Allos (ALOS3) aposta em dividendos altos para aumentar a renda recorrente e intensificar a concorrência com FIIs: qual é a escolha ideal?

Allos (ALOS3) aposta em dividendos altos para aumentar a renda recorrente e intensificar a concorrência com FIIs: qual é a escolha ideal?

by Ricardo Almeida
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Allos (ALOS3): Estratégias de Dividendos e Concorrência no Setor

A promessa de distribuição de até R$ 1,8 bilhão em dividendos pela Allos (ALOS3) neste ano reacendeu uma discussão no mercado sobre como as ações de empresas no setor de shopping centers podem competir com os FIIs do mesmo segmento no que diz respeito à geração de renda.

Defesa da CFO e Expectativas de Remuneração

A CFO da companhia, Daniella Guanabara, argumenta que investidores podem encontrar na administradora uma combinação entre previsibilidade de proventos e potencial de valorização, características que os fundos imobiliários nem sempre oferecem. “Quem carrega a ação [ALOS3] tem a certeza do dividendo que já anunciamos para 2026 e tem também a possibilidade de ganho de capital”, afirmou a executiva em entrevista ao Money Times.

A empresa planeja pagar mensalmente entre R$ 0,28 e R$ 0,30 por ação até dezembro, com o objetivo de garantir uma remuneração elevada e recorrente nos próximos anos. “Pretendemos continuar com dividendos relevantes. É claro que é um guidance anual, porque no Brasil nunca se sabe como será a volatilidade. Mas é uma intenção da companhia seguir sendo uma pagadora relevante”, comentou a CFO.

Ações ou FIIs?

Como comparação, o fundo imobiliário Maxi Renda (MXRF11), o maior da bolsa de valores em número de cotistas, possui mais de 1,3 milhão de investidores e uma liquidez diária próxima de R$ 18 milhões.

“Quem carrega o papel da Allos tem um risco reduzido pelo dividendo que anunciamos para este ano. E, como o setor de shoppings tem se mostrado resiliente, temos publicado resultados bons e a ação tem respondido a isso”, continuou Daniella.

Desde o início de janeiro, a ação ALOS3 acumula uma alta de cerca de 11% na B3. Nos últimos 12 meses, o avanço se aproxima de 65%, com o preço saindo de R$ 19,26 para os atuais R$ 31,64.

Parcerias com FIIs como Estratégia Corporativa

“Já vendemos muitos ativos para os FIIs, principalmente shoppings menores que não são mais estratégicos para a Allos”, declarou. “Realizamos desinvestimentos desses empreendimentos, mas eles continuam apresentando bons resultados para os fundos”, acrescentou.

Entre as transações mais relevantes, a empresa vendeu, em 2023, participações no Shopping Estação Curitiba e no Plaza Sul Shopping ao XP Malls (XPML11), em uma operação avaliada em quase R$ 200 milhões.

No mesmo ano, foram vendidas frações do Shopping Jardim Sul e do Bauru Shopping, totalizando cerca de R$ 444 milhões, com o Hedge Brasil Shoppings (HGBS11) como comprador. Em 2024, o FII Genial Malls (MALL11) firmou um compromisso para adquirir 45% do Rio Anil Shopping, em uma operação estimada em R$ 172 milhões.

A Disputa pelo Espaço nas Carteiras dos Investidores

Até que ponto a liquidez das ações é uma vantagem frente aos FIIs? Segundo Felipe Sousa, analista de fundos alternativos do Andbank, a crescente previsibilidade dos dividendos corporativos tem aproximado as duas categorias de investimentos. “Embora sejam classes distintas e as ações sejam mais voláteis, acho que se tornaram pares mais comparáveis com os FIIs, assim como os ETFs que também pagam rendimentos”, disse.

Ele também afirmou que “as ações vêm, naturalmente, acompanhadas de maior volatilidade, o que pode assustar alguns investidores no início e exige um período de aprendizado. Para aqueles que não se sentem confortáveis, o mais adequado seria se manter exposto aos fundos imobiliários”.

Tributação e Vantagens Estruturais

Sousa concorda com a visão da CFO da Allos, destacando que para investimentos de menor volume financeiro, as empresas de shopping centers apresentam a vantagem de um possível ganho de capital isento de imposto de renda (IR), desde que as vendas no mês não ultrapassem R$ 20 mil.

Por outro lado, os FIIs, embora sejam tributados quando há lucro com a valorização das cotas, contam com uma vantagem relevante: a isenção sobre os dividendos distribuídos. “O benefício da isenção é importante e ajuda a classe de ativos como um todo, mas nenhum investimento deve se pautar apenas nas vantagens tributárias. Eles precisam ser eficientes em termos operacionais, estruturais e de governança”, afirmou o analista.

Daniella ressaltou que “uma diferença que temos é que a companhia de shopping administra o imóvel diretamente, enquanto os FIIs são proprietários que não administram”.

Ela conclui que “neste momento, as carteiras voltadas para ganho de capital deveriam ter maior exposição às ações, mas o investidor deve estar ciente de que isso implica uma maior volatilidade”.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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