Conflito em torno da eleição do Conselho de Administração da Vale (VALE3)
A eleição para o Conselho de Administração da Vale (VALE3), agendada para a próxima quarta-feira, dia 22, intensificou as tensões entre o governo federal e o Congresso Nacional.
Uma reportagem veiculada pela CNN Brasil neste sábado, dia 18, informa que parlamentares estão debatendo a possibilidade de estabelecer uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com o objetivo de investigar uma presumida interferência do Executivo nas operações da mineradora.
A matéria alegou que membros do Congresso vinculam ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, a iniciativa de apoiar candidatos que estão alinhados com as diretrizes do governo. Além disso, a reportagem sugere que o ministro teria feito contatos telefônicos individuais com conselheiros da Vale, buscando apoio para o candidato indicado pelo Executivo.
Na disputa pelo cargo, dois candidatos estão em evidência: o atual vice-presidente, Marcelo Gasparino, e Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como Ollie, que foi indicado pela Previ, fundo de previdência dos funcionários do Banco do Brasil.
Vale destacar que a Previ possui uma participação de 6,8% na Vale, sendo a maior acionista da empresa, embora essa porcentagem não lhe assegure controle total, ainda assim confere ao fundo um poder significativo para influenciar a votação.
Disputa acirrada após a saída de Daniel Stieler
A recente disputa pela liderança do Conselho de Administração se intensificou após a renúncia de Daniel Stieler ao cargo. Em junho, a Previ havia articulado a remoção de Stieler, que foi indicado ao conselho em 2021. Inicialmente, o executivo mostrou resistência à sua saída, mas acabou aceitando um acordo que culminou na formalização de sua renúncia em 6 de julho.
Antes da renúncia, o Ministério de Minas e Energia tinha solicitado uma reunião com todos os membros do conselho. No entanto, essa solicitação provocou desconforto entre os conselheiros, que consideraram que o ministério não era a instância adequada de comunicação entre a empresa e o governo. Por essa razão, a reunião não foi realizada.
Estratégia a ser adotada em três etapas
Segundo informações coletadas pelo portal de notícias, o Congresso planeja implementar um movimento em diferentes fases. Caso Ollie seja eleito, ele inicialmente assumiria a presidência do conselho da Vale, ao mesmo tempo em que buscaria liderar a Vale Base Metals, que está localizada em Londres. Posteriormente, renunciaria à presidência da Vale, permanecendo como conselheiro até abril de 2027.
Essa saída abriria a oportunidade para um novo nome de preferência do governo: José Maurício Pereira Coelho, o qual também tem o apoio da Previ e é visto como próximo da presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros. Outro executivo citado é Bill Bruijn, ex-CEO da Anglo American no Brasil, que é um competidor global da Vale, e onde Ollie construiu sua carreira.
Para que este plano se concretize, Coelho precisa ser eleito conselheiro na assembleia agendada para a próxima quarta-feira. Ele está concorrendo a uma vaga com Ieda Gomes Yell, uma candidata que conta com o apoio da administração da mineradora.
Caso Ollie ocupe a presidência do conselho e Coelho componha o colegiado, a estratégia estipula que Ollie sugira Coelho para o comitê responsável por elaborar a lista de candidatos que concorrerão à eleição do conselho para o período entre 2027 e 2029. Na referida lista, Coelho seria considerado o favorito para a sucessão.
Adicionalmente, fontes ligadas ao comitê executivo indicaram à reportagem que uma das próximas mudanças almejadas pelo governo seria a substituição do CEO, Gustavo Pimenta, que está à frente de projetos que não progrediram conforme o esperado.
Fonte: www.moneytimes.com.br

