Ações da Suzano em Queda Após Balanço do Primeiro Trimestre de 2026
As ações da Suzano (SUZB3) registraram uma queda nesta quinta-feira, dia 30, após a divulgação do balanço do primeiro trimestre de 2026 na véspera. Às 11h, os papéis apresentavam um recuo de 1,57%, sendo cotados a R$ 44,11, o que reflete a avaliação negativa do mercado em relação aos resultados financeiros apresentados pela empresa.
Resultados Financeiros do Trimestre
A companhia reportou um lucro líquido de R$ 4,3 bilhões no período, o que representa uma queda de 32% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O Ebitda ajustado, que é o Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, foi de R$ 4,6 bilhões, apresentando uma redução de 6% em relação ao ano passado e de 18% em relação ao trimestre anterior. A receita líquida da Suzano foi de R$ 10,9 bilhões, também com uma queda de 5% na comparação anual.
A análise inicial feita por bancos como BTG Pactual e Santander indicou que o trimestre foi impactado por diversos fatores operacionais e macroeconômicos, com ênfase na influência das flutuações cambiais. Apesar do aumento nos preços da celulose, que atingiram aproximadamente US$ 560 por tonelada, a valorização do real limitou os ganhos da empresa.
Os analistas do Santander afirmaram em um relatório que “a receita de celulose foi afetada pela combinação de volumes menores e apreciação do real, mesmo com os preços mais altos expressos em dólares.”
Volume de Embarques e Sazonalidade
Além das questões cambiais, o volume de vendas também teve um impacto considerável nos resultados. Os embarques de celulose sofreram uma queda de 17% em comparação ao trimestre anterior, totalizando 2,8 milhões de toneladas. Essa redução está relacionada à sazonalidade típica do início do ano e a paradas de manutenção, enquanto o volume de venda do papel diminuiu em 20% no mesmo período.
O BTG Pactual destacou que o desempenho fraco foi generalizado entre os diferentes segmentos. Em sua análise, a equipe liderada por Leonardo Correa afirmou que “a Suzano reportou um conjunto de resultados fraco, o que não deve contribuir para reverter a recente desconfiança dos investidores em relação às ações.”
No dossiê, o banco menciona que, embora os volumes de celulose tenham aumentado 7% em relação ao ano anterior, o Ebitda do segmento caiu 15% no trimestre, pressionado pelos efeitos cambiais e pelo aumento dos custos. Para o papel, o EBITDA foi de R$ 524 milhões, uma queda de 33% se comparado ao trimestre anterior, reflexo da menor demanda, especialmente no setor de embalagens nos Estados Unidos.
Custos em Ascensão e Impactos no Fluxo de Caixa
Outro fator de destaque foi o aumento dos custos operacionais. O custo caixa da celulose (excluindo as paradas para manutenção) foi de R$ 802 por tonelada, apresentando um aumento de 3% em comparação ao trimestre anterior, enquanto o indicador que inclui essas paradas alcançou R$ 882 por tonelada.
Os analistas do Santander observaram que “o aumento foi impulsionado por um maior consumo de insumos, custos com madeira e energia, além de uma menor diluição dos custos fixos.”
Além disso, o BTG Pactual ressaltou que os custos ultrapassaram as expectativas, afetando negativamente a rentabilidade no setor de celulose.
A pressão operacional se traduziu também em uma diminuição no fluxo de caixa da empresa. A Suzano registrou aproximadamente R$ 586 milhões em fluxo de caixa livre ajustado durante o trimestre, uma queda significativa em relação ao trimestre anterior, em virtude de um Ebitda menor, aumento das despesas financeiras e maior consumo de capital de giro.
Os analistas do Santander ressaltaram que “o fluxo de caixa foi severamente impactado por um menor Ebitda, elevação nos juros e um elevado consumo de capital de giro.”
Além disso, o investimento de capital (capex) subiu para cerca de R$ 3,2 bilhões no período, impulsionado por maiores investimentos em áreas florestais e aquisição de terras.
A alavancagem, por sua vez, encerrou o trimestre em 3,3 vezes dívida líquida em relação ao EBITDA em dólar, um leve aumento em comparação ao trimestre anterior. Para o mercado, esse patamar de alavancagem continua limitando o retorno aos acionistas no curto prazo e torna a perspectiva dependente de melhorias operacionais.
Perspectivas do Mercado e Recomendações
Apesar da análise negativa, a XP Investimentos apresenta uma perspectiva mais otimista em relação ao balanço. Em seu relatório, os analistas liderados por Lucas Lagh afirmaram que “a Suzano reportou resultados mais fracos do que o esperado, com um Ebitda de R$ 4,6 bilhões que ficou abaixo das estimativas.”
A equipe da XP compartilha da mesma opinião sobre os desafios enfrentados no trimestre, citando o desempenho aquém das expectativas, influenciado por volumes menores e condições cambiais desfavoráveis. Entretanto, a casa destaca que os custos se mostraram melhores do que o esperado e que os volumes tendem a apresentar melhora nos próximos trimestres.
“Apesar de enfrentarmos um cenário desfavorável no curto prazo, mantemos uma visão positiva em relação à tese, dada a geração de caixa atrativa,” afirmaram os analistas.
O consenso entre os analistas é um cenário de curto prazo desafiador, caracterizado por um câmbio desfavorável, aumento da pressão de custos e um fluxo de caixa mais frágil.
Enquanto o BTG Pactual acredita que não há catalisadores imediatos para a criação de valor, o Santander também prevê uma reação negativa do mercado seguindo o desempenho operacional e a fraqueza no fluxo de caixa.
Já a XP Investimentos confia na recuperação operacional e no valuation descontado como suporte para sua tese. O contexto ainda se apresenta desafiador, pois, mesmo com os preços elevados da celulose, o fortalecimento do real continua restringindo a captura desses ganhos, exercendo pressão sobre os resultados financeiros da empresa.
Contudo, as análises permanecem otimistas, com o BTG Pactual mantendo uma recomendação de compra para Suzano, com um preço-alvo estipulado em R$ 72,00. A XP Investimentos também recomenda a compra, colocando o preço-alvo em R$ 66,00, enquanto o Santander recomenda a compra com classificação de “outperform”, com um preço-alvo fixado em R$ 75,00.
Fonte: www.moneytimes.com.br

