O mercado de ações apresenta uma série de sinais indicando que o recente rali pode estar prestes a inverter sua trajetória, conforme mencionado por um dos principais estrategistas técnicos do Bank of America.
Paul Ciana, que ocupa o cargo de estrategista técnico chefe global no BofA, informou em uma nota aos clientes na segunda-feira que, sob uma perspectiva técnica, o mercado parece enfrentar vários “riscos principais”. Esses fatores podem desafiar o rali recente que levou o mercado a alcançar máximas históricas.
“Após atingir nossa meta de 6.500 para o verão, o S&P 500 subiu para um novo recorde. Nossa segunda meta de 6.625, que representa um excesso, está ao alcance,” afirmou Ciana.
A seguir, estão alguns dos riscos que ele está monitorando.
1. Os piores 10 dias do ano estão se aproximando
A transição do verão para o outono costuma ser difícil para as ações, com o S&P 500 apresentando sua pior performance em setembro. Contudo, o mercado pode estar prestes a enfrentar a pior sequência de 10 dias do ano, segundo Ciana.
Historicamente, os últimos 10 dias de setembro apresentam o maior risco de queda para as ações. O S&P 500 tem um desempenho positivo apenas 40% do tempo durante esse período, com um retorno médio de -1,1%, de acordo com a análise do banco sobre dados do mercado de ações que remontam a 1928.
O cenário se torna ainda mais desanimador quando se trata de um ano que inicia um novo mandato presidencial, como 2025. No primeiro ano de um novo ciclo presidencial, o índice é positivo apenas 29% do tempo e apresenta um retorno médio de -1,5% nos últimos 10 dias do mês.
Ciana observou que os últimos 10 dias de negociação do mês começam no dia 17 de setembro. Esse período coincide com a próxima decisão de taxa do Federal Reserve, que os investidores geralmente esperam que seja um dia volátil para as negociações.
“Os primeiros 10 dias também são fracos, mas até agora este ano o mercado superou esse padrão”, comentou Ciana sobre essa tendência que se perpetua ao longo do tempo.
2. O Dow ainda não confirmou sua recente quebra
O Dow Jones Industrial Average recentemente alcançou um novo recorde histórico, mas o Índice de Transporte Dow Jones, um índice separado que está relacionado ao índice de referência, tem apresentado um desempenho inferior.
Ciana afirmou: “O índice de Transporte não superou nada relevante para confirmar a quebra”. Ele também observou que o Índice de Transporte Dow Jones recentemente caiu abaixo de seu “suporte de linha de tendência”, e que sua média móvel simples de 200 dias está em declínio. Essas informações podem ser interpretadas como sinais de que o índice está perdendo impulso.
3. Sinais de amplitude estão enfraquecendo
Diversos indicadores de amplitude do mercado, que medem a proporção de ações em alta em relação àquelas em baixa, estão começando a recuar.
A linha de avanço e declínio da NYSE, que calcula o número de ações listadas que estão em alta comparadas às que estão em queda, estagnou recentemente.
Além disso, as ações do S&P 500 que estão negociando acima de sua média móvel de 50 dias estão apresentando “máximas mais baixas”, conforme indicado por Ciana.
O número de ações no S&P 500 que são consideradas “sobrecompradas” de acordo com o indicador de força relativa também diminuiu.
Ciana comentou: “Um rali liderado por tecnologia pode exacerbar essas divergências. Para resolvê-las de forma positiva, será necessário um rali amplo no mercado”.