Bloqueio do Estreito de Ormuz por 40 dias pode provocar escassez global de petróleo

Bloqueio do Estreito de Ormuz por 40 dias pode provocar escassez global de petróleo

by Ricardo Almeida
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Volatilidade no Preço do Petróleo

O preço do petróleo deve prosseguir de maneira volátil, oscilando entre US$ 80 e US$ 100 por barril após o recente ataque dos Estados Unidos ao Irã, seguido de uma retaliação, segundo a análise feita por Marcus D’Elia, sócio da Leggio Consultoria.

As flutuações nas cotações dependerão diretamente da duração do bloqueio do Estreito de Ormuz. Caso o fechamento se estenda por mais de 40 dias, existe um risco significativo de escassez global desta commodity.

“O atual conflito impacta diretamente o Estreito de Ormuz, onde aproximadamente 15% das exportações mundiais de petróleo transitam. Desse montante, cerca de 80% é direcionado para a Ásia, incluindo países como China, Índia, Japão e Coreia do Sul. Devido às ameaças emitidas pelo governo iraniano de atacar embarcações que circulem pela região, diversas petroleiras decidiram suspender suas operações de navegação naquela área”, detalha D’Elia.

O especialista aponta que o estreito pode ser completamente fechado, especialmente caso sejam utilizadas minas submarinas, cuja remoção demanda um longo período antes do restabelecimento da navegação. Também existe a possibilidade de restrições operacionais, que surgem se o aumento do risco elevar os custos de seguro e frete, desencorajando os armadores a realizar o transporte de petróleo.

“O impacto pode variar de maneira significativa, dependendo do tempo em que a passagem permaneça interrompida”, declara.

Cenários para o Petróleo

Em uma situação em que a interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz seja breve, com duração de até 10 dias, o preço do barril poderia temporariamente aumentar, alcançando a marca de US$ 100. Aproximadamente 35% do volume que transita pelo estreito destina-se ao abastecimento da Ásia; no entanto, os estoques estratégicos disponíveis na China, Japão e Coreia do Sul são suficientes para cobrir entre 100 e 200 dias de importações, permitindo que essas nações atravessem esse período crítico.

A situação da Índia, por outro lado, é mais delicada, visto que o país possui reservas que atendem apenas para cerca de 60 dias.

“Se a interrupção durar até 40 dias, países como Estados Unidos e nações da União Europeia também poderiam acessar seus estoques estratégicos, o que ajudaria a reduzir a pressão sobre a demanda e a conter uma eventual alta no preço do petróleo. Apesar disso, a volatilidade deve aumentar, e as cotações podem se aproximar dos US$ 100”, comenta D’Elia.

O cenário mais pessimista, que é também o menos provável, seria a incerteza sobre a reabertura do Estreito de Ormuz por um período superior a 40 dias. Uma eventualidade nessa magnitude poderia resultar em uma escassez estrutural de petróleo no mercado global. Os estoques estratégicos, nesse caso, não seriam suficientes para estabilizar o mercado, considerando que cerca de 15% da produção mundial depende dessa rota.

“É bastante difícil quantificar as consequências que tal situação poderia gerar”, afirma D’Elia.

O especialista também frisa que não há capacidade ociosa suficiente que permita à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) compensar uma eventual perda de oferta.

“As nações produtoras relevantes — como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Irã — são diretamente impactadas pelo fechamento do Estreito de Ormuz. Adicionalmente, outros países, cuja produção já é inferior, não possuem a agilidade necessária para repor uma perda de cerca de 15 milhões de barris por dia. Para ilustrar, uma unidade de grande porte é capaz de produzir entre 150 mil e 200 mil barris diariamente”, conclui.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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