Barclays revisa para baixo a projeção de crescimento da zona do euro para 2026 e antecipa pausa do BCE diante das tensões no Oriente Médio.

Barclays revisa para baixo a projeção de crescimento da zona do euro para 2026 e antecipa pausa do BCE diante das tensões no Oriente Médio.

by Ricardo Almeida
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Perspectivas Econômicas na Zona do Euro

As expectativas econômicas para a zona do euro enfrentam crescente pressão devido ao conflito no Oriente Médio e ao endurecimento das condições financeiras. Esta análise foi elaborada por meio de uma nota recente do Barclays Research. O banco prevê que o Banco Central Europeu (BCE) irá manter sua taxa básica de juros em 2% na reunião de política monetária agendada para o dia 19 de março.

Crescimento do PIB e Inflação

O Barclays revisou suas previsões e agora estima um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) real da zona do euro de 1,1% para o ano de 2026, evidenciando uma redução em relação à expectativa anterior de 1,5% para o ano de 2025. Simultaneamente, a inflação geral é esperada para aumentar, alcançando 2,4% este ano, o que representa um acréscimo de 0,6 ponto percentual em relação à estimativa fornecida pela corretora em dezembro anterior. Espera-se que a inflação retroceda para cerca de 2% no ano de 2027.

Projeções de Crescimento e Produção Industrial

Segundo o modelo de previsão imediata do Barclays, a economia da zona do euro poderá contrair 0,1% no primeiro trimestre de 2026 em comparação ao trimestre anterior. Este resultado é inferior à previsão do próprio banco, que esperava um crescimento de 0,3% conforme estimado pelo BCE.

A presidente do BCE, Christine Lagarde, deverá reiterar durante a conferência de imprensa após a reunião que “O BCE fará o que for necessário para manter a inflação de médio prazo na meta”. É provável que o Conselho de Governadores também ressalte que as taxas de juro não seguem um caminho fixo ou predefinido.

Os dados mais recentes indicam um enfraquecimento considerável do setor industrial na região. A produção industrial da zona do euro teve uma queda de 1,5% em janeiro, em comparação ao mês anterior. Este resultado inclui reduções de 1,3% na Alemanha, 0,6% na Itália e 0,5% na Espanha. Na Alemanha, especificamente, as encomendas industriais despencaram 11,1% em relação ao mês anterior, revertendo a maior parte dos ganhos observados no segundo semestre de 2025.

Cenário do Mercado de Energia

O Barclays delineou um cenário em que o preço do petróleo Brent se estabiliza em torno de US$ 100 por barril, enquanto o gás natural TTF permanece próximo de € 70 por megawatt-hora. Esses valores representam aumentos de aproximadamente 40% e 120%, respectivamente, desde o início do atual conflito. Sob essas condições, o banco estima que o PIB da zona do euro poderá ser cerca de 0,6 ponto percentual menor após um ano, enquanto os preços ao consumidor podem aumentar em até 1,4 ponto percentual em um prazo de 12 meses.

Resposta Fiscal e Perspectivas por Países

O Barclays também sugeriu que qualquer resposta fiscal por parte dos governos será provavelmente “mais limitada e mais direcionada” do que as medidas que foram implementadas após a invasão da Ucrânia pela Rússia, época em que o apoio emergencial alcançou cerca de 3% do PIB nominal.

No que diz respeito às projeções de crescimento entre as quatro maiores economias da zona do euro, a Espanha deverá se destacar com um crescimento projetado de 2,3% em 2026. A economia da Alemanha deverá crescer 0,9%, enquanto a da França é prevista para ter um crescimento de 1,1%, e a da Itália deverá ter um aumento de 0,7%.

Desafios Fiscais e Política Comercial

A França também deverá enfrentar os maiores desafios fiscais, com o déficit orçamentário previsto em 5,2% do PIB em 2026 e a dívida pública projetada em 118,6% do PIB.

No âmbito comercial, é importante destacar que os Estados Unidos iniciaram, no dia 12 de março, uma investigação sobre as práticas comerciais da União Europeia (UE) com o objetivo de determinar se essas práticas contribuem para o excesso de capacidade produtiva.

Contexto Político na França

Na esfera política, a França realizará o primeiro turno das eleições municipais no dia 15 de março. O Barclays destacou que o desempenho do Rassemblement National, partido liderado por Marine Le Pen, poderá servir como um importante indicador do ímpeto do partido em direção à eleição presidencial do país em 2027.

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Fonte: br.-.com

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