Impacto do Tarifaço Americano na Economia Brasileira
O tarifaço americano ocasionará efeitos desiguais na economia do Brasil. O impacto não será sentido por todos os setores igualmente, mas em segmentos e regiões específicas que têm uma alta dependência de um único comprador. Este comprador decidiu, repentinamente, restringir suas importações.
Setores Mais Afetados
Em primeiro lugar na lista de setores impactados está a indústria madeireira, que apresenta uma exposição de 83%, a maior entre todas as indústrias analisadas. Essa informação provém de um estudo realizado pelo IBEVAR – FIA Business School, através do núcleo LabFin-Provar, e foi divulgado em primeira mão ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC em julho de 2026.
O levantamento combina dados da CNI e proporciona uma matriz que revela o local exato onde o choque econômico afeta mais intensamente, tanto por setor quanto por região. As exportações diretamente impactadas somam US$ 11 bilhões, o que se traduz em R$ 76 bilhões, representando entre 0,5 e 0,6 ponto percentual do PIB projetado para 2026. No setor madeireiro, as perdas são estimadas em US$ 1,2 bilhão, o que equivale à metade da produção total do segmento.
Outros Setores em Perigo
Após o setor de madeira, destacam-se os setores de minerais não metálicos, com uma exposição de 56,3%; produtos químicos, com 51,8%; e alimentos, com 38,1%. O estudo também revela uma dependência elevada do mercado americano em setores como Embraer, calçados, têxteis, móveis e máquinas.
No caso da Embraer, o levantamento estima perdas de R$ 20 bilhões até 2030 apenas devido ao tarifaço, indicando que os efeitos negativos se estenderão além do curto prazo. No setor de bens de capital e máquinas, uma avaliação feita pelo banco Safra revela que a WEG sofrerá um impacto tarifário de cerca de 1,4% da receita consolidada em decorrência da nova alíquota. Por outro lado, a Frasle, do setor automobilístico, reporta um efeito mais moderado, visto que a tarifa de 25% não será cumulativa com outras sobretaxas já aplicadas em mecanismos comerciais dos Estados Unidos.
Cenário no Setor Calçadista
No setor de calçados, a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados projeta uma retração média de 3,6% nas exportações totais até o fim de 2026. Essa situação se agrava na medida em que a nova tarifa reduz a competitividade do calçado brasileiro nos Estados Unidos, revertendo parte da recuperação observada após o término de uma sobretaxa anterior, que foi encerrada em fevereiro.
A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção também expressa preocupações em relação aos efeitos adversos que o tarifaço poderá causar na produção, no emprego e na integração das cadeias produtivas do setor.
Estados Com Maior Exposição
Conforme o estudo do IBEVAR – FIA Business School, os estados de São Paulo e Santa Catarina concentrarão 52% de todo o impacto do tarifaço mais recente. Santa Catarina, em particular, é o caso mais extremo, com 68% de suas exportações para os Estados Unidos sendo afetadas.
O Ceará se destaca por outra razão: 96,5% das suas exportações ao mercado americano são originadas da indústria, com o polo de Pecém, em destaque, respondendo sozinho por US$ 441,3 milhões. Assim, a exposição do Ceará está menos relacionada ao volume total exportado e mais à dependência quase total do setor industrial local.
Resposta do Governo
Em resposta a esse panorama de vulnerabilidade, o estudo do IBEVAR – FIA Business School menciona o plano da ApexBrasil, que aloca R$ 130 milhões para a diversificação de mercados. No entanto, essa iniciativa é considerada estatisticamente irrelevante diante da magnitude do choque identificado. A discrepância de escala entre o programa de diversificação e os US$ 11 bilhões afetados evidencia a desarticulação entre as medidas disponíveis e a extensão do problema identificado.
Dessa forma, o levantamento liga o tarifaço setorial ao risco fiscal do país através de uma série de perguntas que abordam desde as exportações perdidas até os impactos sobre economias regionais inteiras, segundo o estudo do IBEVAR – FIA Business School.
Fonte: timesbrasil.com.br


