Braskem e Estratégia de Recuperação Financeira
A Braskem estabeleceu uma linha de defesa para enfrentar o período crítico de sua agenda financeira, evitando recorrer à recuperação judicial. Informações extraídas de três fontes relacionadas à governança e assessoria jurídica da empresa indicam que a possibilidade de a petroquímica optar por um processo de recuperação judicial é atualmente considerada "quase nula".
Alternativa à Recuperação Judicial
Nos bastidores, a Braskem estuda uma recuperação extrajudicial, um método que é menos traumático e permite maior controle, sendo utilizado apenas se as negociações com credores não avançarem de maneira satisfatória. A principal diferença entre esses dois tipos de recuperação é que a judicial implicaria um processo mais amplo e litigioso, enquanto a extrajudicial permitiria negociações diretas com grupos de credores, preservando o controle sobre a operação e diminuindo o risco de danos à reputação e à saúde financeira da empresa.
Preparações para a Recuperação Extrajudicial
Recentemente, a Braskem formalizou seus preparativos para essa possibilidade. Em assembleia realizada no mês corrente, os acionistas aprovaram uma modificação no estatuto que transferiu ao Conselho de Administração a autoridade para deliberar sobre um possível pedido de recuperação extrajudicial. Essa mudança elimina a necessidade de convocar uma nova assembleia geral, acelerando a resposta da companhia caso haja uma deterioração nas conversas com credores.
Desafios Imediatos
O tema é particularmente delicado, pois julho demanda cerca de US$ 144 milhões em pagamento de cupons de bonds internacionais da Braskem, um valor frequentemente arredondado para US$ 150 milhões. O vencimento inicial está previsto para 10 de julho e representa um teste para a nova fase das negociações realizadas pela companhia.
Em agosto, dois pagamentos subsequentes elevam a quantia para aproximadamente US$ 222 milhões, apenas em desembolsos com juros de bonds externos entre os meses de julho e agosto.
Expectativas Internas
Apesar da pressão financeira imediata, a análise interna sugere que o mercado pode ter superestimado a possibilidade de recuperação judicial. A nova estrutura de controle, que inclui IG4 Capital e Petrobras, é percebida como um fator crucial que pode influenciar a dinâmica nas negociações.
Por um lado, a IG4 incorpora experiência em situações de reestruturação complexa. Por outro, a Petrobras confere um peso institucional bastante significativo na mesa de negociações. Interlocutores que estão em contato com a companhia avaliam que os credores têm pouco incentivo para transformar a discussão em uma disputa judicial contra esse novo bloco de controle.
Papel da Recuperação Extrajudicial
Dentro desse contexto, a recuperação extrajudicial se configura mais como uma ferramenta de negociação e proteção, em vez de um desfecho inevitável. Na prática, a avaliação é que a Braskem não necessitaria convencer todos os credores para conseguir um tempo extra em sua situação financeira. Com o apoio de cerca de 33% dos detentores de sua dívida, a companhia estaria em condições de ativar o mecanismo da recuperação extrajudicial, o que lhe permitiria buscar uma pausa de até 90 dias nas cobranças. Esse período é considerado suficiente para finalizar as negociações que estão em andamento.
Principais Objetivos
Internamente, esse mecanismo é tratado como um meio de atravessar o ápice da pressão financeira esperada nos próximos meses, sem que a empresa tenha que adotar medidas mais drásticas. A avaliação é a de que tanto os credores quanto os acionistas têm mais a beneficiar-se de uma renegociação coordenada do que por meio da judicialização do processo.
Nos bastidores, a mensagem reiterada por fontes próximas à Braskem é de que a empresa não está considerando uma solução de ruptura. A prioridade é ganhar tempo, preservar caixa e manter as negociações fora do ambiente judicial.
Fonte: veja.abril.com.br


