As ações da Oracle despencam após resultados, mas há um lado positivo para nossas ações de chips de IA e energia.

Resultados da Oracle e Demanda por AI

Na quinta-feira, os acionistas da Oracle enfrentaram uma queda nas ações, uma vez que o plano da empresa para arrecadar mais recursos a fim de financiar sua expansão em inteligência artificial (IA) ofuscou os resultados trimestrais que superaram as expectativas. Entretanto, sob a perspectiva de investidores em fabricantes de chips e outros players envolvidos em IA, a Oracle apresentou diversos aspectos positivos sobre a demanda por computação em IA.

Desempenho Financeiro e Obrigações de Desempenho

A Oracle superou as expectativas tanto em suas receitas quanto em seus lucros para o trimestre encerrado em maio. Sua medida de obrigações de desempenho remanescente (RPO) — que representa a receita contratada ainda não reconhecida — cresceu impressionantes 363% em relação ao ano anterior, totalizando US$ 638 bilhões. Esse indicador é crucial para empresas que vendem contratos de longo prazo, pois ajuda investidores a entender melhor o perfil de demanda não apenas no trimestre atual, mas também para períodos futuros. A maior parte do crescimento na RPO foi atribuída a contratos significativos relacionados à inteligência artificial.

Parceria com a OpenAI e Expansão da Infraestrutura

A Oracle possui uma parceria de cinco anos com a OpenAI, avaliada em US$ 300 bilhões, voltada para a capacidade de computação. Além de a RPO indicar uma clara elevação na demanda por infraestrutura de IA e serviços em nuvem, o co-CEO Clay Magouyrk afirmou: "A infraestrutura de IA faz o mercado atual de infraestrutura em nuvem parecer pequeno. Tudo que vemos mostra que esse mercado movimenta trilhões de dólares por ano."

Magouyrk mencionou que a Oracle forneceu mais de 1,2 gigawatts de computação aos seus clientes ao longo de todo o ano fiscal de 2026, que se encerrou em maio. Ele acrescentou que o "ritmo de entrega continua a acelerar, com nossa entrega do primeiro trimestre do FY 2027 se aproximando de 1 gigawatt, quase a mesma capacidade que entregamos nos quatro trimestres anteriores combinados."

Análise do Mercado de Chips

Embora a equipe de gerenciamento não possua ações da Oracle, eles realizam uma análise minuciosa das chamadas dos concorrentes, buscando compreender melhor as dinâmicas de oferta e demanda no setor. Os comentários da Oracle são promissores para os fabricantes de chips — que incluem Nvidia, Broadcom, Intel e Arm Holdings, além do fornecedor de materiais semicondutores Qnity e o gigante óptico Corning. A Oracle é um grande comprador de unidades de processamento gráfico (GPUs) da Nvidia, especificamente.

Essas informações também sinalizam um bom futuro para investimentos em empresas do setor de energia, como a GE Vernova, fabricante de turbinas a gás, e a fornecedora de equipamentos elétricos Eaton. Isso demonstra que a demanda por computação e a eletricidade necessária para sustentá-la é, pelo menos por enquanto, insaciável.

Perspectivas de Obsolescência e Utilização

A questão da obsolescência, uma preocupação frequente que tem sido levantada em relação à Nvidia e seus clientes, parece estar mais favorável para os otimistas. Embora os chips de gerações anteriores não sejam ideais para as cargas de trabalho mais atuais ou para operar os modelos de IA da vanguarda, eles ainda são adequados para muitas aplicações rotineiras que as empresas precisam executar — algo que a Oracle comprovou. Magouyrk mencionou na conferência que "no quarto trimestre, 35.000 GPUs de 59 clientes diferentes estavam programadas para renovação." Destes, 49% dos clientes renovaram para 92% dessas GPUs. Entretanto, isso não significa que os 8% das GPUs não estejam sendo utilizadas. A maioria delas foi vendida a outros clientes no mesmo trimestre. "Nossa taxa de utilização global de GPUs é de 97,5%. A perspectiva de que esses chips ainda apresentam demanda anos após seu lançamento inicial é encorajadora", concluiu.

