A alta do petróleo e seu impacto no setor de transporte
A recente elevação no preço do petróleo pode trazer efeitos benéficos não apenas para as empresas do setor petrolífero, mas também para companhias envolvidas no transporte rodoviário, como é o caso da Marcopolo (POMO4). A avaliação é feita pelo banco Safra, que acredita que, com a possibilidade de continuarem sob pressão as tarifas aéreas, as empresas rodoviárias poderão ganhar competitividade.
Os analistas ressaltam que os preços da commodity estão novamente em destaque, reabrindo o debate sobre como a alta do Brent pode impactar a demanda por ônibus em comparação ao transporte aéreo.
Diante desse cenário, a Marcopolo tem potencial para se beneficiar no segmento de transporte interestadual. Entretanto, o efeito imediato dessa alta nos preços do petróleo se mostra, até o momento, neutro. Mesmo assim, o Safra elevou o preço-alvo das ações da empresa para R$ 9,10 nos próximos 12 meses, mantendo a recomendação de compra.
Este preço alvo indica um potencial de valorização de 30% para as ações POMO4.
A relação entre petróleo, avião e ônibus
No atual cenário, o petróleo tipo Brent vivencia um momento significativo de alta em função do conflito entre Estados Unidos e Irã, além dos desdobramentos relacionados ao Estreito de Ormuz. Esta elevação na commodity influencia de maneiras diferentes o segmento aéreo e o setor de ônibus.
De acordo com o banco Safra, a razão para essa diferença reside no fato de que o querosene de aviação está mais alinhado aos preços internacionais do petróleo, enquanto o diesel tem recebido, nos últimos meses, maior suporte governamental no Brasil.
Desde o início do conflito, o querosene de aviação acumula um aumento de 53%, enquanto o preço do diesel cresceu 24%. Essa disparidade, na visão do Safra, afeta a estrutura de custos das empresas de transporte e intensifica a pressão sobre as companhias aéreas.
Com base em dados das empresas aéreas Azul, Gol e Latam, observa-se que o combustível representa aproximadamente 33% das despesas operacionais dessas companhias. No transporte rodoviário, por sua vez, essa porcentagem varia entre 25% e 33%.
Em termos práticos, isso implica que, para manter suas margens de lucro, as companhias aéreas teriam que aumentar suas tarifas em cerca de 17%. No caso das operadoras de ônibus, o ajuste necessário seria em torno de 8%. Em outras palavras, o impacto da alta dos preços do petróleo é mais significativo sobre o transporte aéreo, conforme afirmam os analistas do banco.
Desde o início de 2023, o Safra tem observado que a subida nas tarifas aéreas tende a favorecer um aumento na participação do transporte rodoviário interestadual.
Para a Marcopolo, este contexto pode apoiar a demanda por veículos voltados ao transporte rodoviário interestadual. Além disso, a empresa costuma ter uma reposição de frota com padrões mais previsíveis.
Por outro lado, a situação no transporte urbano continua a ser mais desafiadora. As operadoras estão inseridas em um sistema de concessões municipais e dependem de reajustes tarifários, os quais frequentemente enfrentam resistência política.
A situação tem gerado incertezas em relação ao fluxo de caixa e à rentabilidade das operadoras. Em diversos casos, os subsídios públicos disponíveis apenas cobrem parcialmente a pressão dos custos. Esse ambiente adverso tende a postergar decisões relacionadas à renovação de frotas, resultando em uma diminuição da demanda por novos ônibus urbanos, conforme observa o banco.
Potencial de crescimento para a Marcopolo
Considerando os efeitos do cenário atual, o Safra avalia que o impacto para a POMO4 é neutro.
Por um lado, os analistas identificam a possibilidade de que a companhia se beneficie do eventual deslocamento de passageiros do transporte aéreo para ônibus interestaduais. Contudo, o segmento urbano enfrenta dificuldades devido a fatores regulatórios e políticos que o pressionam.
Dessa forma, o potencial de crescimento em uma área é contrabalançado pelas limitações em outra. Essa análise ajuda a entender porque a avaliação operacional da empresa não sofreu mudanças significativas, mesmo com a alta no preço de energia.
Os analistas destacam que, atualmente, a Marcopolo apresenta um múltiplo de 6,9 vezes o preço sobre lucro, o que está cerca de 2% abaixo da média histórica da companhia.
Ainda que a diferença seja pequena, este aspecto reforça a perspectiva positiva do Safra para as ações da empresa. Simultaneamente, o banco continua a monitorar variáveis que possam impactar a demanda e a rentabilidade da companhia nos próximos trimestres.
Fonte: www.moneytimes.com.br

