Analistas analisam os efeitos dos vazamentos de água em Minas Gerais; como proceder com as ações?

Analistas analisam os efeitos dos vazamentos de água em Minas Gerais; como proceder com as ações?

by Ricardo Almeida
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Extravasamento de água em Minas Gerais

Desde domingo (25), a Vale (VALE3) tem estado em evidência devido a extravasamentos de água na região de Minas Gerais. A prefeitura de Congonhas (MG) determinou a suspensão dos alvarás de funcionamento das operações das unidades de Fábrica e Viga em decorrência de novos episódios relacionados à gestão hídrica na localidade. A administração municipal também exigiu a implementação de medidas emergenciais para controle, monitoramento e mitigação ambiental.

Ocorrência dos episódios

Os incidentes aconteceram durante um período de chuvas intensas na região central de Minas Gerais. No domingo, um extravasamento foi registrado na mina de Fábrica, situada na divisa entre Ouro Preto (MG) e Congonhas (MG), resultando em água com sedimentos que avançou sobre a Unidade Pires, da CSN Mineração.

A Vale informou que o vazamento foi contido sem registro de feridos ou impacto direto nas comunidades locais. A mineradora esclareceu que o evento foi ocasionado por cavas e não por barragens, e que o material envolvido era areia, o que indica que não é tóxico.

Produção e impacto da suspensão

De acordo com o Citi, as unidades de Fábrica e Viga têm uma produção conjunta de cerca de 8 milhões de toneladas por ano (Mtpa) de minério de ferro, aproximadamente 4 Mtpa cada. Essa quantidade representa cerca de 3% da produção total da Vale e cerca de 0,5% do mercado marítimo global.

A duração da suspensão das operações ainda é incerta. A interrupção durante todo o primeiro trimestre poderia resultar em uma perda de cerca de 1,5 milhão de toneladas de produção, conforme estimativas do Citi, levando em consideração a sazonalidade.

Desempenho das ações da Vale

A Vale mantém suas projeções para o ano de 2026 inalteradas. Embora as ações tenham recuado 2,5% na segunda-feira (26) em meio a preocupações sobre segurança, nesta terça-feira (27), os papéis VALE3 estavam em alta. Por volta das 11h45 (horário de Brasília), as ações da mineradora registravam uma valorização de 1,72%, cotadas a R$ 84,50.

Reações de analistas

Os analistas do Citi destacam que a mineradora pode enfrentar custos relacionados à limpeza e possíveis penalidades, embora estas sejam consideradas de pouca relevância. Eles também mencionam que não é surpreendente que as autoridades tenham tomado ações cautelosas, dada a história da Vale na região. “Os incidentes são lamentáveis; é crucial para a operação da Vale controlar o fluxo de água durante a estação chuvosa no Brasil”, comentam os analistas do banco.

É importante mencionar que os extravasamentos ocorreram no mesmo fim de semana em que Minas Gerais commemorou os sete anos do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, que resultou na morte de 270 pessoas.

Para os analistas do Citi, investidores e gestão devem questionar o que ocorreu e quais medidas serão implementadas para evitar recorrências. Apesar disso, eles não consideram o incidente como prejudicial em nível significativo para as ações da Vale.

Por outro lado, o Itaú BBA avalia que o fluxo de notícias negativas e o aumento da fiscalização em relação à gestão hídrica podem ser um desafio para o desempenho das ações nos próximos dias. “Reconhecemos que esses eventos podem impactar o desempenho das ações da Vale no curto prazo, principalmente devido ao escrutínio regulatório e ao risco de manchetes negativas, e não a uma reavaliação do risco operacional estrutural”, afirmam os analistas.

Tanto o Citi quanto o BBA mantêm recomendação de compra para a Vale, sem alterações nas indicações emitidas anteriormente.

Avaliação do impacto financeiro

Segundo o Itaú BBA, é prematuro quantificar o impacto financeiro, principalmente devido à incerteza quanto à rapidez com que a Vale poderá atender às exigências municipais e retomar suas operações.

Os analistas ressaltam que a natureza do incidente é bastante distinta dos rompimentos anteriores de barragens de rejeitos. Neste caso, não houve colapso de barragem, vazamento de rejeitos ou registros de feridos, conforme caracterização feita pela Agência Nacional de Mineração.

Por conta disso, os analistas acreditam que o perfil de responsabilidade potencial seja significativamente menor do que o verificado em Mariana e Brumadinho. Qualquer impacto imediato deverá se concentrar mais na limpeza, monitoramento, avaliações técnicas e custos incrementais relacionados à conformidade, em vez de grandes indenizações.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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