Resultados Financeiros da Boa Safra no Primeiro Trimestre de 2026
A Boa Safra (SOJA3), uma produtora brasileira de sementes de soja, divulgou seus resultados financeiros do primeiro trimestre de 2026, apresentando um lucro líquido consolidado de R$ 27,4 milhões. Esse número representa um crescimento de 62% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Impacto das Vendas de Cotas do SNAG11
Entretanto, é importante destacar que esse resultado foi impulsionado por um efeito não recorrente relacionado à venda das cotas remanescentes que a empresa ainda detinha do SNAG11, um fundo de investimento agropecuário da Suno Asset. Quando desconsiderado esse impacto, o lucro líquido ajustado, excluindo o SNAG11, foi calculado em R$ 3,7 milhões, o que representa uma queda de 36% em comparação ao ano anterior.
O diretor financeiro e de Relações com Investidores, Felipe Marques, esclareceu que tanto o lucro consolidado quanto o lucro ajustado possuem relevâncias distintas. O ganho total inclui os efeitos da venda do fundo, enquanto o resultado ajustado reflete apenas as operações contínuas da empresa, sem essa influência pontual. Marques destacou que “o que a gente fez foi dar comparabilidade, tirando a consolidação do SNAG11, para ter valores relativos comparáveis”.
Receita Operacional e Lucro Bruto
A receita operacional líquida da empresa apresentou um aumento de 20%, alcançando R$ 132,1 milhões. O lucro bruto foi de R$ 27,1 milhões, revertendo um resultado praticamente nulo que fora registrado no primeiro trimestre de 2025. A margem bruta subiu para 21%.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) contábil apresentou um resultado positivo de R$ 9,9 milhões, em contraste com um desempenho negativo de R$ 15,5 milhões registrado no ano anterior. Embora o Ebitda ajustado ainda tenha permanecido negativo em R$ 25,4 milhões, houve uma melhoria neste número quando comparado aos R$ 38,7 milhões negativos do primeiro trimestre do ano passado.
Considerações sobre o Desempenho Trimestral
De acordo com Marino Colpo, CEO da Boa Safra, o primeiro trimestre normalmente representa uma fração pequena do desempenho anual da companhia, visto que a maior parte das vendas de sementes de soja ocorre no segundo semestre do ano. Ele enfatizou que “o resultado do primeiro trimestre não é o número que faz a grande diferença do ano, mas isso ocorre pela razão do nosso negócio”. Colpo também afirmou que a empresa vem diversificando o mix de culturas para aumentar a relevância do início do ano em sua receita.
Carteira de Pedidos e Expectativas Futuras
A carteira de pedidos da Boa Safra atingiu aproximadamente R$ 1,5 bilhão no final de março, um recorde para um primeiro trimestre e cerca de R$ 100 milhões a mais do que no mesmo período de 2025. Colpo considerou esse crescimento um dos principais sinais positivos do balanço, afirmando que a carteira de pedidos serve como um indicativo do que pode ser esperado ao longo do ano.
A ampliação da receita também refletiu o crescimento nas operações além da soja. No primeiro trimestre, a receita líquida de novas culturas, serviços e insumos atingiu R$ 82 milhões, um aumento de 31% em relação ao primeiro trimestre de 2025, representando 76% do total das vendas de sementes no período.
Mudanças nas Receitas e Despesas
Felipe Marques observou que esse desempenho indica que a diversificação das operações ganhou um papel mais significativo no início do ano. Ele comentou que “a maior receita do trimestre veio de outros negócios, e não de semente de soja. Isso é algo inédito na companhia”.
Entretanto, a pressão sobre o lucro ajustado excluindo o SNAG11 foi fortemente influenciada pelos resultados financeiros. As despesas financeiras aumentaram 78%, totalizando R$ 79,3 milhões, enquanto os juros sobre empréstimos saltaram de R$ 18,6 milhões para R$ 57,6 milhões. Esse aumento se deve à incorporação dos encargos dos certificados de recebíveis do agronegócio emitidos nos meses de janeiro e setembro de 2025.
Essa situação elevou os custos financeiros no curto prazo, ao passo que também ajudou a alongar o perfil da dívida da empresa. No final de março, a dívida líquida consolidada da Boa Safra estava em R$ 848,4 milhões, comparada a R$ 519,2 milhões no primeiro trimestre de 2025. O saldo em caixa e aplicações financeiras somou R$ 777,2 milhões. Da dívida bruta, que é de R$ 1,63 bilhão, apenas R$ 61,7 milhões têm vencimento previsto para menos de um ano.
Fonte: www.moneytimes.com.br