Impactos do Tarifaço Americano no Brasil
O discurso sobre a soberania brasileira é necessário, mas precisa ser claro ao afirmar que haverá custos significativos a serem suportados. O tarifaço imposto pelos Estados Unidos trará duas consequências para o Brasil: a primeira é a queda nas exportações, resultando em perdas para as indústrias locais; a segunda, um aumento da dívida pública para cobrir as lacunas orçamentárias criadas por esse impacto.
Essas informações foram reveladas por um estudo realizado pelo IBEVAR – FIA Business School, em colaboração com o núcleo LabFin-Provar, que foi divulgado em primeira mão ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Diminuição da Arrecadação e Aumento da Dívida
Conforme apontado no estudo, a atividade industrial em desaceleração está reduzindo a arrecadação federal. Além disso, os custos decorrentes do apoio governamental já somam bilhões de reais em compromissos fiscais diretos relacionados a subvenções. Essas duas dinâmicas convergem para um mesmo impacto: a dívida bruta do Brasil deve aumentar de 78% para 83% do PIB neste ano, com projeções para alcançar entre 86% e 87% do PIB até 2027, sem que haja sinais de estabilização significativa nesse cenário.
Déficit Primário e Custo Fiscal
O levantamento indica que o débito primário previsto para 2026 está em cerca de 0,50% do PIB, pressionado pela queda na arrecadação afligida pela desaceleração industrial. Em paralelo, o custo fiscal direto associado ao Fundo Garantidor de Exportações já alcançou R$ 1,5 bilhão, que se soma a um pacote orçamentário estimado entre R$ 187 bilhões e R$ 227 bilhões, do qual 94% ficará fora do arcabouço fiscal tradicional.
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Duas Pressões Financeiras sobre o Orçamento
De acordo com o estudo do IBEVAR – FIA Business School, a situação pode ser descrita como um fenômeno de efeito duplo. Primeiro, o tarifaço resulta na diminuição da receita de exportações que impacta o setor. Para lidar com essa crise, o governo responde oferecendo crédito subsidiado através do BNDES, com a intenção de amenizar os efeitos sobre as empresas exportadoras. Entretanto, esse socorro tem um custo fiscal próprio e coincide com uma queda na arrecadação causada pela própria lenta atividade industrial.
Dessa forma, o mesmo impacto externo aparece duas vezes nas contas públicas: inicialmente na receita perdida devido às exportações e, em seguida, no orçamento que precisa cobrir tanto a queda nas arrecadações quanto o crédito emergencial destinado às empresas em dificuldades.
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Pressão na Disponibilidade de Crédito
Conforme o estudo, o Plano Brasil Soberano lançou, inicialmente, R$ 40 bilhões em linhas de crédito, distribuídos entre R$ 30 bilhões do Fundo Garantidor de Exportações e R$ 10 bilhões do BNDES. Uma segunda fase, que se efetivou por meio da Medida Provisória 1.345 de 2026, ampliou esse total em mais de R$ 15 bilhões.
Entretanto, até o momento, foram protocolados R$ 18,4 bilhões em pedidos, deixando aproximadamente R$ 21 bilhões ainda disponíveis sob o limite anunciado. O BNDES já solicitou um reforço de R$ 7,25 bilhões ao Tesouro Nacional, indicando que a demanda emergencial por recursos já está pressionando o teto de socorro, mesmo antes da conclusão da primeira fase.
Esse aumento na dívida pública sem um ajuste fiscal adequado tende a elevar o prêmio de risco cobrado pelo mercado, o que, por sua vez, encarece o custo de rolagem da dívida, levando a ainda mais endividamento.
Repercussões nos Indicadores de Risco Soberano
Esse padrão pode influenciar negativamente indicadores de risco soberano, como CDS e o EMBI+, além da perspectiva de rating que agências como S&P, Moody’s e Fitch atribuem ao Brasil, conforme relatado pelo levantamento.
Circuito de Efeitos do Tarifaço
O estudo elabora um circuito de cinco etapas que ilustra como o fenômeno ocorre:
Na primeira etapa, o tarifaço diminui a receita das exportações setoriais. Na sequência, o governo fornece socorro às indústrias afetadas através de crédito subsidiado via BNDES. A terceira etapa observa que a redução na atividade econômica e os subsídios correspondentes diminuem a arrecadação líquida de impostos. Subsequentemente, o déficit primário e a dívida bruta recebem pressão adicional. Por último, o prêmio de risco exigido pelo país se eleva, reiniciando a pressão sobre toda a economia.
Dessa maneira, cada uma das etapas interliga-se com a seguinte, até que se chegue ao custo dos juros pagos pelo país como um todo, de acordo com os dados provenientes do estudo do IBEVAR – FIA Business School.
Fonte: timesbrasil.com.br


