Alta dos fertilizantes prejudica safra de trigo na Argentina antes do plantio

Aumento dos preços da ureia na Argentina

A guerra no Irã resultou em um aumento significativo nos preços da ureia, um fertilizante essencial para assegurar uma colheita de trigo bem-sucedida na Argentina. Esta elevação de preços está criando dificuldades para os agricultores, que se encontram em uma situação complicada a poucas semanas do início da safra, programada para o próximo mês.

Com uma alta de quase 100% no preço da ureia, que fornece nitrogênio para as plantas, muitos produtores locais estão sendo forçados a reconsiderar suas estratégias. Alguns estão avaliando se devem reduzir a quantidade de fertilizante que aplicam ou até mesmo desistir do plantio de trigo neste ciclo.

Roman Gutierrez, um produtor agrícola da cidade de Pergamino, na província de Buenos Aires, revelou à Reuters sua preocupação. “Fizemos as contas outro dia e nossa ideia se resume a duas opções: ou não plantamos trigo e substituímos por algo que será útil para o gado, como cevada ou aveia, ou mantemos o trigo, mas aplicando uma quantidade bem reduzida de fertilizante, sem considerar uma produção de alta produtividade”, explicou Gutierrez.

Atualmente, o preço da ureia atingiu US$ 1.000 por tonelada, um aumento considerável em relação aos US$ 500 registrados pouco mais de um mês atrás. Gustavo Churín, analista que monitora o mercado de fertilizantes, atribuiu essa elevação à redução do fornecimento global de ureia proveniente dos países do Golfo Pérsico, consequência da guerra e suas repercussões no comércio que utiliza o Estreito de Ormuz.

Na última safra de trigo, a Argentina colheu um recorde de 29,5 milhões de toneladas do cereal, de acordo com dados da Bolsa de Grãos de Rosário, que é onde se localiza o principal mercado de grãos do país. No entanto, a bolsa ainda não divulgou estimativas sobre a próxima safras de trigo.

Vale destacar que a Argentina se posiciona como o principal fornecedor de trigo ao Brasil.

O papel crucial da ureia

A Argentina consome cerca de 2,5 milhões de toneladas de ureia por ano, que, além de ser fundamental para o cultivo de trigo, também é utilizada na produção de milho e desempenha um papel importante no desenvolvimento das plantas como um todo.

Segundo Cristian Russo, chefe de estimativas agrícolas da Bolsa de Grãos de Rosário, a ureia é “a chave mestra que permite aspirar a outros níveis de rendimento”. No entanto, em Venado Tuerto, uma cidade localizada nas férteis planícies da província de Santa Fé, os agricultores tiveram que fazer cortes significativos na compra deste fertilizante.

A fazendeira Noelia Castagnani comentou que, na atual conjuntura, os produtores não estão adquirindo ureia e estão pensando em alternar seu foco do trigo para aumentar a área dedicada ao cultivo de milho ou soja, a serem plantadas no final do ano. “Não há muitas consultas sobre fertilizantes”, afirmou Castagnani, ressaltando que “a margem de lucro é muito limitada”.

Churín observou que mesmo com o término das hostilidades no Oriente Médio, os preços da ureia não retornariam imediatamente aos níveis registrados antes do conflito. No entanto, essa mudança poderia oferecer um alívio gradual para os agricultores ao longo do tempo.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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