Aumento no preço das blusinhas não afeta criação de empregos no Brasil, revela estudo

Aumento no preço das blusinhas não afeta criação de empregos no Brasil, revela estudo

by Fernanda Lima
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Impacto da ‘Taxa das Blusinhas’ na Geração de Empregos

Mais de um ano após a implantação da chamada "taxa das blusinhas", um estudo realizado pela LCA Consultores revelou que a ampliação da alíquota de importação para produtos de baixo valor (limitados a até US$ 50) não resultou em impacto mensurável na geração de empregos no país.

Contexto da Taxação

Em 2024, o Congresso Nacional aprovou e o presidente da República sancionou uma lei que institui uma alíquota de 20% sobre importações de até US$ 50 realizadas por meio de plataformas de comércio eletrônico internacionais. Esta taxação foi uma resposta à pressão exercida por setores do varejo e da indústria nacional, tendo como justificativa a proteção de empregos locais.

Além do imposto de importação (II), os Estados também aplicam o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre essas remessas internacionais. As alíquotas do ICMS variam entre 17% e 20%.

Arrecadação e Seus Efeitos

O estudo conduzido pela LCA Consultores indica que a redução na arrecadação do ICMS teve um impacto mais significativo nas finanças estaduais do que o aumento da arrecadação do imposto de importação nas finanças federais. A arrecadação federal aumentou R$ 265 milhões por mês, o que representa apenas 0,08% do total arrecadado. Em contrapartida, os Estados deixaram de arrecadar até R$ 258 milhões mensais.

Análise do Emprego em Setores Afetados

De acordo com as informações apresentadas no levantamento da LCA, que considera dados do Ministério do Trabalho, a análise estatística revelou que, nos 12 meses após a implementação da taxa das blusinhas, o crescimento do emprego nos setores de varejo e indústria beneficiados pela nova taxação manteve-se equivalente ao patamar observado nos 12 meses anteriores.

Além disso, o estudo aponta que o aumento no emprego desses setores nos doze meses seguintes à aplicação da taxa foi inferior à expansão do emprego médio em todo o Brasil, com 0,97% para o comércio varejista beneficiado e 0,97% para as indústrias favorecidas, enquanto a média nacional ficou em 3,04%.

Modelo ‘De Minimis’ e Propostas para o Futuro

Eric Brasil, diretor da LCA Consultores, destacou que um modelo mais eficiente para a taxação de importações seria o adotado por países desenvolvidos e de renda média. Isso incluiria a isenção do imposto de importação para pequenas remessas, combinada à cobrança de um imposto sobre consumo de forma isonômica em relação à produção nacional.

Esse modelo é conhecido como "de minimis" e é utilizado em mais de 90 países, com valores que variam. Brasil acrescentou que a reforma tributária em andamento no Brasil já aponta para essa direção, propondo um IVA (Imposto sobre Valor Agregado) unificado e equilibrado entre setores e regiões.

O diretor enfatizou que, até a implementação do IBS e CBS, o próprio ICMS deveria atuar como um imposto sobre o consumo. Assim, com a isenção na importação de bens de baixo valor e a cobrança de ICMS, o Brasil alinharia suas políticas fiscais a práticas internacionais.

Reflexões do Setor

O estudo foi solicitado pela Amobitec (Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia). André Porto, diretor-executivo da entidade, mencionou que o comércio eletrônico brasileiro está se consolidando como um dos principais motores da economia digital.

Porto alertou que penalizar este setor com medidas restritivas e mal calibradas pode ser prejudicial ao desenvolvimento econômico. Ele ressaltou que é legítimo que o país busque discutir mecanismos para fortalecer a indústria nacional, mas isso deve ser feito com base em dados concretos e por meio de um diálogo aberto com os setores afetados.

Além disso, o estudo revelou que a "taxa das blusinhas" resultou em uma diminuição de quase 50% nas importações feitas por meio da Remessa Conforme, o que restringiu a variedade de produtos disponíveis para a população. A equipe técnica responsável pela pesquisa avaliou que essa tributação é regressiva, pois impacta de forma mais intensa as classes C, D e E.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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