Reclassificação da Cannabis nos EUA
A administração Trump anunciou, na quinta-feira, uma tentativa de reclassificar a cannabis sob a legislação federal, uma mudança que pode ampliar significativamente a pesquisa científica sobre os usos médicos da substância.
Mudanças na Classificação
A reclassificação não legaliza a cannabis em nível federal, mas propõe que a substância seja deslocada de sua atual classificação como um produto da Tabela I para a Tabela III no quadro de substâncias controladas da Administração de Repressão às Drogas dos Estados Unidos (DEA).
Em um comunicado, o Departamento de Justiça (DOJ) informou que, imediatamente, os produtos aprovados pela FDA que contêm maconha, assim como itens regulamentados por licenças de maconha médica emitidas pelos estados, serão alocados na Tabela III. Além disso, foi anunciado um julgamento acelerado em junho para considerar a reclassificação formal da cannabis de Tabela I em nível federal.
Declaração do Departamento de Justiça
O DOJ declarou: "Juntas, essas ações proporcionam clareza imediata e a longo prazo para pesquisadores, pacientes e fornecedores, mantendo, ao mesmo tempo, controles federais rigorosos contra o tráfico de drogas ilícitas."
Diferença entre Tabela I e Tabela III
Os produtos classificados como Tabela I, incluindo heroína e LSD, são considerados como não tendo uso médico aceito e um alto potencial de abuso. Contrariamente, substâncias da Tabela III, como o Tylenol com codeína e testosterona, são reconhecidas por suas aplicações médicas e estão sujeitas a menos restrições regulatórias.
Impacto sobre a Pesquisa
A reclassificação promete reduzir barreiras que, ao longo dos anos, dificultaram a pesquisa sobre a cannabis em ambientes clínicos. Um impacto financeiro relevante também é esperado. A nova classificação isentaria as empresas de cannabis da Seção 280E do Código da Receita Federal (IRS), permitindo que elas deduzam despesas padrões como aluguel e folha de pagamento pela primeira vez. Além disso, isso abre portas para o acesso a serviços bancários, que anteriormente era restrito.
Sinalização de Mudanças na Política de Maconha
Essa ação representa uma das mudanças federais mais significativas na política de maconha em décadas, indicando uma crescente disposição em Washington para reconsiderar como a substância é categorizada e estudada nos Estados Unidos.
Desafios Enfrentados pelos Cientistas
Os cientistas têm enfrentado processos rigorosos de aprovação, acesso limitado a suprimentos e pesadas exigências de conformidade quando tentavam estudar a cannabis para uso terapêutico, incluindo no tratamento de dor crônica, PTSD e distúrbios neurológicos. Essas barreiras federais ainda estavam em vigor, mesmo com aproximadamente metade dos estados legalizando a maconha para uso recreativo e um número ainda maior aprovando-a para uso médico.
Opinião do Setor
Wendy Bronfein, cofundadora e diretora de marca da Curio Wellness, uma empresa de cannabis baseada em Maryland, comentou: "Embora os operadores ainda enfrentem um sistema fragmentado de estado para estado, o fluxo de caixa melhorado com a reclassificação apoiaria reinvestimentos, fortaleceria a estabilidade e ajudaria a criar um impulso para padrões mais consistentes ao longo do tempo."
Processo de Reclassificação
A ação segue uma ordem executiva emitida no ano anterior, que direcionou agências federais a iniciar o processo de reclassificação, um processo que normalmente se desenrola ao longo de vários anos e envolve revisão científica, coordenação interagencial e procedimentos de elaboração de regras.
Perspectivas Futuras
Shawn Hauser, sócio do escritório de advocacia Vicente LLP, especializado em cannabis, afirmou: "Essa reclassificação não é a linha de chegada — é a etapa final de uma corrida que temos corrido por décadas." Em 2024, a administração Biden iniciou esse processo e colocou a reclassificação em consulta pública por um período de 60 dias. Após essa janela de comentários, audiências para revisar os possíveis obstáculos ficaram paradas devido à transição entre administrações.
Ação Recentes do Presidente
A reclassificação também ocorre poucos dias após o presidente Donald Trump assinar uma ordem executiva sobre psicodélicos com o objetivo de acelerar a pesquisa, ensaios clínicos e o acesso ao "Direito de Tentar" para drogas como psilocibina, MDMA e ibogaína.
Fonte: www.cnbc.com


