida da Lilly e a futura orforgliprona representam novos desafios para a Novo Nordisk. Além disso, a presença de GLP-1 compostos nos Estados Unidos e de genéricos em mercados como Canadá, China e Brasil pode comprometer a receita internacional da Novo.

Lançamentos e Desafios

O lançamento previsto do Wegovy oral pela Novo em 2026 possui potencial para gerar até US$ 1 bilhão em receita. No entanto, analistas apontam um "enigma de posicionamento", que envolve a proteção das vendas dos medicamentos injetáveis e o estabelecimento de preços competitivos em relação ao produto oral da Lilly.

Avaliação de Múltiplos

Com a nova meta estabelecida pelo Morgan Stanley, as ações da Novo seriam negociadas a aproximadamente 11 vezes os lucros projetados para 2028, o que as alinha mais com grandes concorrentes europeus, como Novartis e Sanofi, que também enfrentam dificuldades relacionadas a patentes. De acordo com os analistas, à medida que se aproxima a janela de expiração das patentes da semaglutida, espera-se uma compressão nos múltiplos de avaliação da empresa.

Considerações Finais

No cenário geral, o Morgan Stanley analisa a Novo Nordisk como uma empresa que apresenta desempenho relativamente abaixo das expectativas dentro de seu universo de cobertura. As estimativas de consenso para a empresa provavelmente serão revisadas para baixo no próximo ano, especialmente considerando que os efeitos da reestruturação ainda não foram totalmente incorporados ao mercado.

Fonte: br.-.com

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