### A Airbus e as Entregas de Aeronaves
A Airbus anunciou, nesta quinta-feira, que espera entregar 870 aeronaves comerciais em 2026, um número ligeiramente inferior ao que era esperado por analistas, que projetavam cerca de 880 entregas. Esta expectativa surge em um momento em que a pressão está aumentando para o fabricante europeu, especialmente com sinais de recuperação da concorrente americana Boeing, que havia enfrentado uma crise por anos, beneficiando a Airbus, ao mesmo tempo em que surgem tensões com fornecedores-chave.
O CEO da Airbus, Guillaume Faury, destacou que “a demanda global por aeronaves comerciais fundamenta nosso aumento contínuo na produção, o qual estamos gerenciando enquanto enfrentamos significativas escassezes de motores da Pratt & Whitney”.
### Problemas com Fornecedores
A Airbus tem enfrentado atrasos em motores fornecidos pela Pratt & Whitney, uma subsidiária da RTX, que Faury classificou como “o tema mais importante que estamos lidando”. As ações da empresa caíram 5,4%, levando o valor a território negativo até agora em 2026.
Apesar do recuo nas ações, a analista do Barclays, Milene Kerner, apontou que uma maior clareza em relação às metas de entrega de 2026 e uma visão mais limpa sobre a produção da sua família de aeronaves A320 eliminaram um importante obstáculo. “O fracasso da Pratt & Whitney em se comprometer com a quantidade de motores pedidos pela Airbus está impactando negativamente a previsão deste ano e a trajetória de aumento”, afirmou a empresa em um comunicado. Como consequência, a expectativa é de que a taxa de produção de aeronaves de fuselagem estreita varie entre 70 e 75 unidades por mês até o final de 2027, estabilizando em 75 por mês a partir de então.
Kerner apontou que a situação não é surpreendente, considerando o progresso mais lento nas entregas observado durante 2025. Anteriormente, a Airbus havia definido uma meta de 75 aeronaves por mês em 2027. A RTX, empresa-mãe da Pratt & Whitney, não respondeu prontamente ao pedido de comentário da CNBC.
### Sentimento sobre a Airbus
O sentimento em torno da Airbus se tornou significativamente mais negativo desde o início do ano, conforme afirmou o analista da UBS, Ian Douglas-Pennant, antes da divulgação do relatório anual na manhã de quinta-feira. No ano passado, a Airbus entregou 793 aeronaves comerciais, superando levemente sua meta revisada de 790. A empresa havia reduzido sua meta anterior de 820, citando problemas de qualidade dos fornecedores relacionados aos painéis da fuselagem que impactaram as entregas da família A320.
### O Desempenho da Boeing
Os analistas do Barclays descreveram a interrupção sofrida pela Airbus como um “revés temporário na execução” e afirmaram que o “aumento a longo prazo permanece intacto”. A Airbus teve um bom desempenho nos últimos anos, especialmente enquanto a Boeing enfrentava uma crise relacionada a problemas de design e produção de seu avião de fuselagem estreita mais vendido, o 737 Max.
O ano passado se destacou pela forte demanda por todos os produtos da Airbus, que incluem também helicópteros e unidades de defesa e espaço, conforme mencionado por Faury nesta quinta-feira.
Entrega de aeronaves é uma métrica amplamente observada, uma vez que os fabricantes recebem a maior parte do pagamento quando a aeronave é entregue ao cliente. Em 2025, a Airbus entregou 193 aeronaves a mais que a Boeing, mas a Boeing registrou mais pedidos pela primeira vez desde 2018. Essa mudança, junto com os problemas recentes de qualidade da Airbus, levou alguns a acreditarem que a maré estava mudando a favor da Boeing sob a liderança do CEO Kelly Ortberg.
### Avanços na Produção da Boeing
Ortberg, que assumiu o cargo em 2024 para tirar a Boeing da crise, demonstrou otimismo quanto à capacidade de sua empresa para aumentar a produção em curto prazo, após relatar uma receita do quarto trimestre superior às expectativas de Wall Street no final de janeiro. Tanto a Airbus quanto a Boeing viram um aumento significativo em seus backlog de pedidos nos últimos anos, devido a problemas na cadeia de suprimentos decorrentes da pandemia de Covid-19.
No primeiro mês de 2026, a Boeing assegurou mais entregas e pedidos líquidos do que a Airbus. A Boeing entregou 46 aeronaves em janeiro e registrou 103 pedidos líquidos, enquanto a Airbus reportou apenas 19 entregas e 49 pedidos líquidos no mesmo período. O número de entregas da Airbus em janeiro foi especialmente fraco, mesmo levando em conta que seus números normalmente são mais baixos no início do ano.
No telefonema com analistas nesta quinta-feira, Faury destacou que as baixas entregas de janeiro e fevereiro foram principalmente motivadas pelos problemas com os painéis da fuselagem, e não por atrasos nos motores. “Embora as entregas de janeiro em qualquer ano não sejam historicamente um bom indicador dos índices de produção para o ano, vemos as 19 entregas em janeiro de 2026 como materialmente fracas em comparação com as 25 entregas em janeiro de 2025”, afirmou a UBS em uma nota aos clientes na semana passada.
Os analistas do Barclays também observaram que, devido aos níveis tipicamente baixos até o momento, não é possível deduzir muito dessa tendência, exceto que o perfil de entrega esperado para 2026 provavelmente será mais concentrado na segunda metade do ano.
### Resultados Financeiros da Airbus
A Airbus relatou, na manhã de quinta-feira, um lucro ajustado antes de juros e impostos (EBIT) de 2,98 bilhões de euros no quarto trimestre, superando as estimativas de 2,87 bilhões, conforme um consenso fornecido pela empresa, e representando um aumento de 17% em relação ao ano anterior. A receita cresceu 5% em relação ao ano anterior, totalizando 25,98 bilhões de euros no trimestre, ligeiramente abaixo dos 26,5 bilhões de euros esperados.
No total do ano, o EBIT totalizou 7,13 bilhões de euros, sobre uma receita de 73,4 bilhões de euros. Para o futuro, a Airbus projeta um EBIT ajustado de cerca de 7,5 bilhões de euros e um fluxo de caixa livre antes do financiamento ao cliente de aproximadamente 4,5 bilhões de euros em 2026, junto com uma meta de entrega de cerca de 870 aeronaves comerciais.
— CNBC’s Lee Ying Shan contribuiu para este relatório.
Fonte: www.cnbc.com