Azul registra prejuízo de R$ 644,2 milhões no 3º trimestre, mas vê aumento na receita e avanço do EBITDA na B3.

Azul registra prejuízo de R$ 644,2 milhões no 3º trimestre, mas vê aumento na receita e avanço do EBITDA na B3.

by Ricardo Almeida
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Resultado Trimestral da Azul

A Azul S.A. (BOV:AZUL4) anunciou seus resultados financeiros referentes ao terceiro trimestre de 2025, chamando a atenção do mercado ao registrar um prejuízo líquido de R$ 644,2 milhões, revertendo o lucro obtido no mesmo período de 2024. Apesar desse resultado negativo, a companhia aérea apresentou sinais operacionais positivos, como um aumento de 11,8% na receita líquida, avanço do Ebitda e crescimento da capacidade de operação.

Dados Financeiros e Operacionais

No acumulado do trimestre, a empresa reportou um prejuízo líquido ajustado de R$ 1,56 bilhão, refletindo um aumento anual de 1.141,9%, evidenciando os desafios enfrentados devido à estrutura de dívidas e impactos cambiais. No entanto, a Azul também registrou um lucro operacional de R$ 1,2 bilhão, representando um crescimento anual de 23,7%, além de um Ebitda de R$ 1,99 bilhão, um aumento de 20,2% em comparação com o mesmo período de 2024.

A margem Ebitda da companhia subiu para 34,6%, um incremento de 2,4 pontos porcentuais, indicando uma maior eficiência operacional, mesmo em um contexto de forte pressão financeira. As despesas operacionais alcançaram R$ 4,5 bilhões no terceiro trimestre, um aumento de 8,9% em relação ao terceiro trimestre de 2024.

Desempenho de Receita e Capacidade

O RASK (receita por assento-quilômetro disponível) atingiu um recorde para um terceiro trimestre, totalizando R$ 44,76 centavos, o que representa um aumento de 4,4% em relação ao ano anterior, mesmo com o crescimento da capacidade em 7,1%. A contribuição das diversas unidades de negócios para as receitas e margens permaneceu robusta, representando 25,3% do RASK e 29,7% do EBITDA.

A capacidade da Azul cresceu 7,1% em relação ao ano anterior, impulsionada principalmente por um aumento de 30,5% nas operações internacionais. No período, a companhia transportou 8,1 milhões de passageiros, equivalente ao volume do mesmo período do ano anterior. O tráfego de passageiros (RPK) cresceu 9,7%, superando o crescimento da capacidade e resultando em uma taxa de ocupação recorde de 84,6%, 2,0 pontos percentuais acima do que foi registrado no terceiro trimestre de 2024.

Custos e Dívidas

O CASK (custo por assento-quilômetro disponível) no terceiro trimestre de 2025 foi de R$ 34,85 centavos, apresentando um acréscimo de 1,6% em comparação ao terceiro trimestre de 2024. Esse aumento deve-se, principalmente, à inflação anual de 4,8%, além do crescimento de 16,7% no número de processos judiciais relacionados a operações irregulares ocorridas, predominantemente, em 2024. Também influenciaram os custos o aumento de 14,6% na depreciação ano contra ano, que foram, em parte, compensados por uma valorização média de 1,7% do real e pela descida de 13,2% no preço do combustível, juntamente com diversas estratégias de redução de custos vinculadas à produtividade.

O preço médio do combustível caiu 13,2% em relação ao ano anterior, fixando-se em R$ 3,82 por litro, contribuindo positivamente para o controle de custos da companhia.

Frota e Capex

Na data de 30 de setembro de 2025, a Azul possuía uma frota operacional de passageiros composta por 185 aeronaves, com uma idade média de 7,3 anos, excluindo as aeronaves Cessna. As despesas com Capex, desconsiderando investimentos de curto prazo, totalizaram R$ 117,2 milhões no terceiro trimestre, principalmente devido à capitalização de revisões de motores e à aquisição de peças de reposição durante o trimestre. Este montante não inclui pagamentos antecipados e reservas destinadas à manutenção.

Dívida e Alavancagem

A dívida bruta da Azul encerrou o período em R$ 37,3 bilhões, representando um aumento de 8,4% em relação ao segundo trimestre. Segundo a companhia, ao excluir passivos de arrendamento que serão extintos e empréstimos que se transformarão em ações no processo de reestruturação conhecido como Chapter 11, a dívida ajustada seria cerca de R$ 20 bilhões.

A alavancagem, medida pela relação dívida líquida sobre o Ebitda dos últimos 12 meses, passou de 4,9x para 5,1x, influenciada pela valorização do real frente ao dólar norte-americano e pela captação de R$ 6 bilhões em novas dívidas durante o trimestre, como parte do plano de reestruturação da companhia. A empresa enfatizou que essa métrica não leva em consideração a conversão das notas 1L e 2L em ações, e que, após esse processo, espera finalizar o Chapter 11 com uma alavancagem de 2,5x.

Desempenho das Ações

No pregão realizado na sexta-feira (14/11), às 12h15, as ações AZUL4 estavam sendo negociadas a R$ 1,11, apresentando uma queda de 5,13%. As ações atingiram uma mínima de R$ 1,08 e uma máxima de R$ 1,15, que era também o valor de abertura do dia. Esse movimento reflete a interpretação do mercado de uma maior pressão financeira no curto prazo, embora os indicadores operacionais demonstrem sinais positivos.

Sobre a Azul S.A.

A Azul S.A. (BOV:AZUL4) é uma das principais companhias aéreas do Brasil, com uma forte presença em rotas regionais e hubs significativos. A companhia opera no setor de transporte aéreo de passageiros e cargas, competindo com empresas como Gol (GOLL4) e Latam, além de ter a operação da Azul Cargo. A empresa possui uma frota diversificada e um modelo de malha voltado à capilaridade e conectividade.

Os resultados do terceiro trimestre reforçam a dualidade do momento enfrentado pela Azul: um avanço operacional robusto, acompañado de uma pressão financeira considerável. Para aqueles que acompanham o setor aéreo na bolsa de valores brasileira, a expectativa de volatilidade permanece alta.

Fonte: br.-.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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