Movimentação de Investidores Estrangeiros no Brasil
O Brasil tem se consolidado como um porto seguro para muitos investidores internacionais. Em janeiro, o Ibovespa atingiu novos recordes ao receber uma considerável quantidade de novos investimentos.
Dados fornecidos pela B3, a bolsa de valores do Brasil, revelam que, até o dia 9 de fevereiro, houve uma entrada líquida de quase R$ 4,2 bilhões por parte de investidores estrangeiros, após um saldo positivo de R$ 26,3 bilhões em janeiro. Esse montante representa o total de aportes realizados no ano de 2025.
Fatores que Influenciam o Fluxo Estrangeiro
O principal fator por trás do fluxo de investimentos estrangeiros foi a rotação no cenário global, iniciada na última quinzena de janeiro. Isso ocorreu devido à retirada de dólares dos mercados norte-americanos, impulsionada por um aumento das tensões geopolíticas envolvendo o presidente Donald Trump, especialmente em relação à Venezuela, Groenlândia e Irã.
Segundo os estrategistas do Itaú BBA, Victor Natal e Mathias Venosa, “diante de crescentes incertezas geopolíticas envolvendo algumas das principais potências mundiais, os investidores continuam a reduzir sua exposição em ativos norte-americanos, buscando maior diversificação geográfica.”
Pelo lado positivo, o Brasil contou com a adesão de Stanley Druckenmiller, um bilionário americano e ex-gestor de fundos de hedge, que decidiu substituir seus investimentos na Argentina pelos do Brasil.
Movimentações de Stanley Druckenmiller
Um relatório 13-F do fundo Duquesne, apresentado à SEC, que é a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, indicou que Druckenmiller diminuiu consideravelmente sua exposição à Argentina, realizando a venda quase total de sua participação na YPF (YPF) e no Global-X MSCI Argentina ETF (ARGT), o que equivale a aproximadamente US$ 788 milhões.
Em contrapartida, o investidor bilionário estabeleceu uma posição significativa no iShares MSCI Brazil ETF (EWZ), investindo tanto em ações diretas quanto em opções de compra (call options). De acordo com os registros, Druckenmiller acrescentou 3,5 milhões de ações ao EWZ, totalizando um investimento de US$ 9,1 bilhões no quarto trimestre de 2025.
Embora não seja possível determinar a data precisa em que Druckenmiller adquiriu o ETF, a estimativa aponta um rendimento total de cerca de US$ 50 milhões, considerando apenas o valor da exposição. Em contrapartida, a participação de Druckenmiller no Nubank foi encerrada; ele possuía 1,45 milhões de ações até o final do trimestre de setembro.
Outras Apostas do Fundo Duquesne
- Invesco S&P 500 Equal Weight ETF (RSP): apostando na movimentação dos investidores que buscam sair do setor tecnológico;
- Financial Select Sector SPDR ETF (XLF): foco no setor financeiro dos Estados Unidos.
Além disso, a Duquesne possui investimentos em Alcoa, com uma posição avaliada em US$ 73 milhões em dezembro, e também em Delta, com US$ 45 milhões, United Airlines, com US$ 39 milhões, e American Airlines, com um investimento de US$ 10 milhões.
Stanley Druckenmiller, responsável pela fundação da Duquesne Capital Management em 1981, também foi gestor do famoso Quantum Fund de George Soros, no período de 1988 a 2000.
Ele se destacou na década de 90 pela notável aposta contra a libra esterlina, um episódio que ficou conhecido nos mercados como Quarta-Feira Negra, resultando em um lucro superior a US$ 1 bilhão em apenas um dia.
Fonte: www.moneytimes.com.br

