As irmãs que comandam a sucessão familiar na 'Terra da Cachaça', referências em agricultura regenerativa e sustentável.

As irmãs que comandam a sucessão familiar na ‘Terra da Cachaça’, referências em agricultura regenerativa e sustentável.

by Ricardo Almeida
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Sucessão Familiar na Agricultura

Na cidade de Pirassununga, localizada a mais de 200 quilômetros de São Paulo, as irmãs Aline e Nathalia Vick estão à frente do processo de sucessão familiar da Fazenda Estância desde o ano de 2018. A propriedade foi inaugurada por seu pai, José Vick.

Manejo Regenerativo

Desde que assumiram a gestão dos 1.100 hectares da fazenda, as irmãs têm investido em técnicas de manejo regenerativo. A Fazenda Estância é reconhecida como o berço da “Caninha 51” e os cultivos da propriedade incluem soja, milho, sorgo, mandioca e cana-de-açúcar.

A agricultura regenerativa tem como objetivo restaurar e melhorar a saúde do solo, além de regenerar áreas degradadas. Essa abordagem visa preservar a biodiversidade e manter o equilíbrio dos ecossistemas. Dentro dessa prática, quatro pilares são considerados essenciais: cobertura do solo, rotação de culturas, plantio direto e uso racional de insumos. Esses princípios têm mostrado resultados positivos na redução das emissões de gases de efeito estufa pela propriedade.

Resultados na Emissão de Carbono

Na safra 2024/2025, as irmãs registraram uma pegada de carbono para a soja que, em média, atingiu 616,4 kg CO2 eq./t. Esse número representa uma diminuição de 60% em comparação com a média nacional.

Para o milho da segunda safra, a média de pegada de carbono foi de 751,71 kg CO2 eq./t, o que representa uma redução de 46% em relação à média nacional. Esses cálculos foram realizados com a utilização da ferramenta Footprint PRO Carbono, desenvolvida pela Bayer em colaboração com a Embrapa.

Gestão e Desafios da Fazenda Estância

A adoção da agricultura regenerativa tornou-se a missão principal da Fazenda Estância. Essa decisão acarretou também escolhas desafiadoras. Anualmente, 20% da área total da propriedade é deixada em repouso durante a safrinha, com o objetivo de permitir a recuperação do solo. Durante a safra de verão, 100% da área é dedicada ao cultivo da soja.

Aline comenta sobre as dificuldades envolvidas nessa escolha: “É uma decisão dura, mas é exatamente por isso que queremos que o solo continue a gerar produção nos próximos 10, 20, 30 e até 50 anos. É um desafio, pois deixamos de ganhar na segunda safra do milho, especialmente na região onde a cultura da safrinha é predominante. Foi necessário convencer até mesmo nosso pai, que atua como conselheiro, já que havíamos recentemente construído um armazém para estocar milho em alta.”

As irmãs destacam que as mudanças climáticas influenciaram essa decisão, uma vez que a janela ideal para o plantio se encurtou, aumentando tanto o risco quanto os custos associados ao cultivo.

Produtividade e Carbono

As irmãs têm observado uma correlação entre produtividade e o nível de carbono no solo, que sugere que quanto mais carbono, maior a tendência de produção. O objetivo delas é aumentar a uniformidade da produtividade nas áreas da propriedade, convertendo todas elas em zonas de alta produção.

O maior investimento feito por elas se destina às plantas de cobertura, o que se tornou um gasto significativo. "Quando começamos a trabalhar com essas plantas, o custo era de R$ 4/kg e agora subiu para R$ 18/kg. O chamado à ação por parte do governo para subsidiar essas plantas de cobertura seria de grande valia para os produtores”, complementa Aline.

Formação e Colaboração

Aline tem formação em economia, enquanto Nathalia possui graduações em administração e gestão de agronegócios. As irmãs enfatizam que essas habilidades se complementam, beneficiando a administração da propriedade.

“Eu (Nathalia) trabalhava diretamente com o meu pai e era um pouco mais complicado tomar algumas decisões. A chegada da Aline trouxe uma nova força e uma visão inovadora para a Fazenda Estância, o que foi fundamental para a implementação da agricultura regenerativa. Desde que Aline chegou, as decisões são tomadas em conjunto”, compartilhou Nathalia em entrevista ao Money Times.

A média histórica de produção da fazenda para soja é de 72 sacas por hectare. Para o ciclo 2025/2026, elas esperam superar esse número.

Programa Bayer ForwardFarming

A Fazenda Estância participa do programa Bayer ForwardFarming, uma iniciativa que busca promover a agricultura regenerativa na prática em uma fazenda operacional, tornando-a uma referência na temática. Atualmente, o programa conta com 21 fazendas localizadas em 13 países diferentes.

O jornalista esteve na Fazenda Estância, a convite da Bayer.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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