Contexto Econômico Atual
Com a taxa Selic fixada em 15% e a inflação pressionando os orçamentos familiares, os bancos estão revisando suas estratégias e isso se reflete claramente nos resultados financeiros. O foco passa a ser direcionado para o cliente de alta renda, que é visto como mais resiliente em um cenário de juros elevados. A interpretação desse movimento é clara: a população de baixa renda enfrenta maiores dificuldades com os juros altos, o que resulta em um aumento da inadimplência e em uma diminuição da disposição das instituições financeiras para ampliar limites de crédito e assumir novos riscos.
Análise do Santander
O Santander exemplifica bem essa mudança de foco. Uma análise realizada por Bruno Andrade, da Veja Negócios, aponta que o banco registrou um lucro de 4,1 bilhões de reais no quarto trimestre, um resultado que estava dentro do esperado. No entanto, a instituição permanece sob pressão devido ao aumento da inadimplência, que atingiu 3,7%, sendo este crescimento impulsionado, especialmente, pela clientela de baixa renda. “É uma má experiência”, resumiu Andrade.
Como resposta estratégica a essa situação, o banco decidiu reduzir sua disposição em oferecer crédito para esse segmento, com o objetivo de “limpar a carteira” e buscar clientes com um maior nível patrimonial.
Comparação com os Concorrentes
A análise comparative com outras instituições financeiras ajuda a compreender a lógica por trás dessa abordagem. O Itaú, que se destaca no atendimento aos clientes de alta renda, apresenta uma rentabilidade superior a 20% e uma inadimplência em torno de 2%, indicadores que o Santander almeja alcançar. Por outro lado, o Bradesco está em processo de recuperação após uma reestruturação significativa, e até mesmo o Nubank já anunciou um foco maior nos clientes de alta renda.
Implicações do Novo Foco
De maneira geral, o que se observa não é um abandono da clientela de baixa renda, mas sim uma seletividade nas ofertas de crédito. A ideia é proporcionar menos crédito para aqueles que são mais impactados pela elevação das taxas de juros e, ao mesmo tempo, abrir mais espaço para os clientes que atravessam esse ciclo com maior fôlego financeiro.
Fonte: veja.abril.com.br

