A Secretaria da Fazenda de São Paulo (Sefaz-SP) anunciou o bloqueio de R$ 176 milhões relacionados ao grupo Genial Investimentos. Essa ação está inserida em um contexto de uma operação cautelar fiscal que visa a recuperação de altos valores que teriam sido sonegados por empresas do setor de combustíveis.
A situação em questão envolve uma estrutura financeira complexa, caracterizada por operações entre diversos fundos, além de empréstimos e garantias. As autoridades estão investigando possíveis atividades ilícitas, como lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
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Investigação
A ação da Sefaz-SP concentra-se nas empresas Ásper e Copape, que atuam nos segmentos de distribuição e formulação de combustíveis. Os empresários Mohamad Hussein e Roberto Augusto Leme, conhecidos popularmente como Primo e Beto Louco, estão à frente dessas operações.
As investigações em torno dessas empresas fazem parte da Operação Carbono Oculto, onde há suspeitas de sonegação fiscal e organização criminosa. O objetivo da Fazenda é recuperar aproximadamente R$ 7,6 bilhões em ICMS, incluindo juros e multas, conforme reportado pelo UOL.
Operação Carbono Oculto
Esta operação foi lançada em 28 de agosto de 2025 pela Receita Federal e pelo Ministério Público de São Paulo, sendo reconhecida como a maior ação já conduzida no Brasil contra o crime organizado.
Um contingente de 1.400 agentes participou da operação simultaneamente, que tinha 350 alvos distribuídos por oito estados. As investigações englobam suspeitas de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, adulteração de combustíveis e crimes contra a ordem econômica.
Segundo as investigações, a facção criminosa PCC controlava, em sua maioria, cerca de 40 fundos de investimento que somavam um patrimônio aproximado de R$ 30 bilhões.
Além disso, foi constatado que o grupo operava uma fintech, utilizada como um banco paralelo, que movimentou R$ 46 bilhões sem registro entre 2020 e 2024. O total de tributos sonegados, até o momento, supera R$ 7,5 bilhões.
Como o dinheiro chegou à Genial?
A conexão entre o grupo sob investigação e a Genial iniciou-se no segundo semestre de 2024. Naquela época, os empresários transferiram suas operações financeiras após a liquidação da gestora Reag pelo Banco Central.
Nesse processo, as empresas investigadas trouxeram para a Genial um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC), estimado em cerca de R$ 500 milhões, que estava vinculado a uma carteira de crédito consignado.
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Estrutura financeira
O bloqueio de R$ 176 milhões refere-se a uma operação específica. A usina Itajobi, parte do grupo investigado, aplicou essa quantia em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) da Genial por meio do fundo Radford. Após essa operação, a instituição financeira concedeu um empréstimo através de uma Cédula de Crédito Bancário (CCB), utilizando o mesmo CDB como garantia.
Uma parcela dos recursos foi enviada para uma empresa chamada Berna, que utilizou esses fundos para a aquisição de cotas de um fundo imobiliário. Esse fundo, ao longo do tempo, passou por reestruturações em sua administração.
Imóveis e garantias
As investigações revelaram que a empresa Berna possui cerca de 20 imóveis, avaliados em mais de R$ 200 milhões. Entre esses bens estão terrenos situados em diversas regiões da cidade de São Paulo e postos de combustíveis.
Essas propriedades foram utilizadas como garantias em operações financeiras, mesmo havendo garantias anteriores já estabelecidas. Para os investigadores, essa configuração pode sugerir o uso de recursos próprios para a aquisição indireta de bens, com a intenção de ocultá-los e protegê-los de possíveis execuções financeiras.
Posição da Genial Investimentos
Com o andamento das investigações, houve tentativas de desfazer as operações financeiras em questão. Entretanto, a Justiça considerou que essas movimentações poderiam configurar uma tentativa de evitar a execução, levando à manutenção do bloqueio dos valores. Em outubro, uma decisão judicial classificou a estrutura como uma possível “fraude à ordem de execução”. A Genial recorreu, mas teve sua apelação negada, com a decisão mais recente ocorrendo em 9 de janeiro.
Em uma declaração oficial, a Genial ressaltou que suas operações estão em conformidade com as normas do mercado financeiro e que a instituição adota padrões rigorosos de governança e transparência.
A Genial também enfatizou que o assunto se refere a um fundo sob sua administração e que ela atua como administradora fiduciária dentro das diretrizes legais. Além disso, a Genial Investimentos comunica que não é alvo de investigação na operação, mas que está colaborando com as autoridades.
Fonte: timesbrasil.com.br

