A guerra entre Estados Unidos, Irã e Israel teve início no dia 28 de fevereiro, e a data de seu término permanece indefinida. Nesse intervalo, o Estreito de Ormuz, por onde transita aproximadamente 30% do petróleo global, continua praticamente paralisado, resultando em flutuações nos preços do diesel nesse contexto volátil.
Conforme o levantamento semanal de preços realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), entre 15/03/2026 e 21/03/2026, o preço do óleo diesel variou de R$ 5,79 a R$ 8,99. Para o diesel S-10, os preços foram registrados entre R$ 5,69 e R$ 9,29 durante o mesmo período.
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Sobe e desce do diesel em março de 2026
Além disso, uma análise realizada pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) indicou que ocorreu uma oscilação de quase 30% nos preços do diesel entre os dias 1 e 23 de março de 2026. O relatório mais recente do instituto afirma que a isenção de PIS e Cofins, conforme o Decreto nº 12.875/2026, não conseguiu aliviar a pressão inflacionária sobre os combustíveis.
O aumento líquido no preço do diesel foi de R$ 1,07 por litro na compra por atacado. Em específico, a alta acumulada do diesel S-10 foi de 19,71%. Essa situação traz consequências significativas para os setores de logística, agronegócio e indústria.
De acordo com o IBPT, na agroindústria e no setor industrial da região Centro-Oeste, o impacto é uma alta de 30,79%. Para o Nordeste, o diesel S-500 apresentou um aumento de 32,65%.
Praticamente, isso implica que os preços dos produtos já se tornam mais altos em sua origem. Para as empresas de logística, essa situação se traduz em um aumento sobre os custos do frete, permitindo que diversos produtos fiquem mais caros. O impacto mais significativo, entretanto, tende a ser percebido nos preços dos alimentos.
O impacto da alta do diesel no bolso do consumidor
Conforme informações já divulgadas, o impacto nas finanças dos consumidores poderá não ser tão elevado se a guerra terminar ainda neste mês. Contudo, permanece a possibilidade de que o conflito no Irã se estenda por mais tempo.
“Se os preços do petróleo continuarem elevados, existe o risco de um aumento significativo nos preços dos alimentos no Brasil. […] O encarecimento do petróleo pressiona praticamente toda a cadeia produtiva, desde o transporte até a energia utilizada na produção agrícola, dificultando a manutenção dos preços”, destacou Alex André, Head de Acesso Corporativo da MZ Group.
Além desse cenário, há ainda a preocupação com os fertilizantes industrializados que contêm derivados do petróleo em sua formulação. De acordo com André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica Consultoria, isso inclui fertilizantes nitrogenados e fosfatados.
No segmento dos nitrogenados, o Brasil frequentemente exporta e consome a ureia na agricultura. Assim, “caso as tensões se intensifiquem, o mercado de fertilizantes poderá sentir o impacto a curto prazo. Pode haver volatilidade acima do normal, mas, ao mesmo tempo, o mercado tende a se ajustar gradualmente aos preços ao longo do tempo”, alertou o especialista.
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Outro lado: a alta do petróleo compete com a desinflação brasileira
No entanto, talvez ainda não seja o momento de alardear desespero. Antes do início do conflito armado entre Irã, EUA e Israel, o mercado brasileiro aguardava a redução da taxa básica de juros, que havia permanecido em 15% durante cinco reuniões consecutivas do Comitê de Política Monetária (Copom).
Atualização da taxa Selic
Com a eclosão da guerra, o Copom decidiu reduzir a taxa Selic para 14,75%, conforme anúncio realizado na quinta-feira (18). Ao justificar a decisão, a entidade afirmou que ela está alinhada aos objetivos de controle da inflação e ao cumprimento da meta inflacionária a longo prazo.
Além disso, no comunicado, os membros do Copom observaram que, no futuro, a taxa Selic poderá ser recalibrada com base nas descobertas quanto à profundidade e extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como nas consequências diretas e indiretas da guerra ao longo do tempo.
Entretanto, a revisão da projeção inflacionária sofreu um ajuste leve, passando de 3,1% para 3,2%. Essa alteração sugere que, mesmo com a guerra, o Brasil pode não experimentar efeitos tão severos.
Cenário do Brasil
Anteriormente, André Galhardo enfatizou que “é crucial manter a serenidade ao discutir a inflação”, alinhando-se à postura sugerida pelos membros do Copom em comunicado. Durante entrevista, ele declarou que, embora a inflação possa registrar crescimento, a projeção permanece em 4,25%. Isso coloca a inflação em um patamar considerado moderado para o Brasil, segundo o economista-chefe da Análise Econômica Consultoria.
“Estamos no meio de um processo de desinflação. Portanto, mesmo em meio ao aumento direto nos preços do petróleo e todos os possíveis impactos indiretos, a alta do petróleo ainda compete com esse processo de desinflação. Por isso, é crucial ter calma e monitorar lentamente qual o impacto disso nas finanças das pessoas, dada a volatilidade”, finalizou Galhardo.
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Como lidar com a alta do diesel?
Ademais, é importante destacar que ainda não há confirmação de que a guerra no Irã será, de fato, prolongada. Nesse sentido, para enfrentar os preços elevados do diesel, o IBPT recomenda que empresários não vejam o aumento apenas como um custo variável de logística. Em vez disso, eles devem considerá-lo como um indicativo de eficiência tributária e inteligência de negócios, visando proteger a operação em tempos de volatilidade.
Fonte: timesbrasil.com.br

