Ações da Mills Registram Alta Após Anúncio de Venda do Controle
As ações da Mills (MILS3), uma companhia especializada na locação de equipamentos para construção civil e indústrias, apresentaram uma significativa valorização nesta segunda-feira, dia 25, após a divulgação de que os acionistas controladores da empresa firmaram um acordo para vender suas participações ao grupo francês Loxam.
Desempenho na Bolsa
Por volta das 11h18 (horário de Brasília), os papéis da Mills subiam 15,4% na bolsa de valores, sendo negociados a R$ 15,50. Nesse mesmo período, o Ibovespa, principal índice da B3, também avançava cerca de 0,3%.
Detalhes do Acordo
De acordo com um comunicado emitido anteriormente, a companhia francesa está adquirindo 50,3% da Mills, atualmente sob controle da família Nacht, do Southern Cross Group e da Sullair Argentina, pelo valor de R$ 16 por ação. Esse montante representa um prêmio de 22% em relação ao fechamento dos papéis na última sexta-feira, dia 22, e confere à empresa um equity value estimado em aproximadamente R$ 3,8 bilhões.
Com a aquisição do controle, o grupo francês estará obrigado a realizar uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) para os acionistas minoritários da Mills, nas mesmas condições propostas, conforme estipulado pela legislação e regulamentos do Novo Mercado da B3. A operação, no entanto, está sujeita a aprovações regulatórias, incluindo a autorização do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e outras condições habituais.
Expectativas de Mercado
Para o BTG Pactual, a Loxam está pagando um múltiplo de aproximadamente 5 vezes o EV/Ebitda previsto para 2026 da Mills, um nível considerado atrativo pela instituição. A corretora observou que a companhia brasileira, presente na B3 desde 2010, possui um histórico sólido e lucrativo de fusões e aquisições (M&A) e vinha reportando um crescimento significativo nos lucros de suas operações, mesmo enquanto seus papéis eram negociados a um valuation inferior em comparação a seus concorrentes.
Além disso, o banco avaliou que o preço proposto tende a sustentar uma resposta positiva do mercado, uma vez que está acima das médias de negociação recentes da empresa. O BTG também destacou que o valor da oferta, estipulado em R$ 16 por papel, será corrigido por 70% do CDI a partir do 31º dia após esta segunda-feira (25), até que a operação seja definitivamente finalizada.
Desempenho Financeiro da Mills
No primeiro trimestre de 2026 (1T26), a Mills reportou uma receita líquida de R$ 461,2 milhões, o que representa um crescimento de 11,8% em comparação aos R$ 412,4 milhões registrados no mesmo período de 2025. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado alcançou R$ 235,1 milhões, um aumento de 13,8% em relação ao ano anterior.
No que diz respeito ao lucro líquido, a pequena capitalização reportou uma elevação de aproximadamente 190% em um ano, passando de R$ 67,9 milhões no 1T25 para R$ 197 milhões no 1T26.
Estratégia de Expansão
Focada tradicionalmente na locação de plataformas elevatórias, equipamentos utilizados em trabalhos em altura em setores como construção e indústria, a Mills tem buscado expandir sua atuação. Segundo a CFO da empresa, “o mercado de plataformas elevatórias é pequeno e já temos uma participação relevante. Portanto, para continuarmos crescendo, isso se torna mais desafiador se dependermos apenas desse produto.”
Como parte desta estratégia, a companhia incorporou recentemente duas novas frentes de negócio em seu portfólio: a linha amarela e as empilhadeiras.
A linha amarela, que foi lançada pela Mills em 2022, abrange a locação de máquinas pesadas, como escavadeiras, pás carregadeiras e tratores, que atendem setores como infraestrutura, agro e mineração. Por outro lado, a operação de empilhadeiras, iniciada em meados de 2024, concentra-se na movimentação de cargas, com uma forte presença no segmento logístico.
De acordo com a CFO, o intuito é que essas duas unidades aumentem sua participação nos resultados trimestrais da companhia, ampliando o mercado endereçável e contribuindo para o crescimento da receita e do Ebitda, conforme observado no 1T26.
Fonte: www.moneytimes.com.br