Bradesco registra lucro de R$ 7,05 bilhões no 2T26, superando expectativas e evidenciando recuperação operacional

Desempenho Financeiro do Bradesco no Segundo Trimestre de 2026

O Bradesco (BOV:BBDC4) reportou um lucro líquido recorrente superior às expectativas do mercado no segundo trimestre de 2026. Esse resultado foi impulsionado pelo aumento da carteira de crédito, avanço nas receitas e melhora na rentabilidade da instituição. Entretanto, o banco também expandiu suas provisões para perdas e enfrentou um aumento na inadimplência, mantendo, por sua vez, uma postura mais cautelosa em relação ao cenário macroeconômico.

Lucro e Crescimento

No segundo trimestre de 2026, o Bradesco registrou um lucro líquido recorrente de R$ 7,05 bilhões, o que representa um crescimento de 16,2% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Esse montante superou ligeiramente a expectativa média do mercado, que era de R$ 6,95 bilhões, de acordo com as projeções compiladas pela LSEG. Esse resultado demonstra a continuidade da recuperação operacional do banco, sustentada pelo aumento da carteira de crédito, expansão das receitas e melhoria dos indicadores de rentabilidade.

Esses números refletem a trajetória de recuperação do Bradesco após um período marcado por desafios, incluindo o aumento da inadimplência e a necessidade de aumentar as provisões para perda em créditos. Ao longo dos últimos trimestres, a instituição tem buscado equilibrar o crescimento da concessão de empréstimos com uma gestão mais rigorosa de riscos, o que tem contribuído para a melhora gradual da rentabilidade, mesmo com o elevado nível de juros.

Indicadores Principais

Entre os principais indicadores do trimestre, o banco obteve um retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) de 16,2%, o que é superior aos 15,8% registrados no primeiro trimestre e aos 14,6% do mesmo período do ano anterior. A carteira de crédito expandida totalizou R$ 1,14 trilhão, com um aumento de 11,6% em relação ao ano anterior e um crescimento de 4,3% em comparação ao trimestre anterior, consolidando o Bradesco como um dos maiores financiadores da economia brasileira.

O crescimento da carteira de crédito foi disseminado entre os diversos segmentos. Comparando com o segundo trimestre de 2025, as operações voltadas para pessoas físicas cresceram 8,4%, enquanto os financiamentos para grandes empresas aumentaram 12,7%. As operações destinadas a micro, pequenas e médias empresas apresentaram uma expansão ainda mais expressiva, com um aumento de 16,1%, evidenciando uma demanda consistente por crédito entre diferentes perfis de clientes.

Projeções e Cautela

Apesar da expansão da carteira de crédito, o Bradesco decidiu manter suas projeções para 2026, que continuam a indicar um crescimento da carteira de crédito expandida entre 8,5% e 10,5%. Essa decisão sinaliza confiança na continuidade da atividade de concessão de crédito, mas também uma postura prudente frente às condições econômicas atuais.

O custo do crédito, por sua vez, continua pressionado. A despesa com provisões para devedores duvidosos (PDD) expandida alcançou R$ 10 bilhões, apresentando um aumento de 22,6% em relação ao mesmo período do ano anterior e um crescimento de 3,3% em relação ao trimestre imediatamente anterior. De acordo com o Bradesco, este aumento se deve principalmente à expansão da carteira de crédito, além do custo elevado das operações direcionadas ao varejo, o que foi parcialmente compensado por menores despesas nas operações de atacado.

Índices de Inadimplência e Receitas

O índice de inadimplência superior a 90 dias terminou junho em 4,3%, levemente acima dos 4,2% registrados no primeiro trimestre e dos 4,1% observados no evento do ano anterior. O banco explicou que parte desse aumento se deve à dinâmica específica das operações de capital de giro com garantias voltadas a micro, pequenas e médias empresas, além da deterioração gradual do cenário econômico para pessoas físicas.

Ainda assim, as receitas do Bradesco continuaram a crescer. As receitas totais aumentaram 10,3% em relação ao ano anterior, totalizando R$ 37,6 bilhões. As receitas provenientes da prestação de serviços somaram R$ 10,5 bilhões, enquanto a margem financeira líquida alcançou R$ 10,9 bilhões, impulsionada principalmente pela melhora na margem com clientes.

Resultados do Setor de Seguros

Outro ponto positivo foi o desempenho do grupo segurador do Bradesco, que registrou um lucro líquido recorrente de R$ 2,9 bilhões, representando um crescimento de 28,3% em relação ao segundo trimestre de 2025. Essa operação também trouxe um ROAE robusto de 22,8%, reforçando a importância desse segmento para a diversificação dos resultados da instituição.

Postura Conservadora

A administração do Bradesco considera que o ambiente econômico atual exige uma postura mais conservadora. O presidente-executivo da instituição, Marcelo Noronha, afirmou que o banco continuará a ser moderado nas tomadas de risco diante das incertezas tanto no cenário doméstico quanto internacional.

“Em um cenário de incertezas, e com eleições se aproximando, continuaremos com moderação em nosso apetite ao risco. Nossas despesas operacionais estão controladas e seguimos buscando eficiência”, comentou o executivo.

O banco também ressalta que a manutenção dos juros em níveis elevados tem contribuído para controlar a inflação, mas que isso aumenta a pressão sobre empresas e famílias, o que torna necessária a vigilância sobre a qualidade da carteira de crédito nos próximos trimestres.

Desempenho das Ações

No mercado, as ações preferenciais do Bradesco (BOV:BBDC4) encerraram o pregão do dia 5 de agosto cotadas a R$ 18,05, apresentando uma queda de 0,76%. Durante a sessão, os papéis oscilaram entre a mínima de R$ 18,01 e a máxima de R$ 18,41, após terem sido negociados a R$ 18,32 na abertura. Embora o desempenho diário tenha sido negativo, o lucro superior às expectativas e a manutenção das previsões podem resultar em uma reavaliação positiva por parte dos investidores nos próximos pregões, especialmente em função da evolução consistente dos indicadores operacionais.

Perfil do Bradesco

O Bradesco é considerado um dos maiores conglomerados financeiros da América Latina, operando em diversos setores, como varejo, atacado, cartões, investimentos, seguros, previdência, capitalização e gestão de recursos. Juntamente com instituições como Itaú Unibanco (BOV:ITUB4), Banco do Brasil (BOV:BBAS3) e Santander Brasil (BOV:SANB11), ocupa uma posição de destaque no sistema financeiro brasileiro, com presença física e digital em todo o território nacional.

Fonte: br.-.com

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