Até quando o Copom manterá a Selic em 15%?

Até quando o Copom manterá a Selic em 15%?

by Rafael Martins
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Manutenção da Selic e Expectativas de Redução

Conforme amplamente previsto, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano durante a reunião realizada em novembro. Embora a decisão tenha sido unânime, os analistas demonstram divergência quanto ao momento em que o colegiado poderá iniciar um ciclo de redução dos juros. Há quem projete um corte na Selic já em dezembro, mas a maioria aponta para um afrouxamento monetário apenas no primeiro semestre de 2026.

O que disse o Copom?

O comunicado divulgado na última reunião repete, em sua essência, o que foi elaborado na reunião anterior, segundo Ian Lima, gestor de renda fixa da Inter Asset. Ele observa que, embora a repetição pareça um indicativo sem novidade, é importante analisar o que o Copom procura comunicar. Nesse contexto, Lima identifica elementos tanto dovish (mais brandos em relação ao rigor monetário) quanto hawkish (mais duros no combate à inflação).

Na reunião de setembro, o Banco Central (BC) ponderou sobre a necessidade de avaliar se o atual patamar de juros seria suficiente para controlar a inflação. Recentemente, no entanto, o BC expressou confiança de que a taxa vigente é, de fato, adequada, o que reduz um pouco da incerteza em relação a essa questão. Entretanto, o comunicado é severo ao afirmar que a Selic será mantida nesse nível por um período prolongado.

Quando os juros devem começar a cair?

De acordo com Lima, o objetivo do Copom neste momento é calibrar as expectativas do mercado em relação à inflação futura. Ele explica que, ao indicar que a redução não ocorrerá imediatamente, o Copom ativa um ciclo que torna a possibilidade de corte mais próxima do que distante, em um paradoxo de expectativas. O mercado tende a esperar comportamentos firmes do BC, e essa firmeza se torna uma condição necessária para reduzir as expectativas de inflação, o que também pode facilitar um corte na Selic antes do que o esperado.

Marcelo Bolzan, planejador financeiro e sócio da The Hill Capital, destaca que, apesar de o Copom confirmar as projeções de mercado sobre a manutenção dos juros, havia uma expectativa de que o comunicado pudesse sinalizar uma futura queda e adotar um tom mais conciliador. Ele ressalta que a única sinalização observa a melhora na inflação, mas o discurso se apresentou de forma mais ríspida, levando a uma expectativa de sinalizações melhores no curto prazo. Para a The Hill Capital, o cenário base aponta para uma redução da taxa em janeiro, embora exista o risco de que essa projeção seja alterada para março. "Independentemente dos prazos, acredito que essa mudança ocorrerá no primeiro trimestre", afirma Bolzan.

Por outro lado, Joaquim Cecílio, especialista em investimentos e sócio da GT Capital, considera plausível a possibilidade de que o corte ocorra no segundo trimestre. Ele observa que os comunicados do Copom ao longo do ano revelam uma postura cautelosa. “Em momento algum, o BC demonstrou intenção de realizar movimentos de redução de forma acelerada ou de manter os juros altos apenas por um período transitório”, observa Cecílio. Ele enfatiza a preocupação do BC em manter a credibilidade, a fim de garantir a convergência nas expectativas de inflação.

Cecílio ressalta que, no último comunicado, o Copom alterou parcialmente sua abordagem, que antes era contracionista, e agora se encontra em um estado de "on hold". No entanto, ele enfatiza que não se pode prever um corte imediato.

Até quanto o BC deve reduzir a Selic?

Para Lima, a questão mais relevante não é exatamente em qual reunião o comitê dará início aos cortes, mas sim qual será o magnitude total da redução ao longo do ciclo. O gestor vislumbra uma possibilidade de corte de 300 pontos-base (ou 3 pontos percentuais) até o final do próximo ano ou no início de 2027, levando a Selic a um patamar próximo de 12% ao ano.

Ele explica que a diminuição da inflação em andamento abre o caminho para uma redução de 1 ponto percentual. Isso ocorre porque uma inflação corrente menor resulta em uma taxa de juro real mais alta. Contudo, a possibilidade de um corte superior a 300 pontos-base é considerada difícil, especialmente em um ano eleitoral como 2026, que traz consigo incertezas. “A manutenção de uma Selic em patamares restritivos contribui para proteger a moeda local, evitando uma pressão excessiva pela valorização do dólar, que poderia prejudicar o controle da inflação”, finaliza Lima.

Fonte: borainvestir.b3.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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