Copom mantém taxa Selic em 15% ao ano
O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano. Este movimento foi analisado em quatro aspectos principais.
Decisão de redução da taxa Selic
O Copom, em sua reunião, optou por cortar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, reduzindo-a de 14,75% para 14,50% ao ano, conforme anunciado na quarta-feira, dia 19. Essa decisão representa a segunda flexibilização dos juros, sendo novamente unânime.
O corte se alinha com as expectativas do mercado. Na última atualização, que teve como referência a segunda-feira, dia 27, o contrato de Opções de Copom da B3 indicava uma chance de 90,5% para que o Banco Central (BC) reduzisse os juros em 0,25 ponto percentual.
Justificativa da decisão
O comunicado do Copom esclareceu que a decisão de reduzir a taxa básica de juros para 14,50% ao ano é compatível com a estratégia de convergência da inflação para níveis próximos da meta ao longo do horizonte relevante.
Além disso, os diretores destacaram que, apesar de seu objetivo primordial de garantir a estabilidade de preços, essa decisão também busca suavizar as flutuações da atividade econômica e promover o pleno emprego.
Contexto internacional e riscos externos
Os diretores do Copom mantiveram menção ao conflito no Oriente Médio, afirmando que o cenário externo permanece incerto, especialmente devido à incerteza relacionada à duração, extensão e desdobramentos deste conflito.
O ambiente global requer cautela por parte de países emergentes, que estão expostos a uma alta volatilidade nos preços de ativos e commodities. Os diretores também observaram que os riscos para a inflação continuam elevados, influenciados pelo conflito. Entre os riscos de aumento de preços, estão as possíveis restrições de oferta de petróleo e seus derivados. Por outro lado, os riscos de redução de preços incluem uma desaceleração econômica global mais profunda, resultante de choques comerciais e do petróleo.
Desempenho da economia brasileira
Com relação ao cenário doméstico, os diretores do Banco Central mencionaram que os indicadores de atividade econômica continuam a mostrar uma trajetória de moderação no crescimento. O mercado de trabalho, no entanto, ainda apresenta sinais de resiliência.
A dinâmica da inflação, por sua vez, se alterou. Em março, o BC havia reconhecido uma desaceleração nos índices inflacionários. No entanto, os índices gerais e as medidas subjacentes de inflação aceleraram, distanciando-se ainda mais da meta estabelecida.
As expectativas de inflação do mercado também estão desancoradas. Segundo a pesquisa Focus, as expectativas para 2026 e 2027 situam-se além da meta, com projeções em 4,9% e 4,0%, respectivamente. Para o quarto trimestre de 2027, o Copom projeta a inflação em 3,5%, considerando o cenário de referência.
Riscos para a inflação
Os riscos relacionados à inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem acima do habitual, em função da incerteza causada pelos conflitos no Oriente Médio.
Entre os riscos de alta, destacam-se:
- A desancoragem das expectativas de inflação por um período prolongado, com horizontes mais longos considerando impactos potenciais de restrições de oferta de petróleo;
- Uma maior resiliência da inflação nos serviços do que a projetada, devido a um hiato do produto mais favorável;
- A combinação de políticas econômicas, tanto externas quanto internas, que possam gerar um impacto inflacionário superior ao esperado, como uma taxa de câmbio persistentemente depreciada.
Em contraposição, os riscos de baixa para o cenário inflacionário e as expectativas incluem:
- Uma desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que o esperado, que poderia impactar a inflação;
- Uma desaceleração global mais pronunciada, resultado de choques comerciais e no petróleo, em um cenário de crescente incerteza;
- Uma queda nos preços das commodities, resultando em efeitos desinflacionários.
O Comitê também continua a monitorar como os desenvolvimentos da política fiscal do país impactam a política monetária, mantendo uma postura cautelosa em um contexto de incertezas.
Perspectivas de cortes adicionais na Selic
O Copom indicou que a continuidade no ciclo de cortes da Selic é considerada apropriada. Essa decisão leva em conta o prolongado período em que a taxa básica de juros permaneceu em um patamar restritivo, o que proporcionou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica, criando condições para ajustes na durabilidade e na extensão desse processo.
Em seu comunicado, o Comitê reafirmou que, sem comprometer o objetivo central de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também busca suavizar as oscilações no nível de atividade econômica e estimular o pleno emprego.
Os integrantes do Copom informaram que as decisões futuras serão tomadas com base em novas informações, garantindo que o nível de juros esteja alinhado à convergência da inflação em direção à meta estabelecida.
O Comitê enfatizou que, no contexto atual, marcado por uma intensa incerteza, se manterão a serenidade e a cautela na condução da política monetária, para que os próximos passos possam integrar informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, além dos efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo.
Decisão unânime do Copom
Conforme o comunicado, os diretores do Banco Central chegaram a um consenso, resultando em uma decisão unânime.
Os membros Gabriel Galípolo (presidente), Ailton de Aquino, Gilneu Vivan, Izabela Correa, Nilton Schneider e Paulo Picchetti votaram pela redução de 0,25 ponto percentual, diminuindo a Selic para 14,50% ao ano.
Comunicado do Copom
O comunicado oficial do Copom reflete a análise e as decisões tomadas pelo comitê em sua última reunião, destacando os principais pontos abordados e as justificativas para as ações realizadas.
Fonte: www.moneytimes.com.br


