A fila de espera do Programa Bolsa Família alcançou a marca de 2,8 milhões de pessoas no início de 2025. Esse cenário surge em um contexto de redução de recursos destinados ao programa neste ano e reascende o debate sobre a capacidade do governo federal de atender as famílias em situação de pobreza e extrema pobreza.
Conforme um levantamento realizado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), utilizando dados do Cadastro Único, aproximadamente 1,9 milhão de famílias já estão qualificadas para receber o benefício, mas permanecem fora da folha de pagamento do programa.
O estudo indica que a demanda reprimida aumentou nos últimos anos, atingindo seu ápice no final de 2023, quando mais de 3,4 milhões de pessoas aguardavam acesso ao Bolsa Família.
Redução de verba pressiona atendimento
Em 2025, o orçamento do Bolsa Família sofreu uma queda, após dois anos de crescimento. A Lei Orçamentária Anual prevê R$ 159,5 bilhões para o programa, um valor inferior ao de 2024, quando os recursos superaram R$ 169 bilhões.
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Além da diminuição orçamentária inicial, o governo federal anunciou um bloqueio adicional de R$ 7,7 bilhões no orçamento do programa, justificando a medida pela revisão cadastral e o ajuste de benefícios considerados irregulares.
Em contrapartida, a avaliação da CNM é de que a redução de recursos pode ampliar a fila de espera, pois enquanto famílias deixam o programa, novos beneficiários não conseguem ser incluídos na mesma proporção.
De acordo com o levantamento, seriam necessários cerca de R$ 15,5 bilhões a mais por ano no orçamento federal para eliminar a demanda reprimida atual. Esse cálculo considera o pagamento médio às famílias em março deste ano, que foi de R$ 668,65 mensais.
Sudeste concentra maior número de pessoas na fila
O estudo revela que cerca de metade das pessoas que aguardam pelo benefício está situada na região Sudeste. Especificamente, o estado de São Paulo se destaca em primeiro lugar, com cerca de 551 mil pessoas na fila. Na sequência, estão o Rio de Janeiro, com 549 mil, e a Bahia, com quase 198 mil.
No contexto regional, o Sudeste representa 45% da demanda reprimida nacional, seguido pelo Nordeste, que concentra 25%. As regiões com os menores números de pessoas na fila são Roraima, Acre e Rondônia.
Estados com mais pessoas na fila de espera
| Estado | Pessoas na fila | Famílias na fila |
|---|---|---|
| São Paulo (SP) | 551,5 mil | 362,3 mil |
| Rio de Janeiro (RJ) | 549,2 mil | 368,4 mil |
| Bahia (BA) | 197,6 mil | 158,5 mil |
| Rio Grande do Sul (RS) | 153,2 mil | 105,1 mil |
| Minas Gerais (MG) | 150,5 mil | 107,6 mil |
| Pará (PA) | 146,4 mil | 91 mil |
| Pernambuco (PE) | 144,1 mil | 116,1 mil |
| Ceará (CE) | 118,2 mil | 82,7 mil |
| Amazonas (AM) | 102,3 mil | 57,4 mil |
Revisão cadastral mudou perfil do programa
Entre 2022 e 2023, o número de beneficiários do Bolsa Família cresceu de forma significativa, passando de 19,2 milhões para 21,3 milhões de famílias atendidas. Este aumento foi atribuído ao crescimento da população em situação de vulnerabilidade social, assim como ao aumento do número de cadastros unipessoais, que são compostos por apenas uma pessoa.
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Com o intuito de conter possíveis irregularidades, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social implementou novas regras em 2023, limitando a porcentagem de famílias unipessoais no programa. Após a adoção dessa medida e os processos de verificação cadastral, cerca de 1 milhão de famílias deixaram de receber o benefício entre 2023 e 2025. Contudo, mesmo com essa redução no número de beneficiários, a fila de espera continuou elevada.
Municípios reclamam de corte em repasses
Outro aspecto preocupante destacado pela CNM envolve os recursos destinados aos municípios para a gestão do Cadastro Único e do Bolsa Família. Uma nova portaria do governo federal diminuiu o valor pago por cada cadastro realizado, reduzindo de R$ 4 para R$ 3,25. De acordo com a entidade, esse repasse é fundamental para financiar ações como busca ativa, atualização de dados e fiscalização cadastral.
A confederação ressalta que a redução dos recursos ocorre em um momento em que a demanda por atendimento social nos municípios está em crescimento.
Pressão sobre a assistência social
Com milhões de pessoas fora do Bolsa Família, mesmo que preencham os critérios estabelecidos, prefeitos e gestores municipais relatam um aumento na pressão sobre os serviços públicos de assistência social. A CNM argumenta que a lentidão na inclusão dessas famílias enfraquece a política nacional de combate à pobreza, transferindo parte da responsabilidade pelo acolhimento da população vulnerável aos municípios.
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Atualmente, o Bolsa Família atende cerca de 20,5 milhões de famílias em todo o país, abrangendo mais de 53,8 milhões de pessoas.
Fonte: timesbrasil.com.br