Banco Central mantém taxa Selic
O Banco Central do Brasil decidiu manter a taxa Selic, que é a referência dos juros básicos do país, em 15% ao ano durante a primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) deste ano, realizada na quarta-feira, dia 28. Essa decisão foi unânime entre os sete diretores que compõem o colegiado.
Após um ciclo de seis reuniões seguidas em que a taxa foi mantida, a Selic permanece no seu maior nível em 20 anos, um patamar que foi alcançado em junho de 2025.
Após um período considerado “bastante prolongado”, no qual o Banco Central sinalizou a intenção de manter os juros em um patamar alto para conter a inflação, o Copom indica que, caso o cenário projetado se confirme até a próxima reunião, prevista para março, poderá iniciar a flexibilização da política monetária. A magnitude do possível corte ainda não foi divulgada.
O comunicado do Copom ressalta que “o compromisso com a meta requer serenidade em relação ao ritmo e à magnitude do ciclo de reduções, os quais dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no alcance da meta de inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária”.
Assim, o colegiado enfatizou que “manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta estabelecida”.
Cenário econômico
O Banco Central voltou a chamar atenção para um ambiente econômico externo que ainda se mostra incerto, especialmente em função da política econômica dos Estados Unidos e de suas consequências nas condições financeiras globais.
Esse cenário exige cautela por parte de países emergentes, especialmente em um contexto marcado por tensões geopolíticas, conforme observado peloBC.
No que diz respeito ao cenário doméstico, a avaliação do Banco Central indica que os indicadores econômicos estão convergindo de forma favorável ao trabalho da política monetária. A atividade econômica demonstra sinais de moderação, e o mercado de trabalho continua resiliente. Apesar disso, a inflação e seus componentes permanecem acima da meta perseguida pela autarquia.
O Comitê está atendo aos impactos que o contexto geopolítico pode ter sobre a inflação brasileira, assim como a maneira pela qual as decisões na política fiscal nacional podem influenciar a política monetária e os ativos financeiros. Essa prudência se torna ainda mais evidente em um cenário de incertezas.
Especificamente, o ambiente econômico é caracterizado por expectativas desancoradas, projeções de inflação altas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho.
O Copom decidiu manter as estimativas em relação ao horizonte relevante da política monetária, projetando um IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de 3,2% para o terceiro trimestre de 2027. Entretanto, as projeções para os preços livres e os preços administrados foram reduzidas, passando a ser de 3,1% e 3,3%, respectivamente.
A expectativa para o ano em curso foi ajustada para baixo, passando de 3,5%, conforme previsto na reunião de dezembro, para 3,4% neste encontro atual.
O Banco Central estabelece como meta uma inflação acumulada em 12 meses de 3%, com uma margem de 1,5 ponto percentual.
Expectativas do mercado
A diretoria do Banco Central atendeu às expectativas previamente divulgadas pelo mercado.
De acordo com o Sistema de Expectativas de Mercado, apurado semanalmente pelo Banco Central para o boletim Focus, a mediana das previsões dos agentes econômicos indicava a manutenção da taxa de juros em 15% nesta quarta-feira, antecipando um corte apenas na próxima reunião, que será realizada nos dias 17 e 18 de março.
As projeções indicam que a taxa de juros deve fechar o ano em 12% e não deve ficar abaixo de dois dígitos antes do final de 2027.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br

