BC menciona 'serenidade e cautela' na decisão sobre juros; confira o comunicado

BC menciona ‘serenidade e cautela’ na decisão sobre juros; confira o comunicado

by Fernanda Lima
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A decisão do Banco Central sobre a Selic

A cúpula do Banco Central (BC) tomou uma decisão unânime ao votar pela redução da taxa de juros em 0,25 ponto percentual, elevando a Selic para 14,5% ao ano, conforme anunciado nesta quarta-feira, dia 29.

Tal resultado era amplamente esperado pelo mercado, especialmente em um contexto marcado pela deterioração das expectativas de inflação desde o início do conflito no Oriente Médio, que se intensificou há cerca de dois meses.

Na nota divulgada, o Comitê de Política Monetária (Copom) enfatizou a necessidade de agir com “serenidade e cautela” nos próximos passos relacionados à política de juros. Isso ocorre em um cenário de “forte aumento da incerteza”, ao mesmo tempo em que o Comitê busca incorporar novas informações que possam esclarecer os efeitos do conflito em andamento.

A nota do Comitê de Política Monetária

No comunicado do Copom, foi ressaltada a redução da taxa Selic para 14,50% ao ano. O documento menciona que o ambiente externo ainda é repleto de incertezas, particularmente devido à indefinição sobre a duração, extensão e desdobramentos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio. Esta situação tem gerado impactos nas condições financeiras globais, demandando cautela de países emergentes em meio a um ambiente de alta volatilidade nos preços de ativos e commodities.

Cenário doméstico

Dentro do cenário nacional, os indicadores continuam a mostrar, conforme esperado, uma trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica. O mercado de trabalho, por sua vez, ainda exibe sinais de resiliência. As divulgações mais recentes revelam que tanto a inflação geral quanto as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se cada vez mais da meta estabelecida para a inflação.

As expectativas de inflação para 2026 e 2027, conforme apurado na pesquisa Focus, permanecem acima da meta, apresentando valores de 4,9% e 4,0%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o quarto trimestre de 2027, que é o horizonte relevante em termos de política monetária, situa-se em 3,5%, segundo o cenário de referência.

Riscos para a inflação

Os riscos associados à inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem superiores ao usual, principalmente em função da incerteza em torno dos conflitos no Oriente Médio. Entre os riscos que podem elevar as expectativas inflacionárias, destacam-se os seguintes: (i) potencial desancoragem das expectativas de inflação por um período prolongado, com horizontes mais longos incorporando possíveis impactos de segunda ordem resultantes de restrições na oferta de petróleo e seus derivados; (ii) uma resiliência maior na inflação de serviços do que a previamente projetada, devido a um hiato do produto mais positivo; e (iii) uma conjunção de políticas econômicas, tanto externas quanto internas, que resultem em um impacto inflacionário maior do que o esperado, possivelmente através de uma taxa de câmbio que permaneça depreciada por um período significativo.

Do lado oposto, os riscos de baixa incluem: (i) uma desaceleração da atividade econômica doméstica que seja mais acentuada do que a projetada, impactando o cenário inflacionário; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada, em decorrência de choques relacionados ao comércio e ao petróleo, além de um ambiente de maior incerteza; e (iii) uma eventual redução nos preços das commodities que gere efeitos desinflacionários.

Acompanhamento da política fiscal

O Comitê tem acompanhado como os desenvolvimentos da política fiscal interna influenciam a política monetária e os ativos financeiros, o que reforça a postura de cautela em um ambiente de incerteza crescente. Os atuais indicadores de atividade econômica mostram uma recuperação em relação ao último trimestre do ano de 2025, permanecendo alinhados a uma trajetória de desaceleração no acumulado de 2026. Nesse contexto, é importante ressaltar que as expectativas estão desancoradas, há projeções elevadas de inflação e pressões no mercado de trabalho.

O Comitê considera os impactos dos conflitos no Oriente Médio de forma prospectiva, especialmente em relação a seus efeitos na cadeia de suprimentos global e nos preços de commodities que impactam a inflação no Brasil, tanto de maneira direta quanto indireta. Neste momento, as projeções de inflação demonstram uma distância adicional em relação à meta, levando em conta o horizonte relevante para a política monetária. Simultaneamente, a incerteza acerca dessas projeções aumentou consideravelmente, dada a falta de clareza em relação à duração dos conflitos e seus efeitos sobre os condicionantes dos modelos de projeção analisados.

Decisão e integrantes do Comitê

O Copom decidiu por reduzir a taxa básica de juros para 14,50% ao ano, considerando que tal decisão está em consonância com a estratégia de convergência da inflação em torno da meta prevista ao longo do horizonte relevante. Além de seu objetivo primordial de garantir a estabilidade de preços, essa decisão também implica uma suavização das flutuações no nível de atividade econômica, buscando assim promover o pleno emprego.

Diante do atual cenário, que é caracterizado por um aumento expressivo da incerteza, o Comitê reafirma a necessidade de agir com serenidade e cautela na condução da política monetária. Esta abordagem permitirá que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros levem em consideração novas informações, as quais podem ampliar a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre a evolução dos preços ao longo do tempo.

Os integrantes do Comitê que votaram a favor dessa decisão incluem: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David e Paulo Picchetti.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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