BofA prevê um único corte na Selic e aumenta a projeção da taxa para 14,25% até o final do ano.

Revisão das Projeções da Selic pelo Bank of America

O Bank of America (BofA) revisou sua previsão para a taxa básica de juros, a Selic, aumentando-a de 13,25% para 14,25% ao ano em dezembro. Essa mudança indica que haverá um último corte nos juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), agendada para o dia 17 de junho, seguida de uma pausa prolongada até meados de 2027.

Perspectivas Macroeconômicas

Em um relatório, o chefe de economia do Brasil no BofA, David Beker, observa que o cenário macroeconômico se tornou significativamente menos favorável para novos cortes na Selic. Segundo ele, essa alteração reflete uma combinação de fatores, incluindo a deterioração da dinâmica inflacionária atual, um aumento nas expectativas de inflação e a desvalorização do real.

Ainda de acordo com Beker, a atividade econômica continua a ser sustentada por estímulos fiscais e de crédito, o que acaba por adiar o ajuste necessário nas condições de demanda. O economista também ressalta que os riscos adicionais de alta, resultantes de fatores como o fenômeno de El Niño e a mudança para a jornada de trabalho de 6×1, ainda não foram considerados nas estimativas do banco para a Selic. Esses fatores indicam uma maior persistência da inflação no futuro, o que pode complicar a política monetária.

Ele acrescenta que, “neste contexto, o espaço para novas flexibilizações monetárias é limitado, e os patamares para cortes adicionais tornaram-se significativamente mais elevados, alinhando-se a um cenário de juros altos por um período prolongado”.

Expectativas sobre Aumento das Taxas

O BofA prevê que não haverá aumento nas taxas de juros até pelo menos meados de 2027. O relatório indica que, apesar de os riscos estarem voltados para o lado positivo, não se espera um aumento das taxas pelo Banco Central, uma vez que as taxas reais ainda são consideradas restritivas, situando-se em 9,5%.

O afrouxamento monetário, segundo os especialistas do banco, poderá ser retomado em sincronia com o Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos) no próximo ano.

Adicionalmente, a estimativa para a Selic em 2027 foi ajustada pelo banco, passando de 13,25% ao ano para 12,50% ao ano.

Expectativa para Inflação

No mesmo relatório, o BofA afirma que o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA), que é a principal referência de inflação para o Banco Central, subiu de 4,37% em meados de abril para 4,68% em maio, segundo os cálculos do banco. O dado oficial referente ao mês passado será divulgado na próxima sexta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Além disso, o BofA observa que as expectativas de inflação se distanciaram da meta estabelecida. De acordo com o último Relatório Focus, a expectativa mediana do IPCA para dezembro deste ano subiu para 5,09%, o que representa um aumento de 23 pontos-base em relação à meta do Banco Central.

Embora tenha havido uma queda nos preços do petróleo desde a última reunião do Copom, em abril, e a taxa de câmbio esteja avaliada em R$ 5,05, o BofA projeta uma inflação próxima de 3,5% até o final do horizonte relevante do Banco Central.

Num contexto de um real mais fortalecido, estimando-se ao redor de R$ 5,15, a projeção de inflação do BofA é de 3,6%, o que também ultrapassa a meta do Banco Central.

O cenário-base do banco indica que a inflação se manterá acima do limite superior da meta até meados de 2027, reforçando a opinião de que a convergência será um processo lento.

O economista do BofA ressalta que, “conforme os efeitos dos novos estímulos fiscais e de crédito diminuem, a desaceleração cíclica da atividade deve se reestabelecer e contribuir para a contenção da inflação”.

Perspectiva para uma Selic Elevada

A projeção do BofA para a Selic em 14,25% ao ano em dezembro é compartilhada com o BTG Pactual. Na última semana, outros importantes participantes do mercado também revisaram suas projeções para o cenário macroeconômico brasileiro.

O Itaú BBA elevou sua projeção para a Selic terminal de 2026, passando de 13,25% para 13,75%. Essa alteração leva em consideração que os dados recentes da economia e a piora da inflação global não proporcionam margem para uma aceleração do afrouxamento monetário pelo Banco Central, mesmo diante de uma possível acomodação nos preços do petróleo.

A XP Investimentos e o Barclays também elevaram suas estimativas da taxa básica de juros de 13,75% para 14% em dezembro deste ano. O BTG Pactual revisou sua projeção de 13% para 14,25%.

Na última sexta-feira (5), a curva de juros futuros passou a indicar uma probabilidade de 60% de que a taxa Selic permanecerá estável em 14,50% na próxima reunião do Copom.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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