Investigações Comerciais dos EUA
Na quinta-feira, os Estados Unidos iniciaram novas investigações comerciais envolvendo 60 economias, com o objetivo de averiguar se esses países não conseguiram restringir as importações de produtos fabricados com trabalho forçado. A medida foi anunciada um dia após o início de uma investigação sobre práticas comerciais desleais envolvendo 16 parceiros comerciais.
Detalhes das Investigações
As novas investigações, que estão sendo conduzidas sob a Seção 301(b) da Lei de Comércio de 1974, incluem países como China, União Europeia, Índia e México, conforme relatado por uma declaração da Representante de Comércio dos Estados Unidos.
O Representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, afirmou: "Apesar do consenso internacional contra o trabalho forçado, os governos falharam em impor e fazer cumprir medidas que proíbam a entrada em seus mercados de bens produzidos com trabalho forçado."
Ele acrescentou que "essas investigações determinarão se os governos estrangeiros tomaram as medidas adequadas para proibir a importação de bens produzidos com trabalho forçado e como a falha em erradicar essas práticas abomináveis impacta os trabalhadores e empresas dos EUA."
Autoridade da Seção 301
A Seção 301 confere aos EUA a autoridade para impor tarifas sobre países que forem considerados como tendo se engajado em práticas comerciais desleais, sem necessidade de autorização do Congresso. Essa autoridade legal foi utilizada anteriormente pelo ex-presidente Trump durante seu primeiro mandato, quando impôs tarifas sobre produtos chineses.
As investigações relacionadas ao trabalho forçado seguem as investigações da Seção 301 iniciadas na quarta-feira, que visavam a capacidade industrial excessiva em mais de uma dúzia de economias, incluindo China, União Europeia e México.
Simultaneamente, as novas investigações podem servir como uma alternativa para substituir pelo menos parte das "tarifas recíprocas" que a Suprema Corte dos EUA anulou no mês passado.
Outros Países Envolvidos
As investigações em questão também incluem economias como Austrália, Indonésia, Japão, Malásia, Cingapura, Coreia do Sul, Suíça, Tailândia e Reino Unido.
Reuniões e Repercussões
As investigações ocorrerão em um momento em que o Secretário do Tesouro, Scott Bessent, está prestes a se reunir com seu contraparte chinês, He Lifeng, em Paris, neste fim de semana, para dar continuidade às discussões sobre comércio e economia. Isso acontece semanas antes de uma reunião entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e seu homólogo chinês, Xi Jinping.
O especialista Stephen Olson, pesquisador sênior do ISEAS-Yusof Ishak Institute e ex-negociador comercial dos EUA, apontou que "a China não verá isso como uma boa notícia e usará a reunião em Paris para expressar seu descontentamento".
Ele, no entanto, observou que ambas as partes parecem comprometidas em manter a reunião entre Trump e Xi nos trilhos. "Não espero que isso atrapalhe as negociações", disse Olson.
Outro especialista, Wang Huiyao, fundador do Centro para China e Globalização, um think tank frequentemente considerado alinhado ao pensamento de Pequim, afirmou: "Lançar novas investigações comerciais logo antes da cúpula envia a mensagem errada."
Wang complementou que "uma abordagem unilateral não funcionará. A Seção 301 já foi tentada antes, e o que as duas partes precisam agora é encontrar uma forma de trabalhar juntas — incluindo no que está acontecendo no Oriente Médio."
Histórico das Investigações
A primeira administração Trump lançou seis investigações sob a Seção 301, resultando em aumentos de tarifas nas investigações envolvendo a China e a União Europeia. A administração Biden também realizou investigações sob a mesma seção, e duas investigações referentes ao Brasil e à China ainda estão em andamento.
Fonte: www.cnbc.com


