Eu costumava duvidar constantemente das minhas decisões e me preocupar com cenários pessimistas. Isso atrasava meu trabalho, drenava minha energia e tornava mais difícil aproveitar a vida.
Há mais de 20 anos, atuo como neurocientista e aprendi que não é necessário otimizar cada minuto do seu dia para fortalecer o cérebro.
Até mesmo as menores mudanças na abordagem podem levar a alterações positivas que ajudam a melhorar o foco, a sensação de calma e a resistência ao burnout.
A seguir, compartilho como mantenho meu cérebro forte e saudável.
1. Não ignoro minha ansiedade
Pessoas com alto desempenho muitas vezes veem a ansiedade como um defeito. Para mim, ela é como um detector de fumaça: sinais do sistema límbico, que é o centro emocional do cérebro, apontando para o que realmente importa.
Seja uma emergência ou apenas uma torrada queimada, não gostaria de desativar o alarme. No passado, ignorar minha ansiedade tornava mais difícil saber quando agir e quando manter a calma.
Atualmente, ao sentir ansiedade, faço uma pausa e me pergunto o que isso está me dizendo sobre a importância deste momento. Uma vez que consigo nomeá-la, posso abordá-la, em vez de ficar divagando ou paralisado.
2. Não confio na autocrítica para me motivar
Quando estamos sob pressão, o córtex pré-frontal — o “CEO” do cérebro — é inundado com dopamina e norepinefrina.
Essas substâncias químicas aumentam o foco e a motivação a curto prazo, mas também esgotam os neurotransmissores relacionados à alegria e satisfação, como serotonina, ocitocina e endorfinas.
Esse não é um tipo sustentável de motivação. Isso apenas resultará em esgotamento e infelicidade.
Quando começo a me criticar, faço uma mudança simples. Em vez de ficar pensando nos resultados que não quero, foco nos resultados que quero. Isso ajuda a clarear minha mente e torna mais emocionante a busca pelo objetivo que estou perseguindo.
3. Não acompanho a qualidade do meu sono
Não monitoro meu sono REM ou batimentos cardíacos com um Apple Watch ou um Oura Ring. Navegar por muitos dados sobre aspectos que não consigo controlar diretamente apenas me deixa mais estressado.
Se acordo cansado, lembro que o dia pode ser difícil, mas ficará tudo bem. Em vez de tentar compensar isso com mais cafeína ou dormindo até mais tarde no dia seguinte, mantenho minha rotina.
O que realmente ajuda é gerenciar os hábitos que favorecem um bom sono: a exposição à luz solar pela manhã, um horário de dormir consistente para apoiar a liberação de melatonina, exercícios regulares e uma rotina noturna calma para diminuir os níveis de cortisol.
4. Não faço multitarefas quando preciso pensar profundamente ou ter um bom julgamento
Mudar de tarefa em tarefa pode, às vezes, criar a sensação de produtividade, já que você recebe um pequeno impulso de dopamina cada vez que se concentra em algo novo. Contudo, esse aumento de produtividade é apenas uma ilusão.
A troca de tarefas sobrecarrega, na verdade, o córtex pré-frontal, a parte do cérebro responsável pela tomada de decisões e resolução de problemas. Essa pressão pode resultar em erros e exaustão mental.
Quando realmente preciso me concentrar e realizar tarefas, divido o trabalho em pequenas janelas de tempo, para que eu possa focar plenamente em uma única atividade de cada vez.
5. Não desvalorizo minhas emoções sempre ‘olhando pelo lado positivo’
Pensamento positivo é uma ferramenta poderosa. No entanto, às vezes pode fazer você se sentir ainda pior.
Muitos indivíduos de alto desempenho caem nessa armadilha. Eles tentam forçar um bom resultado evitando qualquer sentimento negativo e acabam se colocando em seu próprio caminho.
Uma abordagem mais útil é reconhecer e rotular suas emoções.
Pode parecer bobo, mas alivia a carga sobre a amígdala, permitindo que o cérebro libere a tensão e se concentre de maneira intencional, em vez de suprimir os sentimentos.
6. Não confundo minha produtividade com meu valor pessoal
Por um longo período, concentrei-me exclusivamente na minha ambição para evitar sentir que era um fracasso.
Do ponto de vista neurocientífico, essa abordagem elevou meus hormônios de estresse. Eu experimentava um breve aumento de dopamina e motivação, mas, a longo prazo, resultava em esgotamento.
Agora, sempre que começo a entrar em um ciclo negativo, respiro fundo e me lembro de que estou dando o meu melhor.
Reconhecendo meu valor além da minha produção, consigo reprogramar meu cérebro e desbloquear uma sensação maior de alegria e satisfação.
Alex Korb, PhD, é neurocientista, professor na UCLA e coach de mentalidade. Ele é autor de “The Upward Spiral.”
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Fonte: www.cnbc.com