Ataque do Irã a Fundações de Alumínio Provoca Crise no Suprimento dos EUA

Ataque do Irã a Fundações de Alumínio Provoca Crise no Suprimento dos EUA

by Fernanda Lima
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Ataques às Fundições de Alumínio do Oriente Médio

Com o recente ataque às duas maiores fundições de alumínio do Oriente Médio durante o fim de semana, o Irã impactou fornecedores importantes dos Estados Unidos que produzem um metal estratégico. Essa situação é preocupante, pois a maior economia do mundo não possui capacidade interna suficiente para atender a demanda desse recurso essencial, conforme relatado por analistas especializados.

Impacto nos Transportes e na Produção

Antes do ataque, os problemas decorrentes da guerra com o Irã estavam principalmente relacionados à dificuldade de transporte de alumínio e matérias-primas pelo Estreito de Ormuz, que havia sido praticamente fechado por Teerã.

No dia 28 de outubro, a Emirates Global Aluminium (EGA) anunciou que sua unidade de Al Taweelah, localizada em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, que possui uma capacidade de produção de aproximadamente 1,5 milhão de toneladas métricas por ano, sofreu danos significativos em função dos ataques do Irã.

Além disso, a Aluminium Bahrain também foi atacada no mesmo dia, com sua fábrica apresentando uma capacidade de produção de 1,6 milhão de toneladas anuais.

Repercussões no Setor

Desde os ataques, nenhuma atualização foi fornecida pelas empresas sobre suas operações. Contudo, as preocupações mudaram rapidamente, passando de interrupções temporárias no transporte marítimo a um potencial impacto grave na produção da região do Golfo.

De acordo com Paul Adkins, chefe da consultoria de alumínio da AZ Global, "isso muda a natureza do risco" enfrentado por esses fornecedores.

Os preços do alumínio na Bolsa de Metais de Londres (LME) reagiram de forma significativa nesta segunda-feira, com um aumento de 6%, atingindo US$ 3.492 por tonelada, próximo da máxima registrada nos últimos quatro anos. Tom Price, analista da Panmure Liberum, comentou sobre a gravidade do mercado, afirmando que, quando 3 milhões de toneladas de capacidade são subitamente retiradas, essa cifra não pode ser rapidamente substituída.

Dependência dos Estados Unidos

A produção de alumínio nos Estados Unidos é bastante baixa em relação à do Oriente Médio. O alumínio é amplamente utilizado em diversas aplicações, como na indústria automotiva e na fabricação de embalagens, e está listado entre os 60 minerais que o governo dos Estados Unidos considera críticos.

Conforme dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos, o país possui uma dependência líquida de 60% de importações de alumínio. Em 2025, a produção nacional foi de apenas 660 mil toneladas de alumínio primário, cifra que representa menos da metade da produção da Aluminium Bahrain (Alba).

No ano passado, dos 3,4 milhões de toneladas de alumínio primário e ligado importadas pelos Estados Unidos, quase 22% vieram do Oriente Médio, de acordo com informações do provedor Trade Data Monitor. Os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein, representados pela EGA e pela Alba, são responsáveis por mais de dois terços da produção de alumínio da região do Golfo, e ocupam a segunda e a quarta posição como fornecedores para os Estados Unidos, respectivamente.

Justificativas do Irã

O Irã justificou os ataques afirmando que tanto a EGA quanto a Alba tinham ligações com as indústrias militares dos Estados Unidos. Este evento ocorreu em meio a uma série de atentados israelenses que afetaram siderúrgicas iranianas.

No entanto, há ceticismo entre analistas a respeito dessa justificativa. Uday Patel, gerente sênior de pesquisa da Wood Mackenzie, afirmou que "não há ligação direta com as forças armadas dos Estados Unidos, além do fato de que parte do metal utilizado pode eventualmente ser destinado a aplicações militares através de uma longa cadeia de transações e processamento".

O relatório da Wood Mackenzie estima que as indústrias militares e de defesa dos Estados Unidos consomem anualmente cerca de 450.000 toneladas de alumínio. Segundo Price, é mais provável que as forças armadas americanas obtenham a maior parte do alumínio necessário do Canadá.

Consequências para Outras Economias

Embora as Forças Armadas dos Estados Unidos possam não ser diretamente impactadas pelos ataques à produção do Golfo, a situação pode estar causando danos às economias do país e de outras grandes nações.

A analista da StoneX, Natalie Scott-Gray, relatou que "as tensões já começam a se manifestar na atividade industrial e a dificultar ainda mais o planejamento, que já enfrentava altos níveis de incerteza". A situação atual reforça a interdependência entre a demanda por alumínio e a estabilidade política da região do Oriente Médio.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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