Estratégia de Agregação de Valor no Setor Mineral
O governo federal conseguiu incluir em um novo documento oficial sua estratégia de agregação de valor no setor mineral, com o objetivo de aumentar sua participação nas cadeias produtivas globais. Para os especialistas da indústria mineral que acompanham as negociações com países estrangeiros, a inclusão de minerais críticos no acordo assinado com a Coreia do Sul possui um caráter político e diplomático, representando uma sinalização da posição do Brasil em relação às grandes potências mundiais.
Acordo com a Coreia do Sul
Na data de 23 de outubro de 2023, o Brasil firmou um acordo abrangente de cooperação em comércio e integração produtiva com a Coreia do Sul, onde os minerais críticos foram enfatizados. Embora o documento não se constitua em um memorando específico para o setor mineral, como aqueles recentemente firmados com a Índia e a Arábia Saudita, ele insere os minerais em um contexto de agregação de valor e integração de cadeias produtivas tecnológicas avançadas.
Menções aos Minerais Críticos
O acordo menciona explicitamente os minerais críticos em várias seções, com um foco especial na integração industrial e no fortalecimento das cadeias produtivas. Na prática, essa cooperação pode englobar projetos conjuntos voltados para exploração e processamento mineral, além de iniciativas relacionadas ao refino químico, desenvolvimento tecnológico e fornecimento de insumos para setores industriais como o de baterias, eletrônicos e veículos elétricos.
Dependência da Coreia do Sul
A Coreia do Sul é reconhecida como um dos principais polos industriais nas áreas mencionadas e possui uma dependência significativa de importações de minerais estratégicos, a maioria oriunda da China. Dentre os diversos produtos que dependem desses minerais, cabe destacar a importância de metais raros e materiais utilizados na fabricação de componentes tecnológicos de ponta.
Desafios para o Brasil
Internamente, membros do governo brasileiro reconhecem que avançar para as etapas mais sofisticadas da cadeia produtiva, como a fabricação de ímãs permanentes, ainda se apresenta como um objetivo distante. Essas fases demandam tecnologia avançada, uma escala industrial considerável e investimentos na casa dos bilhões de reais. No entanto, ainda existe potencial para o país avançar em etapas intermediárias, principalmente nas áreas de refino químico e na separação dos elementos individuais de terras raras. Tais processos são fundamentais para a transformação do minério extraído em produtos industriais com um valor agregado maior.
Aproximação com Países Emergentes
A estratégia do governo brasileiro é buscar uma aproximação com países emergentes que possuem tecnologia avançada ou uma capacidade industrial relevante. Essa aproximação visa sinalizar a intenção do Brasil de avançar em fases mais complexas da cadeia produtiva, ao mesmo tempo que busca diminuir a dependência da exportação de matéria-prima em estado bruto.
Instrumento Político e Diplomático
Na análise do setor produtivo, os minerais críticos têm sido utilizados como um instrumento político e diplomático pelo governo federal. Aproveitando as agendas na Ásia, o Brasil envia mensagens indiretas às grandes potências, como os Estados Unidos, a Europa e a China, indicando a sua intenção de ampliar seu papel nas fases mais lucrativas da cadeia produtiva mineral.
Reforço do Poder de Negociação
A aproximação com esses países é também considerada uma maneira de reforçar o poder de negociação do Brasil com as grandes economias que detêm tecnologia e capital. O governo continua a manter discussões com essas nações, aumentando o nível de exigência nas negociações, com um foco claro na transferência de tecnologia e na instalação de etapas industriais dentro do território brasileiro.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br

