Liberland: o paraíso dos bilionários do cripto, onde até o voto é negociável.

Liberland: o paraíso dos bilionários do cripto, onde até o voto é negociável.

by Ricardo Almeida
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Liberland: A Micronação do Futuro Digital

Liberland é conhecido como um projeto idealizado como um paraíso para bilionários com interesses em criptomoedas. Localizada entre a Sérvia e a Croácia, essa micronação pretende se estabelecer como um país libertário e digital, utilizando a tecnologia blockhain — que é a mesma base que sustenta as criptomoedas.

A Ideia do Governo Alternativo

A premissa fundamental da micronação é a possibilidade de substituir o governo tradicional. No entanto, as práticas ali são diferentes das normas estabelecidas em muitos países, como o Brasil, onde a compra de votos e o recebimento de benefícios políticos em troca de dinheiro são considerados crimes. Em Liberland, quem faz doações financeiras interessantes para o desenvolvimento do projeto detém uma maior influência nas decisões governamentais.

Na prática, as contribuições financeiras são compensadas com um token denominado Liberland Merit. Vít Jedlička, presidente da micronação, afirma que “quem tem mais Merits consegue ter mais influência sobre quem integrará a liderança”.

Um Modelo Controverso

Esse modelo se assemelha ao voto censitário, que foi adotado no Ocidente entre os séculos XVIII e XIX, onde fatores como renda e patrimônio influenciavam a participação política dos cidadãos. Em Liberland, o patrimônio é avaliado pela quantidade de tokens acumulados.

História e Registro de Cidadãos

Liberland já conta com uma história que se estende por mais de dez anos, embora principalmente no papel. De acordo com informações disponíveis no site da micronação, atualmente existem 1.295 cidadãos registrados e mais de 812.284 solicitações de cidadania.

O território, que abrange apenas 7 quilômetros quadrados, foi escolhido estrategicamente por seus criadores. Ele se localiza em uma área da fronteira disputada entre a Sérvia e a Croácia, que não é reclamado oficialmente por Belgrado, embora seja visto como parte da Sérvia por Zagreb.

Na prática, o local é descrito como uma estreita faixa alagadiça à beira do rio Danúbio, marcada por vegetação, barracas e construções simples.

A Visão Futurista

O contraste entre a realidade atual e a visão futura projetada pelos idealizadores de Liberland é significativo. Um projeto digital desenvolvido pelo escritório ZHA, fundado pela arquiteta Zaha Hadid, apresenta um ambiente utópico com arranha-céus brilhantes, parques flutuantes e outras estruturas futuristas.

O acesso a Liberland é realizado exclusivamente por barco, já que a Croácia restringe a entrada no território e a Sérvia não possui infraestrutura que permita o acesso por terra. Além disso, até o momento, nenhum país reconhece oficialmente a existência de Liberland. A micronação autoproclamada em 2015 tem mantido diálogos informais com outros territórios autônomos, como a Somalilândia.

Controvérsias no Modelo de Governo

As discussões sobre Liberland vão além da falta de reconhecimento internacional e da possibilidade de influência através de doações. O Ministro do Interior, Ivan Pernar — ex-deputado croata que foi expulso do Parlamento por difundir teorias da conspiração — defende a implementação de um rigoroso “filtro” na concessão de cidadania.

Segundo Pernar, geralmente, as pessoas favoráveis a finanças descentralizadas são oriundas das classes mais privilegiadas. Em uma entrevista recente à BBC, ele expressou preocupações sobre a possibilidade de ter “um monte de vagabundos” no país que poderiam ser sustentados por outrem.

Ele também comparou essa hipótese à ideia de que "não se deve alimentar animais, pois, se isso ocorrer, eles se acostumarão e perderão a capacidade de se sustentar". Em seguida, argumentou que sem uma seleção cuidadosa de quem poderia entrar no território de barco, Liberland poderia acabar seguindo o mesmo caminho que o Reino Unido, algo que ele considera indesejável.

O Apoio de Celebridades e Empreendedores

Os organizadores de Liberland acreditam que o projeto poderá emergir de sua condição atual com o suporte de cerca de 30 bilionários. Entre eles, destaca-se Justin Sun, fundador da blockchain Tron, cuja fortuna é estimada em aproximadamente US$ 8,5 bilhões pela Forbes.

Sun ocupa a posição de primeiro-ministro da micronação e se tornou um dos principais patrocinadores do projeto, a qual também serve como um laboratório para suas ideias. O empresário tem declarado sua crença de que o conceito tradicional de Estado-nação pode vir a ser ultrapassado e substituído por sistemas fundamentados na tecnologia blockchain, exatamente o que Liberland propõe.

Iniciativas Paralelas

Liberland não é um caso isolado. Existem outros projetos que seguem uma linha semelhante, como Prospera, em Honduras, e iniciativas ligadas ao Seasteading Institute, apoiado pelo investidor Peter Thiel. Além disso, existe a conhecida Draper Nation, idealizada pelo investidor Tim Draper, que também busca criar comunidades digitais ou semiautônomas, regidas por suas próprias regras e com forte dependência da tecnologia blockchain.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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