Investimentos e Retornos Futuros

No entanto, essa situação não alivia as preocupações sobre o retorno sobre o nível atual de despesas de capital necessário para atender à demanda. Essa questão ainda pesa sobre a Oracle e sobre hiperescaladores como Microsoft, Alphabet, Amazon e, especialmente, Meta Platforms. Considerando que os reais retornos não virão até muito depois que o dinheiro for gasto, é improvável que essa questão seja resolvida em breve. Algumas indicações de retornos encorajadores foram observadas, tanto em termos de crescimento de receita quanto em oportunidades de aumentar a eficiência operacional, mas não a um nível que justifique o investimento até o momento.

Adicionalmente, um relatório do Wall Street Journal indicou que a OpenAI está considerando reduzir os preços cobrados dos clientes, como uma estratégia para capturar participação de mercado em relação ao rival Anthropic. A OpenAI, que já atua com prejuízo, é uma fonte significativa de receita para a Oracle e muitos outros no espaço de infraestrutura de IA. A demanda é um bom indicativo, mas apenas se a receita associada a esse crescimento maciço da RPO realmente se concretizar, o que dependerá da solvência daqueles que adquirem a computação da Oracle e de seus pares em computação em nuvem.

Pressão sobre as Ações e Planos de Captação

Essas preocupações podem estar pressionando as ações da Alphabet, Microsoft e Amazon na quinta-feira, pois essas empresas são as que fazem as maiores apostas de que a expansão realmente proporcionará fortes retornos no futuro. É importante relembrar que os investimentos não apenas custam dinheiro agora; cada ativo adicionado ao balanço também traz custos futuros de depreciação, que impactarão os lucros se não forem devidamente monetizados. O fato de esses custos de depreciação estarem sendo contabilizados antes das receitas é o que torna o investimento tão arriscado, talvez até mais do que a queima de caixa.

Em relação aos planos de arrecadação da Oracle, a empresa pretende levantar mais capital — aparentemente um pouco mais do que o já divulgado, o que acrescenta pressão sobre as ações na sessão de quinta-feira. O CFO Hilary Maxson anunciou: "Para apoiar nosso programa de investimentos em capital, esperamos levantar cerca de US$ 40 bilhões em dívida e ações em nosso ano fiscal de 2027, incluindo nossa já anunciada emissão de ações de US$ 20 bilhões no mercado." Ele acrescentou que "não prevemos levantar financiamento adicional em dívida no ano civil de 2026."

Evolução nas Vendas de Software e Modelos de Negócio

Além de sua atuação em computação em nuvem, a Oracle continua a ter uma massiva divisão de software corporativo. Os executivos falaram sobre a crescente necessidade de transição de um modelo de vendas baseado em licenças para um modelo baseado em resultados. Essa mudança é uma tendência que todas as empresas de software como serviço estão buscando, uma vez que a adoção da IA permite que mais atividades sejam realizadas com menos funcionários. Nesta temporada de resultados, tanto a Microsoft quanto a Salesforce, outro nome em destaque, mencionaram essa evolução no modelo de negócios.

Os acionistas da Oracle claramente esperavam mais do relatório de resultados apresentado na noite de quarta-feira. Contudo, ao reconhecer que a empresa não seria capaz de resolver sozinha essas questões em nível industrial, a Oracle ofereceu um lembrete importante de que a demanda pela computação em IA é real e está mais viva do que nunca. Com a demanda por IA vem a necessidade de mais chips e equipamentos de rede, bem como a infraestrutura que os sustenta. Embora a negociação em IA tenha enfrentado um período turbulento recentemente, a Oracle indica que a narrativa subjacente de demanda robusta por computação em IA continua muito ativa.

Fonte: www.cnbc.com

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