Ações da Axia Energia em Oscilação
As ações da Axia Energia (AXIA3) apresentaram uma volatilidade significativa nesta sexta-feira, dia 28. Os papéis chegaram a registrar uma alta de 1,23%, alcançando o valor de R$ 67,38, mas rapidamente reverteram essa tendência, apresentando uma queda de 1,01%, situando-se a R$ 62,25 por volta das 11h50.
Detalhes da Migração ao Novo Mercado
A empresa deu início à análise para uma possível migração ao Novo Mercado da B3, um segmento que abriga companhias com altos padrões de governança corporativa. A Axia informou que a decisão final será tomada com base nas propostas que serão discutidas durante a assembleia geral extraordinária (AGE), agendada para o dia 19 de dezembro.
Emissão de Novas Ações Preferenciais
A administração da Axia Energia também revelou suas intenções de capitalizar parte de sua reserva de lucros, que totaliza R$ 39,9 bilhões (referente ao terceiro trimestre de 2025), através da emissão de uma nova classe de ações preferenciais, designadas como PNC. Esta operação visa proporcionar bonificações aos acionistas. Os novos papéis terão direito a voto, adotando o modelo conhecido como one share, one vote, e serão temporários, com a possibilidade de resgate ou conversão em ações ordinárias até o ano de 2031.
O procedimento contempla bonificações para os acionistas, e os papéis PNC terão direito a voto, seguindo o modelo mencionado anteriormente e com caráter temporário, previsto para resgatar ou converter em ações ordinárias até 2031.
Julgamento Recomeçado pelo Supremo Tribunal Federal
Hoje, o Supremo Tribunal Federal (STF) retomou o julgamento do acordo estabelecido entre a empresa e a União, que busca esclarecer questões relacionadas ao poder de voto do governo na Axia Energia (AXIA3, AXIA5, AXIA6).
Análise do Mercado
O BTG Pactual considera que as ações da Axia estão sendo direcionadas para proteger os interesses dos acionistas dentro da estrutura recentemente divulgada. A emissão das PNCs é caracterizada como uma bonificação, mas possui detalhes que conferem maior flexibilidade e estratégia à operação.
Conforme o analista Antonio Junqueira, as PNCs deverão ser integralmente resgatadas ou convertidas em ações ordinárias (ON) até 2031, sempre mantendo o mesmo valor das ON, além de garantir direitos como voto, tag along e dividendos. A estrutura proposta possibilita à administração selecionar o momento mais oportuno para o resgate ou conversão, sem depender da aprovação da Aneel ou de credores, simplificando assim o processo em comparação a uma bonificação tradicional que requer redução de capital.
Além disso, os acionistas de ações preferenciais (PN) terão direito a receber PNR, que será convertida imediatamente em um montante equivalente a um prêmio de 10% sobre os dividendos pagos por ação (DPS). Por exemplo, caso a empresa emita R$ 20 bilhões em PNC, os acionistas de PN receberiam R$ 240 milhões em PNR. Essa configuração confere flexibilidade à gestão de caixa da companhia, garantindo a proteção dos acionistas e respeitando o cronograma de distribuição de dividendos preestabelecido.
Junqueria observa que, embora a empresa tenha tomado uma decisão acertada, isso não implica em uma aceleração na distribuição de dividendos. Os pagamentos continuarão a ser realizados conforme o cronograma já planejado, independentemente da nova regra tributária que está por vir. “O movimento é considerado positivo, pois alinha a empresa às exigências da nova legislação sobre impostos. A companhia atua de forma adequada, sem comprometer sua capacidade de distribuir dividendos de maneira excessiva no curto prazo”, afirma o analista.
Recomendações de Corretoras
A Ativa Investimentos enfatiza que a reestruturação de capital, que inclui a declaração de dividendos sobre um montante acumulado de quase R$ 40 bilhões, sem a definição imediata de valores para pagamento, é uma manobra jurídica que visa proteger os acionistas em relação à antecipada tributação de dividendos a ser implementada a partir do ano de 2026.
De acordo com a corretora, “consideramos essa movimentação benéfica e alinhada à estratégia de valorização da companhia após sua privatização” e mantém, por isso, a recomendação de compra.
Por sua vez, o Itaú BBA destaca que, apesar do anúncio não prever uma distribuição extraordinária de dividendos, a proposta traz benefícios. O banco indica que a iniciativa remunera os acionistas, mitigando os futuros impactos da nova tributação sobre os dividendos, além de alinhar a estratégia de alocação de capital com uma alternativa para recompensar investidores, apresentando impacto limitado no fluxo de caixa da Axia. O banco reafirmou sua recomendação outperform (compra) para a empresa.
Fonte: www.moneytimes.com.br

